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Asma requer cuidados específicos no inverno

Apesar dos fatores desencadeantes variarem para cada indivíduo, as baixas temperaturas representam um período crítico para a doença

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A doença respiratória tem relação genética e geralmente se apresenta na infância ou na puberdade, entre os 13 e 14 anos
É inevitável. Quando as temperaturas começam a cair, é hora de manter a casa e o corpo aquecidos. Com isso, é tempo de resgatar as roupas e cobertores que estavam há meses guardados no guarda-roupa, assim como manter a casa fechada, bem quentinha.

O que preocupa nesses hábitos comuns a toda população são as consequências para quem sofre de doenças respiratórias, em especial a asma. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) aponta a doença como um problema mundial de saúde que afeta cerca de 300 milhões de pessoas. Em uma projeção nacional, esse número chega a 20 milhões, sendo a principal causa de hospitalizações de 350 mil brasileiros/ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A asma é uma doença pulmonar crônica associada à sensibilidade aumentada dos brônquios, que reagem ao menor sinal de irritação, ocasionando o estreitamento das vias e, consequentemente, a obstrução variável do fluxo do ar.

É por isso que quem tem asma apresenta os sintomas de falta de ar ou dificuldade para respirar; sensação de aperto no peito ou peito pesado; chio ou chiado no peito e tosse, que pode ser produtiva, com secreção; ou seca, irritativa.

O pneumologista Denison Noronha Freire, de Londrina, explica que a doença tem relação genética e que geralmente se apresenta na infância ou na puberdade, entre os 13 e 14 anos. "Em 30% dos casos, há um período de acalmia (sem crise), onde a pessoa chega até a achar que curou-se da asma, mas ela não tem cura", afirma.

A empresária Carina Hirooka foi diagnosticada com asma aos 5 meses de vida. "Minha mãe percebeu que eu tinha dificuldade para respirar e me levou ao médico. Desde então, aprendi a conviver com a doença", conta.

Carina chegou a ficar seis anos sem uma crise, mas recentemente voltou a sentir falta de ar, o peito chiado, além de indisposição. "Começou com a chegada do frio. No dia a dia tento amenizar os sintomas com medicação (bombinhas), mas quando a crise vem com força, só indo ao médico mesmo", acrescenta.

Segundo o especialista, os fatores "gatilhos", ou seja, que pioram a asma ou fazem aparecer os sintomas, variam para cada pessoa, mas existem dois deles que são frequentes: o contato com a poeira domiciliar (ácaros) e a mudança de temperatura.

"O inverno é indiretamente responsável. O problema está no uso de agasalhos e cobertores que estão guardados há meses, pois têm a presença de ácaros e fungos. Além disso, as pessoas tendem a manter ambientes fechados, sem ventilação, o que favorece a poeira e a disseminação de resfriados e gripe, que também são desencadeantes", ressalta.

Outros fatores que merecem atenção são os animais de estimação, pela presença de pelos; fumaça de cigarro, polens e poluição ambiental. Como precaução, Freire orienta lavar as roupas de inverno e cobertores antes do uso, ou pelo menos, mantê-los sob o sol.

"Procure trocar colchões e travesseiros com regularidade e evite cortinas pesadas, tapetes e bichos de pelúcia nos quartos. Na hora da limpeza, use panos úmidos e aspirador de pó com filtro Hepa (que absorve bem os ácaros) ao invés de vassoura ou espanador", indica.

A pneumologista Fernanda Cabrera de Oliveira, do Programa Viva Cuidado Total, da Amil, cita que a procura por especialistas em doenças alérgicas chega a aumentar 40% nesta época do ano, pois além da asma, o clima também é favorável para outras doenças respiratórias, como rinites, pneumonia, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Micaela Orikasa
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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