DESAFIOS PARANÁ - Saúde ainda está longe do ideal
Apesar dos avanços no setor nos últimos anos, superlotação e estruturas ociosas de hospitais e investimento abaixo do previsto em lei são problemas a serem superados pelo Estado
Dos 18 hospitais paranaenses integrados ao SUS, cerca de 50% mantêm parte de suas estruturas ociosas por falta de equipamentos, funcionários ou dinheiro
Violência que vitimiza número cada vez maior de pessoas e doenças lotam os prontos-socorros públicos do Estado
Entre os muitos desafios que serão encontrados pelos próximos governantes do Paraná, a saúde é um dos mais difíceis de serem vencidos. A longevidade da população, a violência que vitimiza número cada vez maior de pessoas e lota os prontos-socorros, os crescentes índices de doenças como o câncer e a falta de políticas melhor definidas para a atenção básica são algumas peças deste complicado quebra-cabeça. Uma realidade que, segundo profissionais ligados à área, só vai começar a mudar com investimentos adequados. Nos últimos anos o Estado aumentou significativamente o aporte de recursos na área, mas ainda não atingiu os 12% do orçamento anual, como prevê a Constituição federal.
Dos 18 hospitais paranaenses integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 50% mantêm parte de suas estruturas ociosas, por falta de equipamentos, de funcionários qualificados ou de dinheiro para manter o serviço. Quando comparada à de outros Estados a situação não chega a ser aflitiva, na opinião do procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio das Promotorias de Saúde Pública do Paraná, Marco Antonio Teixeira, mas deixa muito a desejar.
Para o procurador, a saúde pública deve trabalhar visando três grandes metas: ter usuários satisfeitos, com acesso a tratamentos integrais e na hora certa; implantar bons mecanismos de controle de satisfação do usuário; e cumprir a lei no que diz respeito ao investimento mínimo em saúde. "Só teremos um bom sistema de saúde quando as pessoas, no geral, se mostrarem razoavelmente satisfeitas", diz Teixeira.
O procurador defende um melhor controle social do setor. Segundo ele, a população brasileira já conhece bem os seus direitos como consumidora de outros bens, mas ainda não aprendeu a fiscalizar e exigir bons serviços de saúde. "Uma forma de aprofundar este controle pode ser por meio de associações e conselhos de saúde. É preciso incutir na sociedade a noção de que todos têm direito a bons serviços, porque pagamos por eles."
Para a diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores em Serviços Públicos do Saúde Pública e Previdência do Estado do Paraná (SindSaúde) Elaine Rodella, os entraves da saúde são velhos conhecidos, mas nunca enfrentados. Ela lembra que a Emenda 29 da Constituição, que prevê o investimento mínimo de 12% do orçamento dos estados na área de saúde, existe há 14 anos, mas nunca foi respeitada no Paraná.
Em 2002, de acordo com dados do SindSaúde, o Paraná atingiu a marca de 5,98% do orçamento. Este índice aumentou nos anos seguintes e chegou a 9,98% em 2010. Em 2012 ficou um pouco abaixo disso (9,94%) e em 2013 chegou a 10,08%. Isso significa que os investimentos do Estado, por habitante, passaram de R$ 74,16 por ano, em 2002, para R$ 250,00 no ano passado, mas ainda assim estão aquém do previsto em lei e bem longe dos investimentos feitos em países desenvolvidos.
"No Brasil, se juntarmos todos os investimentos feitos em saúde, em todas as esferas governamentais, a média é de R$ 1.098,75 por habitante/ano. Em países como a Alemanha este valor chega a US$ 3.819,00. O primeiro desafio que enfrentamos, portanto, é o do investimento. Onde não temos dinheiro suficiente, não conseguimos ter saúde resolutiva", resume Elaine.
FONTE - FOLHA DE LONDRINA
Dos 18 hospitais paranaenses integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 50% mantêm parte de suas estruturas ociosas, por falta de equipamentos, de funcionários qualificados ou de dinheiro para manter o serviço. Quando comparada à de outros Estados a situação não chega a ser aflitiva, na opinião do procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio das Promotorias de Saúde Pública do Paraná, Marco Antonio Teixeira, mas deixa muito a desejar.
Para o procurador, a saúde pública deve trabalhar visando três grandes metas: ter usuários satisfeitos, com acesso a tratamentos integrais e na hora certa; implantar bons mecanismos de controle de satisfação do usuário; e cumprir a lei no que diz respeito ao investimento mínimo em saúde. "Só teremos um bom sistema de saúde quando as pessoas, no geral, se mostrarem razoavelmente satisfeitas", diz Teixeira.
O procurador defende um melhor controle social do setor. Segundo ele, a população brasileira já conhece bem os seus direitos como consumidora de outros bens, mas ainda não aprendeu a fiscalizar e exigir bons serviços de saúde. "Uma forma de aprofundar este controle pode ser por meio de associações e conselhos de saúde. É preciso incutir na sociedade a noção de que todos têm direito a bons serviços, porque pagamos por eles."
Para a diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores em Serviços Públicos do Saúde Pública e Previdência do Estado do Paraná (SindSaúde) Elaine Rodella, os entraves da saúde são velhos conhecidos, mas nunca enfrentados. Ela lembra que a Emenda 29 da Constituição, que prevê o investimento mínimo de 12% do orçamento dos estados na área de saúde, existe há 14 anos, mas nunca foi respeitada no Paraná.
Em 2002, de acordo com dados do SindSaúde, o Paraná atingiu a marca de 5,98% do orçamento. Este índice aumentou nos anos seguintes e chegou a 9,98% em 2010. Em 2012 ficou um pouco abaixo disso (9,94%) e em 2013 chegou a 10,08%. Isso significa que os investimentos do Estado, por habitante, passaram de R$ 74,16 por ano, em 2002, para R$ 250,00 no ano passado, mas ainda assim estão aquém do previsto em lei e bem longe dos investimentos feitos em países desenvolvidos.
"No Brasil, se juntarmos todos os investimentos feitos em saúde, em todas as esferas governamentais, a média é de R$ 1.098,75 por habitante/ano. Em países como a Alemanha este valor chega a US$ 3.819,00. O primeiro desafio que enfrentamos, portanto, é o do investimento. Onde não temos dinheiro suficiente, não conseguimos ter saúde resolutiva", resume Elaine.
FONTE - FOLHA DE LONDRINA

