Desembarque seguro para elas
Municípios adotam medidas no transporte coletivo para coibir atos de violência contra as mulheres
Como ainda não há uma lei regulamentando a medida em Londrina, as passageiras dependem da compreensão dos motoristas
"É uma questão de segurança", afirma Viviane de Jesus Rodrigues
Cilene Graciolli conta que as filhas já utilizaram o transporte público durante a madrugada e pararam próximo de casa
Londrina - Em Umuarama (Noroeste) é lei. Motoristas do transporte coletivo são obrigados a parar em qualquer local do trajeto a pedido das passageiras, após as 22 horas. A norma começou a valer no dia 10 deste mês, em uma tentativa de garantir a segurança das mulheres que utilizam ônibus da linha urbana à noite.
"Com essa medida proposta pela Câmara de Vereadores, as passageiras podem desembarcar em locais com maior circulação de pessoas e evitar crimes", comentou o procurador Geral do Município, Marcelo Gomes do Vale.
Em 2012, uma lei semelhante foi sancionada em Cascavel (Oeste). Segundo o diretor de Engenharia e Transporte da Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito de Cascavel (Cettrans), Adão Kaliskievicz Junior, a norma surgiu para regulamentar as paradas especiais que já haviam se tornado comuns. "Nos locais onde há pouco movimento ou pouca iluminação, os pedidos de parada costumavam ser atendidos antes mesmo da lei. Mas, como a parada fora do ponto de ônibus não era regulamentada, a empresa e os motoristas acabavam sendo advertidos", explicou. Adão garantiu que, além da norma, há a preocupação com a estrutura dos pontos de ônibus e com a iluminação dos locais mais afastados da região central.
Em Londrina, não há uma lei específica sobre o assunto, mas a solicitação da parada fora dos pontos de ônibus pode ser feita entre 0h30 e 5 horas por qualquer cidadão. O diretor de Transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson de Jesus, explicou que a orientação é repassada de uma forma geral aos motoristas.
"As mulheres podem desembarcar fora dos pontos desde que o local esteja dentro do trajeto do transporte coletivo e que o motorista não desrespeite as leis de trânsito na parada", garantiu Jesus. Durante a madrugada, apenas oito linhas circulam no chamado "Corujão". O embarque também pode ser feito em qualquer local durante o trajeto e não é necessário aguardar o ônibus em um dos pontos.
GENTILEZA
Como ainda não há uma lei regulamentando a medida em Londrina, as passageiras dependem da gentileza dos motoristas. A publicitária Sheila Castro contou que a solicitação dela já deixou de ser atendida algumas vezes. "Quando eu trabalhava no shopping, eu chegava em casa depois da meia-noite. Nem todos os motoristas paravam perto da minha casa, mas muitos me ajudavam. Tem muitos pontos em que dá medo descer", afirmou.
"É uma questão de segurança. Há pontos de ônibus que são muito longe de onde a gente precisa parar. É interessante que isso se torne lei mesmo", disse a servidora pública Viviane de Jesus Rodrigues. A dona de casa Cilene Graciolli reforçou que as filhas já utilizaram o transporte público durante a madrugada e pararam mais próximo da residência.
Para o motorista do transporte coletivo, José Francisco, parar fora do ponto é, algumas vezes, questão de segurança. Ele atua na função há nove anos e disse ser compreensivo com os passageiros de uma forma geral. "Não custa nada e não atrapalha o serviço. Poucas pessoas andam de ônibus na madrugada. Antes de parar fora do ponto, eu olho o trânsito, ligo o sinal de alerta e já cheguei até a esperar a pessoa abrir o portão de casa quando é no caminho do ônibus", destacou.
FOLHA DE LONDRINA
"Com essa medida proposta pela Câmara de Vereadores, as passageiras podem desembarcar em locais com maior circulação de pessoas e evitar crimes", comentou o procurador Geral do Município, Marcelo Gomes do Vale.
Em 2012, uma lei semelhante foi sancionada em Cascavel (Oeste). Segundo o diretor de Engenharia e Transporte da Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito de Cascavel (Cettrans), Adão Kaliskievicz Junior, a norma surgiu para regulamentar as paradas especiais que já haviam se tornado comuns. "Nos locais onde há pouco movimento ou pouca iluminação, os pedidos de parada costumavam ser atendidos antes mesmo da lei. Mas, como a parada fora do ponto de ônibus não era regulamentada, a empresa e os motoristas acabavam sendo advertidos", explicou. Adão garantiu que, além da norma, há a preocupação com a estrutura dos pontos de ônibus e com a iluminação dos locais mais afastados da região central.
Em Londrina, não há uma lei específica sobre o assunto, mas a solicitação da parada fora dos pontos de ônibus pode ser feita entre 0h30 e 5 horas por qualquer cidadão. O diretor de Transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson de Jesus, explicou que a orientação é repassada de uma forma geral aos motoristas.
"As mulheres podem desembarcar fora dos pontos desde que o local esteja dentro do trajeto do transporte coletivo e que o motorista não desrespeite as leis de trânsito na parada", garantiu Jesus. Durante a madrugada, apenas oito linhas circulam no chamado "Corujão". O embarque também pode ser feito em qualquer local durante o trajeto e não é necessário aguardar o ônibus em um dos pontos.
GENTILEZA
Como ainda não há uma lei regulamentando a medida em Londrina, as passageiras dependem da gentileza dos motoristas. A publicitária Sheila Castro contou que a solicitação dela já deixou de ser atendida algumas vezes. "Quando eu trabalhava no shopping, eu chegava em casa depois da meia-noite. Nem todos os motoristas paravam perto da minha casa, mas muitos me ajudavam. Tem muitos pontos em que dá medo descer", afirmou.
"É uma questão de segurança. Há pontos de ônibus que são muito longe de onde a gente precisa parar. É interessante que isso se torne lei mesmo", disse a servidora pública Viviane de Jesus Rodrigues. A dona de casa Cilene Graciolli reforçou que as filhas já utilizaram o transporte público durante a madrugada e pararam mais próximo da residência.
Para o motorista do transporte coletivo, José Francisco, parar fora do ponto é, algumas vezes, questão de segurança. Ele atua na função há nove anos e disse ser compreensivo com os passageiros de uma forma geral. "Não custa nada e não atrapalha o serviço. Poucas pessoas andam de ônibus na madrugada. Antes de parar fora do ponto, eu olho o trânsito, ligo o sinal de alerta e já cheguei até a esperar a pessoa abrir o portão de casa quando é no caminho do ônibus", destacou.
FOLHA DE LONDRINA
Viviani Costa
Reportagem Local
Reportagem Local

