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Mudança de rumo para pecuária de corte paranaense

Levantamento da UFPR, em parceria com entidades ligadas ao agronegócio, aponta rumos para pecuária de corte paranaense

Marcos Zanutto
Ainda não há tecnologia disponível que chegue ao produtor de forma eficiente para viabilizar a pecuária nos morros
Rebanho estagnado, falta de bezerros, produtividade insuficiente e sistemas de produção obsoletos. O sinal de alerta está ligado e muito deve ser feito para que a pecuária de corte paranaense saia da letargia e atinja patamares diferenciados. É claro que há exceções – com pecuaristas e cooperativas produzindo carne de boa qualidade – mas, no geral, a mudança precisa ser intensiva.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) conhece esse cenário e encomendou, no ano passado, junto às áreas de economia rural e zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) - em parceria com diversas outras entidades do setor - um raio-X da pecuária de corte paranaense. Na elaboração do diagnóstico, os pesquisadores da UFPR José Roberto Canziani, Vania Di Addario Guimarães, Paulo Rossi Junior e Fernando Peres descreveram de forma detalhada a estrutura de funcionamento de todos os elos que compõem a cadeia produtiva da carne bovina do Estado.

A Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da Faep recebeu o "Diagnóstico da Pecuária de Corte Paranaense e Recomendações de Ações para o seu Desenvolvimento Sustentável" no final do mês passado. O documento mostra, de maneira clara, o que deve ser realizado para que a pecuária paranaense evolua de forma significativa nos próximos anos.

Um dos primeiros pontos que chamam a atenção no estudo é que entre 1999 e 2012, a variação absoluta do rebanho bovino paranaense retraiu em torno de 600 mil cabeças, atingindo a marca de 6,1 milhões de cabeças atualmente. Junto ao Paraná, sofreram queda de animais o Piauí, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Pesquisadora que participou do trabalho da UFPR, a economista Vania Di Addario Guimarães salienta que um dos pontos mais nítidos do levantamento é que a pecuária de corte está perdendo espaço para a agricultura, sendo "empurrada para os morros". "Essa pecuária tradicional do Estado não tem competitividade frente à agricultura", decreta a ela.

Combinado a esse cenário, a pesquisadora explica que não há tecnologia disponível que chegue ao produtor de forma eficiente para viabilizar a pecuária nos morros. "É preciso ações para incentivar pesquisas e viabilizar tal pecuária, que está alocada em todo o Estado, mas principalmente no Norte Pioneiro e Região Central. Há também falhas na extensão rural. Boa parte dos agricultores paranaenses são cooperados e tem uma assistência técnica mais próxima, ou até vendedores que buscam a comercialização de insumos. Mas a pecuária de corte gera poucos desembolsos, o que afasta os técnicos vendedores", explica ela.

A escassez de bezerros no Estado também tem destaque na pauta. O estudo mostra que as propriedades estão ficando cada vez menores, a pecuária é mais intensiva, o que dificulta a criação. A saída, portanto, é trazer animais de outros estados, mas há um porém: ao executar essa ação é preciso pagar 12% de ICMS, o que torna o trabalho economicamente inviável em muitos casos. "O que sugerimos no levantamento, nesse caso, é uma ação da Faep junto ao poder público para zerar esse tributo na entrada dos animais. Assim, ganharíamos em escala e, consequentemente, em produção."

Por fim, a análise faz um apontamento sobre o relacionamento dos pecuaristas com as unidades frigoríficas. Os acordos, que por muito tempo foram de desconfiança e calotes, precisam se transformar para que a relação se torne de "ganha ganha". "Sugerimos que a Faep e os sindicatos criem ações regionais junto aos frigoríficos, desenvolvendo um sistema de pagamento por qualidade de carcaça. É complicado fazer isso no Estado todo, mas regionalmente é possível aproximar os dois elos da cadeia para ganhos mútuos. É preciso um esforço de ambas as partes, uma conversa de gente grande. Cooperativas como a Cooperaliança, de Guarapuava, conseguem esse tipo de aliança mercadológica com eficiência", complementa a pesquisadora.


Victor Lopes
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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