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O joio e o trigo - Alimentação saudável também é responsabilidade da indústria

Proposta de médico paranaense quer transformar em projeto de lei a taxação diferenciada de produtos que não são adequados para a boa saúde

César Augusto
O mundo dos supermercados e suas gôndolas cheias de produtos coloridos: medidas tentam se contrapor ao jogo de sedução da indústria alimentícia
Consumir alimentos naturais, sem adição de açúcar, gordura e sal. Regra presente entre todas as diretrizes de políticas públicas que buscam promover a saúde e combater as chamadas doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e obesidade, esta determinação encontra um obstáculo para ser seguida pelos consumidores. Entre os milhares de produtos expostos nas prateleiras dos supermercados, como escolher os mais adequados se os rótulos não são claros e os preços dos alimentos saudáveis nem sempre são atraentes?

Diante da convicção de que fazer a melhor escolha não depende apenas do consumidor, iniciativas em nível estadual e federal visam chamar as indústrias de alimentos à responsabilidade de informar melhor a população sobre o conteúdo das embalagens que oferecem.

No Paraná, a proposta do professor e cirurgião paranaense Caetano Marchesini, membro titular da Federação Internacional de Cirurgia para Obesidade, é transformar em lei a diferenciação tributária entre os alimentos calóricos e os alimentos saudáveis. Na prática, a ideia é que a produção e o cultivo de produtos saudáveis sejam subsidiados para chegarem ao consumidor com preços mais atrativos, enquanto as mercadorias ricas em sódio, açúcar e gorduras sejam taxadas com mais impostos. Outra medida que afetaria diretamente a indústria de alimentos é a criação de um regulamento sanitário de rotulagem e publicidade nos alimentos e bebidas. "Teríamos um selo verde de alimento saudável para ajudar o consumidor a fazer boas escolhas. Além disso, os rótulos passariam a trazer o valor calórico total do conteúdo, evitando as 'pegadinhas' contidas nas informações nutricionais, que trazem calorias por porção", explica. No dia 16 de setembro, está prevista uma audiência pública, às 11 horas, para discutir a questão na Assembleia Legislativa do estado, em Curitiba. O projeto de lei será apresentado pelo deputado Ney Leprevost.

A proposta de Marchesini prevê também o estímulo à criação de hortas no quintal de áreas urbanas, o incentivo a atividade física em espaços públicos e de lazer, inclusão na grade curricular das escolas de atividades educacionais sobre orientação alimentar, promoção de ambientes de trabalho saudáveis, criação do vale refeição saudável, estabelecimento de um Modelo Clínico Preventivo Integral para o tratamento da obesidade e diabetes e a divulgação de informações sobre mercados de produtos saudáveis.

"Com esta proposta queremos desestimular a compra de alimentos calóricos e, ao mesmo tempo, criar incentivos para o consumo de alimentos saudáveis", alerta o médico. A experiência no dia a dia foi o que motivou o profissional a tentar transformar em lei uma ideia que acredita ser capaz de conter um problema observado rotineiramente no consultório. "As pessoas estão se tornando cada vez mais obesas e não existem médicos suficientes para o tratamento da obesidade", denuncia, lembrando que inúmeras doenças estão relacionadas ao excesso de peso corporal, dieta errada e falta de atividade física. "As perspectivas são muito ruins. Hoje temos casos de crianças e adolescentes com indicação de cirurgia bariátrica para combater a obesidade", critica.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 44% dos casos de diabetes tipo 2 são atribuídos ao excesso de peso e à obesidade. "Também estão relacionados à obesidade a hipertensão arterial, doenças cardíacas, doença vascular cerebral, a osteoartrite e muitas outras", enumera.

E cita dados do Ministério da Saúde para justificar o projeto. Conforme as pesquisas consultadas por ele, uma em cada três crianças brasileiras sofre com o excesso de peso. Já um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que somente 15% da população brasileira faz atividade física rotineiramente. A pesquisa do IBGE POF 2008-2009, intitulada "Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil", também mostrou que a maioria esmagadora da população brasileira consome uma quantidade de frutas, legumes e verduras inferior ao recomendado pela OMS.

FOLHA DE LONDRINA
Carolina Avansini
Reportagem Local
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