[Fechar]

PageNavi Results No. (ex: 7)

7

Últimas notícias

Itaipu prepara voo inaugural de avião elétrico

Objetivo da empresa é capacitar fornecedores brasileiros para fabricação de componentes de veículos elétricos em escala industrial

Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
Aeronave terá autonomia de uma hora de voo, equivalente a 200 quilômetros
Foz do Iguaçu - O primeiro avião elétrico tripulado do Brasil já começou a fase de ensaios e, depois da certificação, deve ter seu voo inaugural em meados de novembro deste ano. Essa é a expectativa dos técnicos e engenheiros do Programa Veículo Elétrico (VE), da Itaipu Binacional, que desenvolveram o protótipo em parceria com a empresa ACS Aviation, de São José dos Campos (SP). O modelo, que começou a ser construído há pouco mais de um ano, chegou ao Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Montagem de Veículos Movidos a Eletricidade (CPDM-VE) da binacional no final de agosto.

O protótipo de propulsão elétrica, batizado de Sora-e, tem como base o modelo esportivo acrobático ACS-100 Sora, para duas pessoas, pesa 650 quilos e mede oito metros de envergadura (de uma ponta da asa a outra). Com velocidade máxima de 310 km/h, terá autonomia de uma hora de voo, equivalente a 200 quilômetros. O modelo vai carregar um motor elétrico duplo, fabricado na Eslovênia, com potência máxima de 140 kW, e um conjunto com seis packs de baterias, contendo 16 células cada um. O protótipo foi construído com componentes de vários países, incluindo o Brasil.

O coordenador brasileiro do Programa VE, Celso Novais, explica que o protótipo do avião é uma das vertentes do Projeto de Mobilidade Elétrica Sustentável desenvolvido pela binacional. "Nosso foco é encontrar opções para reduzir a emissão de gases poluentes. Não temos a pretensão de produzir aviões elétricos, mas buscar a tecnologia e preparar fornecedores brasileiros para fabricação dos componentes em escala industrial", explica. Para tanto, juntaram esforços com a empresa para encontrar soluções da redução de peso com a utilização de materiais mais leves e resistentes e, assim, aumentar a autonomia.

Com o know-how do protótipo aéreo, o engenheiro diz que será possível transferir processos e escolha dos componentes aos veículos elétricos já construídos. "Existem duas vertentes para melhorar a autonomia: aumentando a densidade energética da bateria ou diminuindo o peso total." Com isso, Novais sugere que chassis de ônibus elétricos, por exemplo, possam vir a ser fabricados com o mesmo material da asa do avião. "Somente aí haveria uma redução de cerca de 300 quilos", pontua.

Iniciado em 2006, o Programa VE de Itaipu tem outros modelos já desenvolvidos, como carro de passeio, caminhão de pequenas cargas, micro-ônibus, jipe e triciclo. Estão em andamento projetos de ônibus híbrido etanol e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). "A mobilidade elétrica nos meios de transporte é um caminho sem volta para o mundo. O Brasil tem condições de desenvolver tecnologia de igual para igual com outros países onde já existe a comercialização de veículos elétricos."
Marian Trigueiros
Reportagem Local-folha de londrina
UA-102978914-2