O garimpo dos colecionadores
Lojas e vendedores autônomos viabilizam o difícil trabalho de restauração de veículos antigos
O acervo da Higienópolis Veículos inclui mais de dez mil itens para os mais variados tipos de automóveis
Adauto Júnior garimpa peças antigas em sucatas: "Me considero um colaborador dos colecionadores", diz
Paredes cobertas de grades, volantes e emblemas dos mais variados tipos, marcas e idades de veículos. Prateleiras e mais prateleiras de calotas, retrovisores, lanternas e acessórios. Um acervo de produtos para carros antigos que passa dos dez mil itens. Fundada há dez anos por Pedro Acaldi, atual presidente do Clube do Carro Antigo de Londrina, a Higienópolis Veículos se empenha em oferecer aos colecionadores as mais variadas peças, mesmo as mais raras, a fim de facilitar o trabalho de restauração dos automóveis.
Para garantir essa ampla oferta, Acaldi realiza um verdadeiro trabalho de garimpo em estoques antigos de lojas especializadas, importa produtos ou compra peças produzidas artesanalmente. "Existe hoje muitas pessoas aposentadas que têm a prática, porque trabalharam em indústria ou metalúrgica, fabricando e vendendo peças para nós", relata. Acaldi diz que há mais de 60 fornecedores atualmente realizando esse trabalho artesanal, ainda um pouco precário, diante da falta de ferramentas necessárias.
A importação de peças acontece, principalmente, quando se trata de carros norte-americanos. A dificuldade maior está em encontrar itens de veículos nacionais fabricados entre 1960 e 1970. "Quando são nossos, brasileiros, como DKV, Lamborghini, a dificuldade é grande; de 100 que a gente procura, acha umas quatro ou cinco", estima o empresário.
Para se aproximar do público, Acaldi costuma participar de feiras e encontros que acontecem pelo Brasil. "A gente vai a pelo menos cinco Estados, arma o estande e mostra o que tem", comenta.
A internet também se tornou uma grande ferramenta de exposição e negócios para a loja, que vende para o País inteiro. Apesar de apresentar seus produtos no site, a venda só é concretizada após contato com o interessado. "A opção por falar com o cliente é para explicar se a peça é original de fábrica ou não", explica Acaldi, que preza pela clareza nos negócios.
NACIONAIS
Apaixonado por carros americanos das décadas de 1950 a 1960, como os famosos "rabos de peixe", o servidor público João Marin conseguiu deixar um Impala americano como original. "A maioria das peças tive que importar, ou diretamente, fazendo declaração de importação (no caso de peças grandes), ou trazendo pelo correio", relata. Estofamento, courvin, pneus com faixa branca, tudo veio direto do país de origem do modelo. No entanto, a tentativa de restaurar um veículo nacional tem sido menos exitosa.
"O problema são os carros nacionais de baixa produção. Eu tenho um Esplanada 1969 que não consegui ainda todas as peças que preciso, faz oito anos", conta. Segundo Marin, o modelo foi produzido entre 1966 e 1969, ano em que só se fabricou pouco mais de três mil unidades. Isso dificulta o acesso às peças. "Algumas partes do motor eu encontrei em Goiás e no Rio Grande do Sul", relata.
Com a lataria preservada, já com grade e emblema, Marin espera conseguir mandar o carro para a retífica até o final deste ano, após uma longa espera. Para ele, antes de comprar um veículo antigo é preciso se atentar para todos os detalhes. "Tem que fazer o checklist de tudo que vai precisar, porque também tem muito gasto", orienta.
Para garantir essa ampla oferta, Acaldi realiza um verdadeiro trabalho de garimpo em estoques antigos de lojas especializadas, importa produtos ou compra peças produzidas artesanalmente. "Existe hoje muitas pessoas aposentadas que têm a prática, porque trabalharam em indústria ou metalúrgica, fabricando e vendendo peças para nós", relata. Acaldi diz que há mais de 60 fornecedores atualmente realizando esse trabalho artesanal, ainda um pouco precário, diante da falta de ferramentas necessárias.
A importação de peças acontece, principalmente, quando se trata de carros norte-americanos. A dificuldade maior está em encontrar itens de veículos nacionais fabricados entre 1960 e 1970. "Quando são nossos, brasileiros, como DKV, Lamborghini, a dificuldade é grande; de 100 que a gente procura, acha umas quatro ou cinco", estima o empresário.
Para se aproximar do público, Acaldi costuma participar de feiras e encontros que acontecem pelo Brasil. "A gente vai a pelo menos cinco Estados, arma o estande e mostra o que tem", comenta.
A internet também se tornou uma grande ferramenta de exposição e negócios para a loja, que vende para o País inteiro. Apesar de apresentar seus produtos no site, a venda só é concretizada após contato com o interessado. "A opção por falar com o cliente é para explicar se a peça é original de fábrica ou não", explica Acaldi, que preza pela clareza nos negócios.
Apaixonado por carros americanos das décadas de 1950 a 1960, como os famosos "rabos de peixe", o servidor público João Marin conseguiu deixar um Impala americano como original. "A maioria das peças tive que importar, ou diretamente, fazendo declaração de importação (no caso de peças grandes), ou trazendo pelo correio", relata. Estofamento, courvin, pneus com faixa branca, tudo veio direto do país de origem do modelo. No entanto, a tentativa de restaurar um veículo nacional tem sido menos exitosa.
"O problema são os carros nacionais de baixa produção. Eu tenho um Esplanada 1969 que não consegui ainda todas as peças que preciso, faz oito anos", conta. Segundo Marin, o modelo foi produzido entre 1966 e 1969, ano em que só se fabricou pouco mais de três mil unidades. Isso dificulta o acesso às peças. "Algumas partes do motor eu encontrei em Goiás e no Rio Grande do Sul", relata.
Com a lataria preservada, já com grade e emblema, Marin espera conseguir mandar o carro para a retífica até o final deste ano, após uma longa espera. Para ele, antes de comprar um veículo antigo é preciso se atentar para todos os detalhes. "Tem que fazer o checklist de tudo que vai precisar, porque também tem muito gasto", orienta.
FONTE - FOLHA DE LONDRINA - Cecília França

