[Fechar]

PageNavi Results No. (ex: 7)

7

Últimas notícias

Produção artesanal em pleno século 21

Londrinenses fabricam objetos que aliam habilidade manual e produção em massa

Anderson Coelho
"Não foi uma profissão que aprendi de meu pai ou de meu avô. Foi por necessidade mesmo que resolvi enveredar por essa área", assume Alexandre Kikuchi, que fabrica vassouras caipiras
César Augusto
Sebastião de Freitas deixou a profissão de pedreiro para fabricar espetos de bambu artesanais
Londrina - Em pleno século 21 existem profissões em que o produtor continua sendo o proprietário da oficina e das ferramentas que utiliza para elaborar o produto final. Geralmente esses profissionais trabalham sozinhos ou com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento; ou seja, não há a divisão do trabalho ou a especialização para a confecção de algum produto.

Um deles é o fabricante de vassouras caipiras Alexandre Kikuchi. Depois de anos trabalhando no Japão, ele retornou ao Brasil e resolveu se enveredar na fabricação desse artefato que vem sendo manuseado pela humanidade por séculos. "Não foi uma profissão que aprendi de meu pai ou de meu avô. Foi por necessidade mesmo que resolvi enveredar por essa área. Para plantar soja ou milho é preciso investir muito dinheiro. Resolvi plantar o sorgo, que não exige a aplicação de venenos e nem de muitos maquinários", ressalta.

É a partir do sorgo que Kikuchi extrai a palha utilizada para fabricar as vassouras caipiras. "No começo tive dificuldades para fazer a vassoura. Fazia a costura da maneira errada, às vezes o arame ficava solto, mas aos poucos fui adquirindo prática até que vi que a vassoura estava boa", admite.

Ele explica que depois de 90 dias do plantio, a planta já está pronta para ser cortada. Após ficar dois dias secando, o sorgo vai para uma tulha, onde é molhado, descascado e são separadas as buchas (plantas mais finas) e capas (mais grossas). Para fazer cada um dos maços de palha do qual uma vassoura é feita, ele envolve um punhado de bucha com 10 a 12 capas. Cada maço desses eles chamam de moinho. "Feito isso amarramos o moinho com barbante de maneira bem apertada para criar um vinco na palha, para quando amarrarmos o arame, ele não escorregar." Depois de amarrar o arame, e fazer os três maços, a vassoura vai para o processo de costura com barbantes e a finalização.

Kikuchi afirma que as vendas não têm sido muito boas, e que cogita trocar parte do plantio de sorgo pelo de soja. Ele possui capacidade para produzir 30 a 40 dúzias de vassouras por semana. "Mas boa parte do estoque está no depósito. Teve muito produtor que deixou o sorgo apodrecer na lavoura porque o preço não tem compensado muito", lamenta.

Com a crise, ele tem pensado em outras alternativas, entre elas a possibilidade de exportação para o Japão. "Eu vi as vassouras de lá e vi que elas não eram muito boas. Eram muito moles. Eu estou estudando se tem uma maneira de exportar para lá e outros países", cogita.

Ele assume que, se não fabricasse vassouras, estaria atuando em profissões que exigem baixa escolaridade e não pagam muito bem. "Trabalhando com isso já tive períodos em que faturava R$ 5 mil por mês, mas em outros não consegui faturar nenhum centavo", expõe. Mesmo assim ele afirma que gosta do trabalho que faz. "Tenho que criar minhas filhas", conclui.

FONTE - FOLHA DE LONDRINA
Vítor Ogawa
Reportagem Local
UA-102978914-2