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Recusa familiar provoca queda na doação de órgãos

Campanha destaca importância de declarar para familiares e amigos a intenção de ser doador

Rogério Santana/GERJ
No primeiro semestre foi registrada redução de 15% na quantidade de transplantes realizados
Curitiba - A quantidade de doações de órgãos no Paraná apresentou uma queda de 22% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Conforme dados da Central Estadual de Transplantes, de janeiro a julho foram realizadas 103 doações, contra um total de 132 em 2013. O principal entrave para que estes números aumentem, segundo constatou a Central, é a recusa familiar.

Na tentativa de reverter esta situação, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) lançou nesta semana uma campanha para estimular as doações de órgãos e conscientizar a população sobre a importância de declarar para familiares e amigos a intenção de ser um doador. Com o slogan "Doação de Órgãos - Fale sobre isso", a campanha utiliza um selo estilizado em formato de coração, que deverá ser anexado em embalagens de alimentos, sucos e refrigerantes, sacolas e pacotes de lojas e supermercados, entre outros. Para isso já estão sendo discutidas diversas parcerias com entidades para reforçar a importância do assunto.

Atualmente 2,2 mil pessoas estão na fila de espera por algum tipo de órgão no Paraná. E, segundo a coordenadora da Central de Transplantes, Arlene Badoch, a falta de informação ou o receio das famílias atrapalha o crescimento das doações. No primeiro semestre foram realizadas 327 notificações para doação de órgãos, mas em apenas 31% elas foram efetivadas (foram 103 doações e 224 negativas). Entre estas negativas, 89 foram em decorrência de recusa familiar; seguida por exames clínicos que detectam que não é possível fazer a doação (64).

Arlene ressalta que a campanha é necessária para que a questão deixe de ser tratada como tabu e se transforme em assunto diário. "Se a pessoa quer ser uma doadora ela deve deixar isso claro e comunicar os seus familiares para que sua vontade seja respeitada. Entendemos que a morte é um momento triste e delicado, entretanto, uma doação pode salvar diversas vidas", explica.

PROCEDIMENTOS
No primeiro semestre deste ano também foi registrada uma queda de 15% na quantidade de transplantes realizados. De janeiro a julho ocorreram 237 procedimentos (18 de coração, 56 de fígado, 153 de rins e 10 de pâncreas), enquanto que nos seis primeiros meses do ano passado foram 279 transplantes (13 de coração, 65 de fígado, 185 de rins e 10 de pâncreas). "Infelizmente a fila de pacientes à espera de um transplante nunca será zerada. Entretanto, o que podemos fazer é conseguir que mais pessoas se tornem doadoras, desta forma vamos conseguir salvar mais vidas", completou Arlene.
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-folha de londrina
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