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Repensando a comunidade para colorir vidas

Estudante apucaranense concorre a um ano de mentoria com professores de Harvard

Arquivo pessoal
Airan Costa criou o projeto Colorindo Vidas, que busca, por meio do voluntariado, melhorar a sociedade de modo geral
Apucarana - Um adolescente de 16 anos, morador de Apucarana (Região Metropolitana de Londrina), está participando de um concurso denominado "Village to Raise a Child", um programa criado pela Harvard Social Innovation Collaborative (SIC), que identifica e capacita cinco jovens empreendedores de todo o mundo. Airan Costa é aluno do Colégio Mater Dei e seu projeto chama-se Colorindo Vidas, que busca, por intermédio do voluntariado, melhorar a sociedade de modo geral. Os cinco estudantes escolhidos serão conhecidos como "Global Trailblazers" e ganharão um ano de mentoria com estudantes e professores da SIC, além do direito de apresentar seu trabalho na Igniting Innovation Summit — a maior conferência de empreendedorismo social entre faculdades norte-americanas.

"O projeto é subdividido em cinco subprojetos, cada um deles corresponde a uma necessidade da minha comunidade e a cada um deles eu atribuí uma cor", expôs. Segundo ele, o verde representa a preservação ambiental e controle da coleta e designação do lixo; o vermelho estabelece o número de bolsas de sangue e de doadores necessários para hemonúcleos; o branco é um trabalho de prevenção a doenças, evitando aglomeração em hospitais, clínicas e prontos socorros, permitindo atendimento personalizado e de melhor qualidade; o grafite representa a promoção de aulas extras, monitorias e ensino de língua estrangeira, gratuitamente, a alunos do sistema público; e o laranja busca despertar a felicidade no dia a dia pela promoção de brincadeiras, dinâmicas e recreação em centros de reabilitação, abrigos e orfanatos.

"Eu já tinha a ideia do projeto e quando soube do concurso acelerei o planejamento, pegando áreas com problemas e propondo soluções para suprir essas necessidades para ajudar a sociedade", destacou. Segundo Airan, o ponto de partida para a elaboração do projeto foi a área educacional. "Eu conversei com meus professores por estar bastante envolvido com o colégio onde estudo. No colégio, existem alunos que possuem dificuldades de aprendizado ou que perderam parte do conteúdo e que não conseguiram evoluir. Ao mesmo tempo, os formandos de licenciatura possuem dificuldades de entrar no mercado de trabalho se não realizam um estágio de monitoria. A minha proposta é para que os alunos de licenciatura ajudem os estudantes do colégio a acompanhar o conteúdo."

A partir disso, Airan partiu para outras necessidades da comunidade. "Vou buscar auxílio do governo para conseguir mudas de árvores nativas da região e ajudar no reflorestamento, além de incentivar a separação do lixo e conscientizar sobre a destinação correta dos resíduos", explicou. Sobre o trabalho com os hemonúcleos, a maior dificuldade é que as plaquetas duram poucos dias e precisam ser descartadas, por isso ele quer criar campanhas de conscientização para manter doadores regulares de sangue.

Na área da saúde, Airan quer trabalhar a prevenção de doenças. "Existem muitas doenças comuns, como a diarreia, que podem ser evitadas adotando medidas simples. Quero que essas orientações ajudem a desafogar os hospitais, para que os médicos possam se dedicar a dar um atendimento melhor a outras enfermidades."

Airan também propôs atividades dinâmicas de recreação em centros de reabilitação, abrigos e orfanatos para que seus internos não fiquem abandonados. "Isso ajuda a levar um pouco de alegria para essas pessoas e a combater a tristeza e a depressão, que são bastante recorrentes nesses lugares", disse.

Ao todo, o concurso escolherá 15 finalistas, cinco selecionados pelo público, por voto, e os demais pelo conselho de juízes com base na qualidade dos projetos. Todos os finalistas serão convidados para uma entrevista via Skype, e então cinco Global Trailblazers serão escolhidos. A votação do público acabaria ontem.

O pai de Airan, Sidney da Costa, é professor de Contabilidade da Unespar em Apucarana e tem incentivado o filho. "Eu nunca esperava que ele tivesse essa iniciativa. Foi uma surpresa. Quando fui saber ele, já tinha feito o vídeo do projeto. Achei uma atitude muito boa", declarou. Caso seja escolhido, Airan receberá de Harvard as ferramentas, habilidades e recursos para executar seu projeto na comunidade.
Vítor Ogawa
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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