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Sobrevida à velha roupa colorida

Brechós se reinventaram para atender um novo público, mas ainda fazem parte da história londrinense

Saulo Ohara
Arlinda Pereira se orgulha de manter o brechó com as mesmas características de quando foi fundado em 1967
Londrina - Um trecho da música Velha Roupa Colorida, do cantor Belchior, diz: "E o passado é uma roupa que não nos serve mais". A velocidade das mudanças da moda faz com que a cada estação, boa parte das roupas fiquem ultrapassadas e isso torna a renovação do guarda-roupa constante no cotidiano da maioria das pessoas. Na contramão dessa tendência, existem os brechós, que proporcionam uma sobrevida às velhas roupas coloridas que não servem mais para alguns, mas que podem despertar o desejo de outros, tornando o passado um presente e tanto para os novos proprietários de tais vestimentas.

O primeiro brechó de Londrina foi instalado em 1967 na Rua Mato Grosso, antes mesmo que esse tipo de comércio fosse popularizado com esse nome na cidade. Naquela época, ele se chamava Bazar de Roupas Usadas Luzia. O estabelecimento existe até hoje e a razão social continua a mesma desde que foi fundado, mas o brecho mudou de endereço, para a Rua Pará, entre a Rua Senador Souza Naves e a Avenida Duque de Caxias. A proprietária atual é Arlinda da Silva Pereira, de 61 anos. Ela revelou que comprou a loja de duas das três proprietárias originais. "Eu comprei a loja de Moralina Theodora de Jesus Videira, que hoje possui 83 anos, e Carmen, cujo sobrenome eu não me recordo. Elas eram sócias de Luzia Correia de Oliveira, que dá o nome à empresa", revelou.

Segundo Arlinda, quando começaram a atividade, as três queriam ajudar o Lar Anália Franco e, como voluntárias, começaram vendendo roupas próprias que já não utilizavam mais. Depois que saíram da entidade, as três começaram a conduzir os negócios profissionalmente. A ajuda às entidades carentes continuou, com todas as roupas que sobravam sendo doadas. "Naquele tempo, os frequentadores eram em sua maioria pessoas da zona rural, que procuravam roupas baratas para trabalhar. Hoje, o perfil mudou. As pessoas só querem roupas de grifes famosas e a preços baixos, inclusive aquelas da zona rural e da periferia", comparou.

Arlinda relata que comprou a loja em 1994 porque as proprietárias alegaram cansaço após tantos anos de atividade. "Eu estava parada depois que vendi uma firma de material de limpeza e uma amiga me falou que elas estavam vendendo esta loja", destacou a atual proprietária.

Arlinda se orgulha de manter o estabelecimento com as mesmas características. "Mantive o mesmo sistema de vendas. A única diferença é que retirei o balcão de madeira e o substituí por prateleiras e araras", explicou. Ela confessou que até adquirir a loja, não conhecia a atividade. "Eu tinha até vergonha de atender os clientes. Quando eles apareciam, eu ia para o fundo da loja, mas depois me acostumei e estou até hoje trabalhando nisso", destacou.

A atividade lhe permitiu que fizesse novas amizades. A professora aposentada Dirce da Silva Paiva, de 66 anos, é uma delas. "Eu acho tudo o que eu quero no brechó. Às vezes procuro algum tipo de roupa em lojas de roupas novas e não encontro. Aqui é possível comprar desde jogos de cama até roupas com qualidade, com um preço muito bom", afirmou, enquanto escolhia uma blusa entre as araras.
Vítor Ogawa
Reportagem Local-folha de londrina
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