BOXE - Discípulos sofrem para manter legado de Miguel de Oliveira
Principal academia de boxe londrinense pouco mudou cinco anos após morte do ex-treinador e grande incentivador da modalidade
Rafael Bandeira (à esq.), César e Edílson: amor ao boxe os impede de abrir mão da academia
Cinco anos depois da morte de
Miguel de Oliveira, o boxe londrinense luta para não deixar morrer todo o
legado construído por aquele que é reconhecido até hoje como seu maior
incentivador. Graças ao trabalho de alguns discípulos do lendário
personagem do esporte londrinense, como o próprio filho César, novos
talentos continuam a surgir, mas a falta de recursos financeiros para
mantê-los na ativa impede que eles sigam o mesmo caminho vencedor.
Ao lado de Edílson Pereira, lutador profissional que aprendeu o ofício com Miguel, César rala para manter a academia de boxe que o pai construiu há 40 anos, que hoje está sob as arquibancadas do estádio VGD, mas já passou antes pela Vila Nova e ruas Sergipe e Maranhão. É o único local, segundo a dupla, que ainda trabalha com o boxe de alto rendimento na cidade.
"É difícil manter o mesmo padrão que tinha com ele (Miguel de Oliveira), mas a gente procura seguir a mesma filosofia. Estamos formando atletas, sempre participando de campeonatos, trazendo medalhas, títulos. Temos medo de não conseguir dar sequência a este trabalho, mas estamos na luta", conta César.
O local pouco mudou nos últimos anos. A estrutura continua a mesma, precária, com apenas um único ringue, que já não se encontra nas melhores condições. Está bem longe do que Miguel de Oliveira sonhou um dia: um Centro Olímpico de Formação em Boxe. Sem apoio da Prefeitura de Londrina, a única fonte de renda atualmente vem das mensalidades dos pouco mais de 100 alunos. Na tentativa de ainda realizar o sonho de Miguel, a dupla busca, com a ajuda de alguns parceiros, aprovar projeto pela Lei de Incentivo ao Esporte. A ideia é captar R$ 300 mil para reformar a academia e bancar a manutenção de uma equipe de alto rendimento.
"Passa muita gente aqui, mas a gente não consegue dar sequência. O que adianta a gente captar, trazer o menino para treinar, se não temos como ir a campeonatos, organizar eventos, fazer intercâmbio", reclama Edílson. Hoje, as poucas competições que a academia participa são bancadas, em sua maioria, pelos próprios atletas.
Eles pedem mais apoio da Prefeitura de Londrina. "Na época em que o Miguel era vivo, a gente tinha ainda R$ 40 mil (por ano), mas depois que ele morreu só diminuiu e hoje não temos mais nada". O diretor técnico da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Jéfferson Del Fraro, diz que a única forma possível de apoiar a modalidade é através do convênio com o Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe). "Eles poderiam entrar como modalidade alternativa, desde que preencham todos os requisitos", explica o dirigente. Para o exercício deste ano, a verba para modalidades alternativas foi de R$ 10 mil/ano.
INSPIRAÇÃO
Rafael Bandeira, de 24 anos, é um dos atletas que começa a se destacar em competições. O lutador, que começou no boxe há 10 anos, conheceu Miguel e sonha trilhar nem que seja parte do caminho do ex-treinador, tetracampeão brasileiro e inúmeras vezes campeão paranaense. "É uma grande inspiração. Mas é difícil, só por amor mesmo, porque apoio não tem nenhum", diz ele, que dá aulas de boxe para sobreviver e ter condições de continuar treinando. "O Rafael é um cara que está desenvolvendo bem e tem potencial para chegar a ser um campeão brasileiro. Mas é guerreiro, está porque gosta", elogia Edílson.
"Meu pai, que foi um dos 'tops' do Brasil, ganhou inúmeros títulos e era árbitro também, morreu aos 66 anos e tinha só um carro velho. Rico eu sei que ninguém fica, mas o que a gente quer é o mínimo de estrutura, não ter que tirar dinheiro do próprio bolso para viajar", desabafa César.
Ao lado de Edílson Pereira, lutador profissional que aprendeu o ofício com Miguel, César rala para manter a academia de boxe que o pai construiu há 40 anos, que hoje está sob as arquibancadas do estádio VGD, mas já passou antes pela Vila Nova e ruas Sergipe e Maranhão. É o único local, segundo a dupla, que ainda trabalha com o boxe de alto rendimento na cidade.
"É difícil manter o mesmo padrão que tinha com ele (Miguel de Oliveira), mas a gente procura seguir a mesma filosofia. Estamos formando atletas, sempre participando de campeonatos, trazendo medalhas, títulos. Temos medo de não conseguir dar sequência a este trabalho, mas estamos na luta", conta César.
O local pouco mudou nos últimos anos. A estrutura continua a mesma, precária, com apenas um único ringue, que já não se encontra nas melhores condições. Está bem longe do que Miguel de Oliveira sonhou um dia: um Centro Olímpico de Formação em Boxe. Sem apoio da Prefeitura de Londrina, a única fonte de renda atualmente vem das mensalidades dos pouco mais de 100 alunos. Na tentativa de ainda realizar o sonho de Miguel, a dupla busca, com a ajuda de alguns parceiros, aprovar projeto pela Lei de Incentivo ao Esporte. A ideia é captar R$ 300 mil para reformar a academia e bancar a manutenção de uma equipe de alto rendimento.
"Passa muita gente aqui, mas a gente não consegue dar sequência. O que adianta a gente captar, trazer o menino para treinar, se não temos como ir a campeonatos, organizar eventos, fazer intercâmbio", reclama Edílson. Hoje, as poucas competições que a academia participa são bancadas, em sua maioria, pelos próprios atletas.
Eles pedem mais apoio da Prefeitura de Londrina. "Na época em que o Miguel era vivo, a gente tinha ainda R$ 40 mil (por ano), mas depois que ele morreu só diminuiu e hoje não temos mais nada". O diretor técnico da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Jéfferson Del Fraro, diz que a única forma possível de apoiar a modalidade é através do convênio com o Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe). "Eles poderiam entrar como modalidade alternativa, desde que preencham todos os requisitos", explica o dirigente. Para o exercício deste ano, a verba para modalidades alternativas foi de R$ 10 mil/ano.
INSPIRAÇÃO
Rafael Bandeira, de 24 anos, é um dos atletas que começa a se destacar em competições. O lutador, que começou no boxe há 10 anos, conheceu Miguel e sonha trilhar nem que seja parte do caminho do ex-treinador, tetracampeão brasileiro e inúmeras vezes campeão paranaense. "É uma grande inspiração. Mas é difícil, só por amor mesmo, porque apoio não tem nenhum", diz ele, que dá aulas de boxe para sobreviver e ter condições de continuar treinando. "O Rafael é um cara que está desenvolvendo bem e tem potencial para chegar a ser um campeão brasileiro. Mas é guerreiro, está porque gosta", elogia Edílson.
"Meu pai, que foi um dos 'tops' do Brasil, ganhou inúmeros títulos e era árbitro também, morreu aos 66 anos e tinha só um carro velho. Rico eu sei que ninguém fica, mas o que a gente quer é o mínimo de estrutura, não ter que tirar dinheiro do próprio bolso para viajar", desabafa César.
Rafael Souza
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

