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Dentista é presa com drogas e armas

Segundo a polícia, mulher distribuía entorpecentes para traficantes de Curitiba

Theo Marques
Marina Stresser de Oliveira foi autuada por porte ilegal de arma de uso restrito e tráfico de drogas
Curitiba - Policiais da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) prenderam ontem uma dentista que supostamente chefiava um grande esquema de distribuição de drogas em Curitiba e região metropolitana. Marina Stresser de Oliveira, de 26 anos, foi detida na tarde de terça-feira na garagem do consultório dela, localizado no bairro Xaxim, no momento em que iria receber parte de um armamento pesado. Ronaldo de Souza Araújo, de 25 anos, conhecido como Roni, que estaria entregando o armamento, também foi detido. Conforme a polícia, na sequência da diligência, outras armas pesadas, munições e drogas foram encontradas.

Foram apreendidos 15,5 quilos de maconha, 1,3 quilo de crack, duas balanças de precisão e dinheiro. Ainda foram recolhidas uma submetralhadora calibre 9 milímetros; uma espingarda semiautomática calibre 12 L. Franchi; uma pistola 9 milímetros Cherokee com numeração raspada; uma pistola 9 milímetros, Read Warning; uma garrucha calibre 22; 30 munições para fuzil calibre 7.62; 28 munições calibre 9 milímetros e quatro munições calibre 38. Quatro veículos também foram apreendidos. A dupla, apresentada ontem na sede do Denarc, foi autuada por porte ilegal de arma de uso restrito. A dentista foi autuada ainda por tráfico de drogas.

As investigações começaram há quatro meses, a partir de denúncias anônimas de que a dentista armazenava drogas no consultório. Segundo a polícia, Marina utilizava seu local de trabalho para distribuir entorpecentes para outros traficantes da capital e de municípios da região. Roni atuaria como um "funcionário de confiança" e era responsável por conseguir armas e por repassar as drogas para os demais envolvidos no esquema.

Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Marina atendia regularmente. Segundo os investigadores, ela é casada com um traficante que cumpre pena há um ano e meio. "No momento da operação ela não se alterou, se mostrou bastante fria e dissimulada. Acreditava que seu consultório era um local seguro para armazenar as drogas e que ninguém iria desconfiar da prática criminosa. Possivelmente mantinha contato direto com os fornecedores dos entorpecentes e abastecia uma rede de traficantes menores", relatou a delegada titular do Núcleo de Curitiba do Denarc, Camila Ceconello.

De acordo com Camila, além do controle do tráfico, será apurado o uso do arsenal para prática de outros delitos, como roubos e homicídios. "Tudo isso será fruto de novas investigações, até porque outras pessoas devem ter negociado com a dentista. Precisamos confirmar algumas informações, entretanto ela não está colaborando e negando tudo, mesmo com a quantidade de apreensões que foram feitas. Não diz como começou a fazer parte do crime e nem deu detalhes sobre outros envolvidos e sobre a origem das drogas e das armas", completou a delegada.

Michel Stadler, delegado chefe da Denarc ressaltou que diversas informações colhidas durante as prisões serão repassadas para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e para a Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) para que seja apurada a ligação da traficante e de sua organização criminosa com crimes ocorridos na capital e região metropolitana. "Sem dúvida percebemos que ela ocupava uma posição relevante dentro do esquema de distribuição de entorpecentes. Seu papel era estratégico, inclusive para armazenar as drogas. Mas todos os agentes fizeram um grande trabalho e os criminosos sofreram mais um duro golpe", disse.

Durante a apresentação, questionada por jornalistas se teria algum recado para seus pacientes após sua prisão, Marina respondeu apenas: "Agenda só no ano que vem".
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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