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TERCEIRA IDADE - Faltam entidades para idosos no País

De acordo com o IBGE, número de brasileiros com mais de 65 anos passou de 9,9 milhões em 2000 para 14 milhões em 2010

Fotos: Anderson Coelho
Instituições de Longa Permanência para Idosos abrigam cerca de 83 mil idosos, de acordo com pesquisa de 2006 do Ipea
Londrina - O último Censo realizado no Brasil, em 2010, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o País tem cerca de 14 milhões de pessoas acima de 65 anos, contra 9,9 milhões em 2000. O aumento foi de 41% no período. O Paraná acompanha os índices nacionais, sendo que o município de Londrina apresenta números um pouco acima da média. Do total da população da cidade, 8,6% são idosos, um aumento de 57% com relação a uma década antes, chegando a quase 44 mil pessoas. No Paraná, são 790 mil.

O IBGE divulgou ainda uma pesquisa que mostra que o número de brasileiros acima dos 65 anos deve chegar a 58,4 milhões em 2020, indo de encontro às perspectivas de taxas elevadas da população idosa e muito idosa.

Apesar do crescimento dessa população, especialistas em demografia e gerontologia afirmam que o País está longe de oferecer uma estrutura digna a essas pessoas. "As mudanças no comportamento demográfico como aumento da expectativa de vida, inserção da mulher no mercado de trabalho, queda da fecundidade, mudança nos formatos familiares e, ao mesmo tempo, o aumento da população idosa, levam a um desafio pela redução da rede potencial de apoio para as futuras gerações de idosos: a necessidade de cuidados para esta população, sobretudo, na saúde e os não domiciliares", resume Claudia Baltar, demógrafa e docente de Estudos de População no Departamento de Ciência Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Entre 1940 e 2010, a expectativa de vida do brasileiro passou de 41,5 anos para 73,5 anos.

Nesse sentido, em 2006, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou uma série de levantamentos. Um deles, intitulado "Condições de funcionamento e infraestrutura das Instituições de Longa Permanência para Idosos (Ilpi) no Brasil", que visava traçar um panorama do atendimento no País. De acordo com a pesquisa, foram identificadas 3.548 instituições; destas, apenas 218 públicas. As Ilpi abrigavam cerca de 83 mil idosos, a maioria mulheres.

Já em 2010, o Ministério Público do Paraná, por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias (Caop) de Defesa dos Direitos do Idoso, também divulgou uma pesquisa avaliando os serviços de atenção ao idoso no Estado. Levantou-se que 220 municípios não possuíam Ilpi, e, dos 127 municípios que declararam possuir pelo menos uma Ilpi, 99 só tinham instituições privadas.

O estudo apontou ainda que 95 municípios ofereciam formas alternativas de abrigamento, como casa-lar, centro-dia, condomínio de terceira idade, república, ou outras formas de abrigamento.

Em Londrina, existem atualmente 21 instituições, o dobro de uma década atrás. Apenas quatro delas funcionam, contudo, também como filantrópicas. No total, são 487 vagas no município, sendo 190 filantrópicas, praticamente o mesmo número de dez anos atrás e sem perspectiva de abertura de novas. Existem ainda dois Centros de Convivência que atendem cerca de 300 idosos por mês cada um. Dados da Secretaria Municipal do Idoso apontam que o município arca com 100% dos custos, que hoje giram em torno de R$ 1,2 mil por idoso.

Eva Bettine, presidente da Associação Brasileira de Gerontologia, alerta que esta situação dificilmente poderá ser enfrentada de maneira isolada, quer seja pela família, quer seja pelo setor público ou pelo privado. "A necessidade de procurar uma instituição deve estar em pauta nas novas famílias. E, portanto, devemos ver essa situação de forma contrária a de décadas anteriores. Hoje, as instituições não são mais voltadas exclusivamente a cuidarem dos idosos, mas são um local para viver. Ainda há o preconceito de serem consideradas um ‘depósito de velhos’", analisa.

Dessa forma, muitas famílias – seja pelo número pequeno de filhos ou por falta de condição financeira – se veem frente ao desafio de prover totalmente os cuidados desse idoso. "O preço médio cobrado pelas instituições no grandes centros gira em torno de cinco salários mínimos por mês", aponta.


Marian Trigueiros
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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