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Câmara cassa mandato de André Vargas

Enquadrado pela Lei da Ficha Limpa, ex-deputado por Londrina não poderá disputar eleições até 2022

O ex-deputado federal André Vargas(sem partido) teve o mandato cassado ontem pelo plenário da Câmara dos Deputados. O londrinense perdeu o mandato em votação aberta, com 359 parlamentares apoiando o relatório da Comissão de Ética, que acusa Vargas de envolvimento com o doleiro londrinense Alberto Youssef, preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, desde março, quando foi deflagrada a Operação Lava Jato. Seriam suficientes 257 votos. Também foram registrados um voto contrário à perda do mandato e seis abstenções (veja quadro ao lado).

Com o resultado da votação, Vargas não poderá disputar eleições até 2022, como determina a Lei da Ficha Limpa. O último deputado paranaense que teve o mandato cassado pela Câmara foi Onaireves Moura (PTB), em 1993, por compra de filiação partidária.

A votação ocorreu apesar das manobras organizadas por Vargas e por colegas do PT para tentar derrubar a sessão. Após destituir seu advogado de defesa, ele enviou um atestado médico ao comando da Câmara alegando que passou por um procedimento cirúrgico e não poderia estar presente para se defender. Junto com o material, encaminhou imagens do procedimento odontológico e solicitou que a votação fosse adiada para depois do próximo dia 16, a um dia do encerramento dos trabalhos do plenário antes do recesso parlamentar.

Aliado de Vargas, o deputado José Mentor (PT-SP), que ocupava a Presidência da sessão no momento, chegou a encerrá-la por falta de quórum numa ação tumultuada, faltando ainda duas horas para o fim do prazo regimental da reunião. O gesto irritou o relator do processo, deputado Julio Delgado (PSB-MG) e líderes da oposição que cobraram do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a reabertura dos trabalhos.

Com a ausência de Vargas na sessão, o deputado Eurico Júnior (PV-RJ) foi designado para ler a defesa do ex-petista em plenário, que retomou a argumentação do cerceamento de defesa.

Em agosto, o Conselho de Ética considerou que Vargas quebrou o decoro parlamentar por intermediar, junto ao Ministério da Saúde, negócios de Youssef. O parecer do deputado Júlio Delgado também levou em consideração a locação de um avião utilizado por Vargas para passar férias com a família no Nordeste, custeada por Yousseff, caso revelado pela "Folha de S.Paulo".

Ex-vice-presidente da Câmara, Vargas deixou o PT em abril, logo após o escândalo vir a público. A cúpula do partido pediu o mandato dele na Justiça Eleitoral, mas o gesto foi interpretado como mais uma manobra para tentar evitar que ele fosse enquadrado na Lei da Ficha Limpa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não se manifestou sobre o caso.

‘CEIFARAM UM PEDAÇO’

Após saber do resultado da votação, Vargas disse que "ceifaram um pedaço" de sua vida com a decisão. O ex-deputado, que está em São Paulo, afirmou que a cassação será "mais um parâmetro para os demais julgamentos que virão com a delação premiada". Vargas afirmou ainda que a situação é "muito dolorida" e que pretende arrumar um trabalho e cuidar de sua família. "Seguir em frente."

O deputado Zeca Dirceu (PT), aliado de Vargas, atacou o relator do processo, deputado Julio Delgado. Segundo ele, Delgado tem utilizado a desgraça dos colegas para se promover politicamente. O pessebista também foi relator do processo que levou a perda do mandato do ex-ministro José Dirceu, pai de Zeca, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão. "Ele tem se caracterizado como alguém que usa da desgraça dos outros para se promover." O petista estava na Câmara, mas não votou. Segundo parlamentares, o presidente do PT, Rui Falcão, orientou a votação pela cassação.



REPERCUSSÃO

A FOLHA procurou Nelson Muerer (PP), único parlamentar da bancada estadual que se absteve na votação, mas ele não quis comentar os motivos. O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), que estava em Londrina, também não votou na sessão de ontem. "Até tentei chegar a Brasília, esperei no aeroporto (de Londrina) mas não reabriu a tempo."

Sobre o impacto da cassação na política paranaense, Hauly minimizou. "Ele não disputou eleição este ano e Londrina manteve três deputados federais. O espaço dele já foi ocupado no Estado pelo Enio (Verri, PT) e pelo Denilson Pestana (PT)."

O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), considerou "desconfortável" a situação do partido, "embora ele não estivesse mais no PT. "As relações de todos que fazem política exigem muito cuidado para evitar constrangimentos."

A reportagem tentou falar com o presidente do PT de Londrina, Gerson da Silva, e do Paraná, Enio Verri, mas eles não atenderam as ligações. (Com agências)

folha de londrina
Edson Ferreira
Reportagem Local
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