'Há indícios de que crimes transcenderam a Petrobras'
Afirmação é do juiz Sérgio Moro que, pela primeira vez, reconhece em despacho oficial que há suspeita de propina em 750 obras públicas
"As provas dos autos apontam para a existência de um quadro de corrupção e de lavagem de dinheiro sistêmico e que se estende por anos", observa Sérgio Moro
Curitiba – As investigações da Operação Lava Jato já apontavam que outras obras públicas poderiam ter sido alvo de desvios de recursos públicos semelhantes aos que ocorreram na estatal petrolífera, entretanto, pela primeira vez, o juiz federal Sérgio Moro, afirmou, em despachos onde nega a revogação das prisões preventivas de dois executivos envolvidos no esquema de pagamento de propina, que há indícios de que tais crimes "transcenderam a Petrobras".
Para fazer tal afirmação, o magistrado usou como base uma tabela apreendida com o doleiro londrinense Alberto Youssef, em diligências realizadas no dia 15 de março, ainda na primeira fase da Lava Jato, onde são apontadas 750 obras públicas dos mais diversos setores de infraestrutura. Conforme o magistrado, a apreensão dessa tabela nas mãos do doleiro é algo perturbador. "Na tabela, relacionada obra pública, a entidade pública contratante, a proposta, o valor, e o cliente do referido operador, sendo este sempre uma empreiteira, ali também indicado o nome da pessoa de contato na empreiteira", escreveu Moro.
"Embora a investigação deva ser aprofundada quanto a este fato, é perturbadora a apreensão desta tabela nas mãos de Alberto Youssef, sugerindo que o esquema criminoso de fraude à licitação, sobrepreço e propina vai muito além da Petrobras", ressaltou o juiz.
Investigadores da Lava Jato afirmaram há alguns meses que a planilha encontrada em posse do doleiro, estava servindo como uma espécie de "mapa" para desvendar os negócios em que Youssef atuou entre os anos de 2009 e 2012. Em interrogatórios prestados à Justiça Federal no início de outubro, tanto Youssef, quanto o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também tinham confirmado que o esquema de desvio de recursos ocorria em outros projetos públicos. "A cartelização funcionava em outras obras da Petrobras (além da refinaria Abreu e Lima) e até obras de fora da estatal. Ocorreu também na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba; como deve ter ocorrido na construção da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro; em rodovias e nas construções de hidrelétricas da região Norte do País", disse Costa, em trecho de seu depoimento ocorrido no dia 8 de outubro, em Curitiba.
Suspeita-se ainda que projetos referentes a portos, aeroportos e ferrovias também estejam na planilha apreendida com Youssef. "As provas dos autos apontam para a existência de um quadro de corrupção e de lavagem de dinheiro sistêmico e que se estende por anos, destinado a lesar licitações da Administração Pública e a inflar preços de contratos públicos, com posterior lavagem e pagamento de propinas a agentes públicos", reforçou o magistrado.
Nas decisões, Moro negou os pedidos de revogação da prisão do vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada; e do executivo Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia; ressaltando que "além dos crimes praticados via cartel, aparentam existir iniciativas criminosas isoladas das empreiteiras, ou seja, crimes similares perpetrados mesmo fora do cartel". E, nestes casos, destacou o juiz, "os agraciados não seriam somente Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. Há provas, em cognição sumária, de que outros agentes públicos e intermediadores foram beneficiados."
Nos despachos sobre as prisões, Moro lembrou ainda que "empreiteiras não só produziram documentos falsos, contratos com as empresas de Youssef, para acobertar os pagamentos criminosos, mas os apresentaram a este Juízo como verdadeiros, sem qualquer ressalva ou informação quanto ao seu caráter fraudulento".
Em petição protocolada ontem na Justiça Federal do Paraná, a Petrobras requereu, por meio de seus advogados, o "compartilhamento do conteúdo dos depoimentos prestados em sede de colaboração premiada por Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Gerin de Almeida Camargo, a fim de subsidiar as apurações internas em andamento conduzidas pela peticionaria (a própria estatal)". Até o fechamento desta edição, o juiz tinha disponibilizado as delações para as defesas dos executivos envolvidos.
Para fazer tal afirmação, o magistrado usou como base uma tabela apreendida com o doleiro londrinense Alberto Youssef, em diligências realizadas no dia 15 de março, ainda na primeira fase da Lava Jato, onde são apontadas 750 obras públicas dos mais diversos setores de infraestrutura. Conforme o magistrado, a apreensão dessa tabela nas mãos do doleiro é algo perturbador. "Na tabela, relacionada obra pública, a entidade pública contratante, a proposta, o valor, e o cliente do referido operador, sendo este sempre uma empreiteira, ali também indicado o nome da pessoa de contato na empreiteira", escreveu Moro.
"Embora a investigação deva ser aprofundada quanto a este fato, é perturbadora a apreensão desta tabela nas mãos de Alberto Youssef, sugerindo que o esquema criminoso de fraude à licitação, sobrepreço e propina vai muito além da Petrobras", ressaltou o juiz.
Investigadores da Lava Jato afirmaram há alguns meses que a planilha encontrada em posse do doleiro, estava servindo como uma espécie de "mapa" para desvendar os negócios em que Youssef atuou entre os anos de 2009 e 2012. Em interrogatórios prestados à Justiça Federal no início de outubro, tanto Youssef, quanto o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também tinham confirmado que o esquema de desvio de recursos ocorria em outros projetos públicos. "A cartelização funcionava em outras obras da Petrobras (além da refinaria Abreu e Lima) e até obras de fora da estatal. Ocorreu também na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba; como deve ter ocorrido na construção da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro; em rodovias e nas construções de hidrelétricas da região Norte do País", disse Costa, em trecho de seu depoimento ocorrido no dia 8 de outubro, em Curitiba.
Suspeita-se ainda que projetos referentes a portos, aeroportos e ferrovias também estejam na planilha apreendida com Youssef. "As provas dos autos apontam para a existência de um quadro de corrupção e de lavagem de dinheiro sistêmico e que se estende por anos, destinado a lesar licitações da Administração Pública e a inflar preços de contratos públicos, com posterior lavagem e pagamento de propinas a agentes públicos", reforçou o magistrado.
Nas decisões, Moro negou os pedidos de revogação da prisão do vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada; e do executivo Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia; ressaltando que "além dos crimes praticados via cartel, aparentam existir iniciativas criminosas isoladas das empreiteiras, ou seja, crimes similares perpetrados mesmo fora do cartel". E, nestes casos, destacou o juiz, "os agraciados não seriam somente Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. Há provas, em cognição sumária, de que outros agentes públicos e intermediadores foram beneficiados."
Nos despachos sobre as prisões, Moro lembrou ainda que "empreiteiras não só produziram documentos falsos, contratos com as empresas de Youssef, para acobertar os pagamentos criminosos, mas os apresentaram a este Juízo como verdadeiros, sem qualquer ressalva ou informação quanto ao seu caráter fraudulento".
ESTATAL
Em petição protocolada ontem na Justiça Federal do Paraná, a Petrobras requereu, por meio de seus advogados, o "compartilhamento do conteúdo dos depoimentos prestados em sede de colaboração premiada por Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Gerin de Almeida Camargo, a fim de subsidiar as apurações internas em andamento conduzidas pela peticionaria (a própria estatal)". Até o fechamento desta edição, o juiz tinha disponibilizado as delações para as defesas dos executivos envolvidos.
Lista de Youssef detalha obra pública, entidade pública
contratante, proposta, valor e cliente do operador
contratante, proposta, valor e cliente do operador
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-folha de londrina
Reportagem Local-folha de londrina

