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Mais de 80% das casas noturnas do PR têm segurança clandestino

Estimativa é do sindicato e federação da categoria; profissionais informais oferecem risco a si mesmos e aos clientes

Ricardo Chicarelli
Além dos riscos, profissionais ficam sem direitos trabalhistas e tributários garantidos por lei
Londrina - A morte de um segurança baleado por um cliente em uma casa de shows de Curitiba, no mês passado, reacendeu a discussão entre empresários da noite, sindicatos e empresas do ramo de segurança privada da capital sobre a necessidade desses estabelecimentos comerciais contarem com serviços de vigilância especializada. A lacuna, porém, se estende a todo o Estado. Segundo estimativa do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região e da Federação dos Vigilantes do Paraná, mais de 80% das casas noturnas do Paraná trabalham com seguranças clandestinos. O problema disso não está apenas no risco que esses profissionais sem o devido preparo para lidar com situações de conflito, como a que resultou na morte do segurança em Curitiba, oferecem a si mesmos e aos clientes. Eles também ficam desguarnecidos quanto aos direitos trabalhistas e tributários garantidos por lei à categoria.

"Mais de 80% das casas noturnas do Paraná trabalham com segurança irregular. Muitos estabelecimentos deixam essa função para funcionários da própria casa ou policiais que estão de folga. As consequências disso são agressões desnecessárias por parte dos seguranças, porque não têm treinamento adequado para lidar com pessoas. O vigilante com curso de extensão é diferente, ele faz um trabalho mais preventivo, dialoga antes de tomar a decisão, age com mais zelo pelo usuário do que aquele que já chega dando porrada. Isso precisa ser evitado", afirma o presidente do sindicato, João Soares, que também está à frente da Federação dos Vigilantes do Paraná e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Segurança Privada.

Soares lembra que uma portaria baixada pelo Ministério da Justiça após a tragédia na boate Kiss, há quase dois anos, no interior do Rio Grande do Sul, determina que todo evento com público estimado a partir de três mil pessoas deve contar com serviço de segurança oferecido por empresas regularizadas. O sindicato afirma lutar para que a resolução atinja todo e qualquer espaço fechado de entretenimento.

RESPONSABILIDADE

O presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Paraná (Sindesp-PR), Jeferson Nazário, reforça que "a falta de preparo dos seguranças clandestinos coloca em risco a vida dele e de quem está ali para ser protegido." Além disso, aponta, o estabelecimento que não dispõe de segurança regularizada corre o risco de sofrer consequências de ordens trabalhista, tributária e cível. "E o dono do estabelecimento tem que responder perante o cliente e o pseudossegurança. Quando ele contrata uma empresa de segurança, as responsabilidades são divididas. Você tem que oferecer entretenimento com segurança e responsabilidade", adverte. Segundo Nazário, os seguranças de empresas especializadas recebem capacitação e formação em escolas autorizadas pela Polícia Federal, e a cada dois anos passam por cursos de reciclagem. A empresa também recebe alvará de autorização fornecido pela PF. "As empresas têm lastro financeiro para honrar consequências trabalhistas e oferecem seguro de vida e assistência médica aos profissionais", ressalta.

João Soares diz que por conta da Copa do Mundo disputada entre junho e julho no Brasil, em que Curitiba foi uma das cidades-sede, cerca de 10 mil vigilantes foram capacitados nas escolas de formação do Paraná com cursos de extensão de 50 horas para trabalhar em eventos de grande porte. Para o sindicalista, no entanto, o ideal é que todo e qualquer evento, independente do número de pessoas ou clientes envolvidos, disponha do serviço de segurança regularizado. "Nossa luta é que todas as casas noturnas, independente da capacidade, contrate profissionais com cursos de extensão. O problema é o clandestino. Todas as casas noturnas que têm a necessidade de oferecer segurança devem ter esse serviço regularizado", aponta. A FOLHA ligou diversas para o diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná (Abrasel-PR), Luciano Bartolomeu, e o presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar-PR), Fábio Aguayo, mas não conseguiu contato.

folha de londrina
Diego Prazeres
Reportagem Local
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