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Bolsa Família atende 22% da população do Norte Pioneiro

Região é a terceira mais dependente do Paraná, com 62% da população em situação de pobreza

Rubia Pimenta/Divulgação
A diarista Viviane Barreto Martins, com dois dos três filhos: a única renda fixa da família são os R$ 160 que recebe programa federal
 
 
Cornélio Procópio - A diarista Viviane Barreto Martins, 32 anos, mora com os três filhos e o marido em um barracão da Prefeitura na Vila Santa Terezinha, em Cornélio Procópio. A única renda fixa da família são os R$ 160 que recebe todo mês do programa Bolsa Família. "Às vezes eu consigo pegar algumas faxinas, mas não é todo dia. Meu marido tem depressão e outros problemas de saúde, não consegue trabalhar. Se a gente tira R$ 400 por mês é muito", conta. As crianças com 3, 9 e 14 anos estão estudando. "Fome a gente não passa, porque recebe leite, tem ajuda de cesta básica, mas só dá para o sustento. O Bolsa Família é essencial na vida da gente", frisa.

Assim como Viviane, diversos outros moradores do mesmo bairro são beneficiados com o programa do governo federal. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, 22% das 532 mil pessoas que vivem no Norte Pioneiro recebem a complementação de renda. É o terceiro maior índice do Estado em porcentagem da população, atrás apenas das regiões Centro-ocidental e Centro-sul, que têm como polo as cidades Campo Mourão e Guarapuava, respectivamente.

Dentro do Norte Pioneiro, no entanto, existem realidades diversas. A cidade mais dependente do programa é Santa Amélia, que tem 40% dos seus 3,7 mil habitantes atendidos pelo programa. Dos 46 municípios que compõem a região, quatro têm mais de 30% da população beneficiada, e outras 25 cidades têm entre 20% e 30% da população assistida. Os números são muito superiores à média estadual, que é de 13,6%. Cidades como Curitiba, Maringá e Londrina possuem números inferiores à 10% (ver matéria nesta página).

As cidades que apresentam menor dependência do Bolsa Família na região são Cornélio Procópio (9,1% da população), Joaquim Távora (10,8%) e Racho Alegre (11%). Apenas 17 municípios da região têm menos de 20% da população assistida.

POBREZA

Conforme a Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social, este quadro é explicado olhando a perspectiva econômica e cultural da região. No Norte Pioneiro 62,4% dos moradores não possuem instrução e/ou têm o ensino fundamental incompleto. O crescimento econômico anual da região foi negativo em 2014, com -0.04%.

A baixa renda é o que mais chama a atenção. Conforme dados do governo estadual, 35,5% da população do Norte Pioneiro vive com R$ 394 a R$ 788 (um salário mínimo) por mês. Outros 20% têm renda de R$ 197 a R$ 394 mensais, e 7,3% vivem com menos de R$ 197 por mês. "Esse fator demonstra que a região possui 62,3% da população em situação de pobreza (...) vemos que no Paraná ainda há famílias em situação de extrema pobreza, vivendo em condições de miserabilidade", diz em nota a Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (SETDS).

SANTA AMÉLIA

Liderar o ranking da pobreza no Estado não agrada a administração de Santa Amélia. O município, segundo a secretária municipal de Assistência Social, Mara Cristina Carvalho, está realizando um levantamento entre os beneficiários do Bolsa Família, para comprovar os números. A secretaria, segundo ela, contratou um novo gestor para o programa, Emerson Antônio de Andrade, que juntamente com a assistente social do município, Maria Lúcia da Silva, estão visitando essas famílias. "Não sabemos como o cadastro foi realizado em anos anteriores. Como não é permitido pedir um comprovante de renda, estamos verificando a situação dessas famílias", informa. Mara está no cargo desde 2013, e destaca que o município é predominantemente agrícola. A maioria da população sobrevive de trabalhos temporários nas lavouras de café e de cana-de-açúcar, mas não vivem na miséria, garante. (Colaborou Célia Guerra)
Rubia Pimenta
Especial para a FOLHA DE LONDRINA

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