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Água: o tesouro do Norte Pioneiro

Grupo de pesquisa analisa condições das bacias hidrográficas da região e alerta: é preciso usar os recursos de forma sustentável

Anderson Coelho/16-06-2014
O grupo de pesquisa da Uenp estuda rios e riachos que fornecem água para a represa Chavantes, possui ações na própria represa, além das áreas de mata ciliar de todo o entorno das três principais bac
A região do Norte Pioneiro é conhecida pela quantidade abundante de água. Represas e rios da região são procurados para a prática do ecoturismo, pesca esportiva e predatória e também são usadas na produção de peixes, interferindo positivamente na economia da região. A exploração do potencial hídrico despertou em pesquisadores e estudantes da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) o interesse pela realização de estudos nas bacias dos rios Cinzas, Itararé e Paranapanema 1 e 2, que banham o Norte Pioneiro. Há cinco anos o Grupo de Estudos e Pesquisa em Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (GEPRHA) desenvolve trabalhos na região.

Conforme o médico veterinário, professor e coordenador de extensão do colegiado de Ciências Biológicas da Uenp, Fernando Emmanuel Gonçalves Vieira, a instituição conta com um centro de pesquisa que desenvolve estudos na área de ecossistemas de água doce. "Trabalhamos em ambientes aquáticos como rios e riachos que fornecem água para o reservatório. Temos ações em desenvolvimento na própria represa Chavantes e também atuamos em áreas de mata ciliar de todo o entorno da bacia hidrográfica", explica. Ele afirma que os pesquisadores atuam em diversas áreas, entre elas botânica, zoologia e parasitologia.

Análise da qualidade da água, identificação de plantas invasoras e da fauna aquática são algumas das temáticas que motivam os estudos dos grupos de professores e estudantes da instituição. Nesses cinco anos de pesquisas, Vieira destaca que os estudiosos constataram que a região conta com uma fauna diversificada, de peixes nativos e também com espécies que foram introduzidas nestas águas. "Observamos que há áreas de grande preservação usadas pelas espécies aquáticas como berçários, mas por outro lado há áreas que sofrem grande influência do homem e isso determina a redução na diversidade do ambiente aquático, causando desequilíbrio ecológico em alguns pontos", comenta.

De acordo com o professor, o histórico de ocupação agrícola da região contribui com a degradação ambiental encontrada atualmente, especialmente por conta da derrubada de grandes áreas de mata ciliar. Hoje, para melhorar a situação, o GEPRHA procura parcerias com os municípios para incentivar a agricultura sustentável e a recuperação das áreas que foram destruídas. "Existe um comitê de bacias hidrográficas na região que desenvolve diariamente ações de preservação e recuperação de nascentes, o próprio Emater tem um grupo que atua nesse sentido. Nós buscamos fazer a educação ambiental e mostrar que as áreas podem ser ocupadas desde que seja de maneira sustentável", justifica.

A presença das bacias hidrográficas na região tem um impacto econômico, Vieira lembra que a aquicultura, a pesca e o turismo interferem na receita dos municípios, e este, segundo ele, é um dos motivos para usar as bacias com responsabilidade. "Temos que trabalhar com o mínimo de impacto e fazer com que os reservatórios sejam usados para gerar desenvolvimento social sem prejuízo ambiental", resume. Trabalhos específicos com pessoas que praticam a pesca predatória vêm sendo realizados para que os pescadores tenham menor dependência deste tipo de atividade para sobreviver. Além disso, ele afirma que ações de análise da aquicultura também são realizadas. "Toda atividade interfere no ecossistema. Defendemos a importância de se delimitar áreas onde é permitida a produção comercial de peixes e outras áreas para a exploração do turismo", comenta. Segundo ele, a intenção dos pesquisadores é gerar conhecimento para auxiliar em políticas públicas que melhorem a preservação ambiental da região.
Michelle Aligleri
Reportagem Local-folha de londrina
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