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Após 'reflexão profunda', Beto pede compreensão

Curitiba - Sem dar entrevistas coletivas desde 29 de abril, quando a Polícia Militar (PM) reprimiu com violência os protestos de servidores contrários às mudanças na Paranaprevidência, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), se pronunciou ontem por meio das redes sociais. Horas após aceitar a demissão do secretário de Segurança, Fernando Francischini (SD), que agora retorna ao Congresso Nacional, o tucano disse que o silêncio guardado nos últimos dias serviu para uma "reflexão profunda sobre os acontecimentos" registrados na Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba.

"Desde então, adotamos uma série de medidas, que incluiu (sic) a troca de secretários e mudanças na legislação. Entretanto, tenho consciência que nada apagará da minha alma a tristeza que sinto com este episódio, lamentável sob todos os lados. Não pouparei esforços para restabelecer o diálogo com os servidores e com a sociedade paranaense, porque é nisso que eu acredito, no entendimento, na busca do bem comum", postou. O governador escreveu que toda e qualquer forma de violência deve ser repudiada. "Sofro com isso mais do que você possa imaginar. Quem me conhece sabe que sempre fui uma pessoa acessível, aberta, uma pessoa do diálogo."

Ao contrário da coletiva concedida há dez dias, quando defendeu a ação policial, alegando que os policiais apenas reagiram a "agressões de manifestantes radicais, black blocks", desta vez Beto optou pelo tom comedido. "A verdade é que o confronto nunca é desejável. Principalmente para quem, como eu, cultiva valores éticos e cristãos. Sempre acreditei que o respeito às ideias divergentes é um dos pilares da democracia e não posso concordar jamais com atitudes que coloquem em risco a vida de alguém."

Por outro lado, o chefe do Executivo voltou a defender as modificações no regime de previdência, que segundo ele não retiram direitos do funcionalismo. "O que houve foi apenas uma alteração no plano de custeio de aposentados e pensionistas. E o Estado continua sendo o responsável maior pelo pagamento desses benefícios", justificou. "Por tudo isso, peço humildemente a sua compreensão. O Paraná precisa do esforço e do compromisso de cada um de nós para seguir adiante. Vamos virar a página do 'quanto pior, melhor'. Vamos acreditar que as crises podem e devem ser superadas. Com trabalho, determinação e verdade", completou.
Mariana Franco Ramos
Reportagem Local-folha de londrina
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