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Audiência debate indústrias próximas à Mata dos Godoy

Representantes do Poder Público e de entidades ambientais buscam acordo sobre permissão de atividades de alto impacto em área de amortecimento de parque

 
A possibilidade de uso de área na zona de amortecimento do Parque Mata dos Godoy para a construção de um parque industrial que permita atividades de alto impacto colocará às 19 horas de hoje, frente a frente, representantes de entidades ambientais, da Prefeitura e do Estado, em audiência pública na Câmara de Londrina. Diretores da ONG MAE (Meio Ambiente Equilibrado) foram convidados pela Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente do Legislativo para discutir a liminar, por meio de Ação Civil Pública, que conseguiram para impedir a expansão da zona urbana em área considerada de proteção ambiental.

De acordo com o Plano Diretor de Londrina sancionado pela Prefeitura no início deste ano, parte da zona de amortecimento do parque recebeu zoneamento industrial do tipo ZL-3 e ZL-4, que são de alto impacto ambiental e envolvem fundições, produtos químicos e defensivos agrícolas. O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, afirma que o local fica a mais de 10 quilômetros (km) da mata e não geraria prejuízo. "Não discutimos a necessidade de ter uma zona de amortecimento, mas o tamanho dela. Existem pontos em que o limite fica a 21 km da mata e em outros, a 4 km."

Veronesi diz que a área do parque é de 6,9 quilômetros quadrados (km²), mas que o espaço reservado para amortecimento é de 533 km². "Da maneira como querem, vão criar uma barreira ecológica que é quase o dobro dos 280 km² da zona urbana de Londrina."

A promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, afirma que por mais que exista a possibilidade de se discutir o Plano de Manejo aprovado ainda em 2002, não será possível usar o local para atividades de alto impacto por conta de leis federais, que protegem o parque, considerado uma unidade de conservação da Mata Atlântica. "Além de ser zona de amortecimento da Mata dos Godoy, há dois mananciais de abastecimento para Londrina e Cambé nessa região", diz, como motivo para a amplitude do espaço.

Diretor da ONG MAE, o gestor ambiental Gustavo Góes diz que o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) enviou ofícios a diversos órgãos públicos à época das discussões sobre o Plano Diretor. "Apontamos a ilegalidade, mas a lei municipal foi discutida e não se ateve a isso."

Góes considera que a audiência de hoje será a oportunidade de mostrar que é preciso ampliar a área de preservação no País, e não diminuí-la. Ele cita que a zona de amortecimento contém remanescentes florestais e, por mais que não faça parte da Mata dos Godoy, funciona como uma extensão do parque. "Esperamos sair com a proposição de vereadores de que é preciso alterar o zoneamento para que a área seja de zona rural", diz, ao completar que não vê motivo para barrar atividades que já existem por lá, como os restaurantes rurais.

Falta de espaço

O presidente da Codel afirma que, pela proximidade com os limites de cidades vizinhas, Londrina carece de espaços para expansão urbana e implantação de indústrias. Ele acredita que será possível chegar a um entendimento de forma que não se prejudique o parque e não se impeça o desenvolvimento econômico municipal. "A comunidade, os vizinhos, todos precisam ser ouvidos. Não se pode entrar em uma guerra jurídica que não vai ser boa para todos os lados."

A promotora diz que a questão voltará a ser debatida em um seminário sobre estratégias de desenvolvimento sustentável, no próximo dia 2, a partir das 8h30, no auditório do Sest Senat (Serviço Nacional do Transporte).
Fábio Galiotto
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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