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Francischini cede à pressão e entrega o cargo

Secretário de Segurança segue passos de Fernando Xavier (Educação) e César Kogut (PMPR) e deixa o governo Beto Richa após repressão violenta a servidores no dia 29 de abril

Theo Marques/15-12-2014
Um dos primeiros nomes anunciados por Beto Richa, Fernando Francischini assumiu com a promessa de ser o homem forte da segurança no Estado
Osvaldo Mesquita/Sesp
O delegado federal Wagner Mesquita de Oliveira, que estava no Setor de Inteligência, vai assumir interinamente a pasta
Curitiba – Nove dias após a batalha campal que tomou conta do Centro Cívico e, menos de 24 horas depois do coronel César Vinicius Kogut pedir demissão do comando da Polícia Militar do Paraná, Fernando Francischini deixou a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp). O pedido de exoneração foi entregue ao governo no final da manhã de ontem, depois de muita especulação em torno de sua permanência à frente da Pasta.

Quem assume interinamente o cargo é o também delegado federal Wagner Mesquita de Oliveira, que comandava o Setor de Inteligência da Secretaria. Ele é delegado de classe especial desde 2003, e foi responsável pela Delegacia da PF em Foz do Iguaçu, conduzindo grandes operações de inteligência contra o narcotráfico. Foi ainda chefe do Departamento de Repressão a Entorpecentes, do Departamento de Investigação de Crimes Patrimoniais e da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal no Paraná. Já Francischini, filiado ao Solidariedade, agora reassume seu mandato de deputado federal depois de ficar menos de cinco meses à frente da Sesp. Ele foi anunciado pelo governador em dezembro de 2014 prometendo "tolerância zero" no combate ao crime.

Desde a última segunda-feira cogitava-se a saída de Francischini, principalmente após diversas manifestações de professores e de boa parte dos aliados de Beto Richa nas redes sociais, entre eles o deputado federal Valdir Rossoni (PSDB), afirmando que houve "excessos por parte do comando da Segurança". Aliado a isso, a carta de repúdio às suas declarações divulgada pelos coronéis da PMPR na quarta-feira só reforçou o que estava por vir.

Ainda na quarta, no início da tarde, a esposa do secretário, Flávia Francischini, divulgou um desabafo por meio da rede social Facebook criticando o governo tucano, e apagou a mensagem logo depois.

A situação insustentável entre Sesp e a corporação só deixou uma saída ao governador: acatar os pedidos de exoneração na tentativa de minimizar a repercussão negativa após os atos de repressão aos manifestantes que deixou mais de 200 feridos no dia 29 de abril, e evitar o crescimento de uma crise já evidente. É a terceira mudança no primeiro escalão de Beto Richa desde o desastroso episódio em frente à Assembleia Legislativa. No começo da semana Fernando Xavier saiu da Educação para a entrada de Ana Cormin; e na noite de quinta-feira foi a vez do coronel César Kogut deixar o Comando-Geral da PM para a chegada do coronel Carlos Alberto Bührer Moreira.

CARTA DE DEMISSÃO

Francischini não atendeu às ligações da reportagem e se manifestou por meio de sua carta de demissão, apontando avanços conquistados na área de segurança durante sua gestão. Entre eles a redução dos roubos e explosões de caixas eletrônicos; o fim das mega rebeliões no Estado, o reforço do Departamento de Inteligência; o aumento na apreensão de drogas e a diminuição dos homicídios. "Tenho convicção de que a segurança pública e administração penitenciária estão no rumo certo, para o alcance dos interesses do Estado e da sociedade", ressaltou. O secretário ainda disse que pediu a exoneração para "colaborar com a governabilidade do Estado" e agradeceu a confiança do governador.

E, diferente de suas declarações anteriores, assumiu responsabilidade pela operação policial da semana passada. "Finalizo assumindo novamente e publicamente todas as minhas responsabilidades, na atuação policial nas últimas operações, apoiando o trabalho da tropa. No entanto, ressalto que mesmo com as reações adversas, continuo defendendo uma apuração rigorosa tanto da polícia quanto do Ministério Público para que ao final a verdade prevaleça."

INTERINO

Wagner Mesquita esteve presente na coletiva concedida por Francischini na última segunda-feira, em que professores e estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram acusados de serem black blocs. Na ocasião, foram mostradas imagens que, segundo o então secretário, mostravam estudantes "preparando bombas" para jogar na PM. Conforme já foi apurado e divulgado, o líquido branco que aparece nas imagens dentro de garrafas é leite de magnésio diluído na água. O líquido ajuda a amenizar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo.
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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