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Oposição na AL não ganha ‘gordura’ após o 29 de abril

Parlamentares avaliam que, apesar da expressiva quantidade de votos contrários ao projeto da Paranaprevidência, maioria da Casa continuará fiel a Beto Richa

Fotos: Sandro Nascimento/Alep
"Tem gente que tem posicionamento contrário em alguns projetos e concordam em outros", resume o líder do Governo na AL, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB)
"É bobagem pensar que nós temos 20 votos aqui dentro. A oposição continua sendo formada por sete, oito deputados, não passa disso", resigna-se Tadeu Veneri (PT)
Curitiba – Apesar da expressiva quantidade de votos contrários ao polêmico projeto que mudou a Paranaprevidência (20 no total), os parlamentares não acreditam que a oposição ao governo tenha engrossado a ponto de conseguir mais resistência dentro da Casa. Ontem, durante a primeira sessão da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná após os confrontos ocorridos no dia 29 de abril, tanto os deputados da base aliada quanto os oposicionistas indicaram que o que aconteceu se tratou de uma situação atípica.

Das 16 siglas que compõem as cadeiras da AL, seis apresentaram "rachas" durante a votação: PSC, PMDB, PDT, PSD, PSB e PPS. Estas legendas abrangem 31 parlamentares, principalmente PSC (12 representantes, maioria na Casa) e PMDB (oito representantes). Deste total de votos, 18 foram favoráveis e 13 contrários às mudanças do regime próprio da previdência dos servidores. Cinco partidos mantiveram apoio ao governador Beto Richa (PSDB, DEM, PP, Solidariedade e PTB); e outros cinco reprovaram a proposta (PT, PV, PRB, PPL e PSL).

Segundo o deputado oposicionista Tadeu Veneri (PT), a oposição não sai mais forte do triste episódio da semana passada. "É bobagem pensar que nós temos 20 votos aqui dentro. Pontualmente, por uma situação atípica, aconteceu estes 20 votos, não tenho dúvidas disso. A oposição continua sendo formada por sete, oito deputados, não passa disso", frisou. Veneri ainda avalia que a partir de agora as relações ficam muito mais difíceis no plenário. "Respeito a opinião de todos, mas não há como conviver com deputado que fica olhando as coisas acontecerem como se não tivessem nada com isso. Acho que um deputado que age desta forma não honra o mandato que tem", criticou.

Para o líder do Governo na AL, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), a maioria no plenário se forma a cada votação, independente de ser de base ou oposição. "É a dinâmica de todo parlamento. Tem gente que tem posicionamento contrário em alguns projetos e concordam em outros. No projeto sobre o ajuste fiscal, por exemplo, a gente chegou a ter 37 votos favoráveis", ressaltou. Questionado sobre como fica o relacionamento com parlamentares de oposição após a aprovação do projeto, ele se limitou a dizer que "se alguém precisar fazer uma `DR´ (discutir a relação) pode fazer. Cada parlamentar eleito tem o direito de expressar seu pensamento", completou.

Segundo Hussein Bakri, líder do PSC, a bancada se reúne hoje, às 11h, para discutir qual será o comportamento do partido na AL a partir do que ocorreu na semana passada. "Nesse caso especificamente nosso partido foi muito democrático. Tivemos três votos contrários, mas essa é uma posição pontual. Existe uma base governista, e a base tem a tendência de votar com o governo. Mas também não quer dizer que a partir de agora o partido vai fechar os olhos e em todas as votações vamos votar com o governo", afirmou.

Já Requião Filho (PMDB) criticou a postura de seus companheiros de sigla, que defenderam o projeto polêmico desde o início. "Existem quatro deputados que leram o estatuto do partido e votaram contra o projeto e se revoltaram. E existem quatro deputados do nosso partido que apenas utilizam a sigla para se eleger e que não tem compromisso algum com nossas bandeiras. Sem dúvida existem dois PMDBs na Casa", disse.

O presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB) fez questão de destacar que, independentemente do ocorrido no último dia 29, a convivência interna tem que prevalecer na AL. "O embate é de direito de todo parlamentar, mas não podemos criar nenhuma razão ou motivo para acirrar ânimos dentro da Assembleia", afirmou. Ele também reforçou que não dá para dimensionar se houve ou não desgaste da base aliada por apenas uma votação. "Mesmo quando era líder do governo tive número bem inferior àquilo que representava a base de apoio. Em cada projeto discutido vamos ter discordâncias, mas em outras não", finalizou.
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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