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Reforma política gera incerteza entre paranaenses

Em ano pré-eleitoral, os líderes das principais legendas no Estado aguardam o andamento da proposta antes de iniciar negociações

Marcos Zanutto/28-05-2014
Possibilidade de novas regras nas eleições municipais ainda não afeta o PSD que definiu como meta ter Alexandre Kireeff como candidato à reeleição
Londrina - Sem saber exatamente quais serão as mudanças para as eleições municipais do ano que vem – se é que vai acontecer alguma – os principais partidos políticos investem em novas filiações pelo Paraná. O clima é de incerteza diante de tantas possibilidades que estão em discussão no Congresso. Pelo relatório final da comissão que trata da reforma política, as mudanças podem ir do fim das coligações para a campanha de vereador até o fim da reeleição para prefeito, passando de quatro para cinco anos de mandato. O debate deve se alongar porque vários deputados já anteciparam que vão apresentar emendas ao texto.

Segundo o presidente do PMDB estadual, Rodrigo Rocha Loures, a indefinição empurra as conversas sobre alianças entre os partidos para o segundo semestre. Para valer em 2016, a reforma política precisa passar pelo crivo dos congressistas até o mês de outubro, um ano antes do pleito. "Precisamos saber se haverá coligações nas proporcionais, como será o financiamento das campanhas, tempo do mandato do prefeito, se haverá reeleição, enfim, tem muita coisa para acontecer", comentou Loures, que é o atual chefe de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Enquanto permanece a dúvida sobre as próximas eleições, Loures confirmou que o PMDB percorre o Estado captando novas lideranças e prevê encontros regionais em todo o Paraná até julho.

O diretor do PSC, Lineu Tomass, lamentou a falta de transparência no debate sobre a reforma. Segundo ele, as mudanças estão sendo feitas "de cima pra baixo, sem ampla discussão com os partidos". A discussão sobre a reforma, para ele, interfere no planejamento do partido, hoje a maior bancada da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, com 12 deputados estaduais, mas antecipou que já existem 200 pré-candidatos a prefeito para a próxima disputa.

Lineu quer encaixar o PSC nos espaços de outras legendas para arrebanhar mais filiados. "O PT está em dificuldade, o PMDB segue dividido, o PSDB num momento ruim, então o nosso partido está aproveitando um bom momento."

O deputado federal Ricardo Barros (PP) aumenta o coro dos pessimistas com o andamento da reforma política. Ele afirmou que a Casa está longe de um consenso sobre vários pontos do relatório final. "Temos que lidar com precaução. Estou há 20 anos na Câmara e em todas as legislaturas são criadas comissões especiais para a reforma política, mas nunca houve avanço." Segundo Barros, o fim das coligações ainda não é ponto pacífico na Câmara. "Temos muitos partidos representados aqui", disse ele, prevendo que os interesses particulares das siglas vão interferir na discussão.

O deputado Enio Verri (PT) reconhece que o momento é de espera "e também de diálogo". O petista vê o fim das coligações proporcionais como algo certo. "Não vai ter mais coligação na proporcional, esse é ponto pacífico. Confirmada essa mudança, os partidos menores vão ter dificuldade para se manter. Como vão sobreviver sozinhos se não terão condições de montar uma chapa para concorrer?", questiona. De acordo com Verri, "para os partidos mais estruturados pode ser um bom momento na busca por mais filiações".

PSD APOSTA EM KIREEFF
Apesar das incertezas quanto às possíveis novas regras para as eleições municipais, o PSD definiu, pelo menos, uma meta: ter o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), candidato à reeleição. O membro da executiva estadual do partido, Alexandre Teixeira, não poupou elogios ao londrinense. "Kireeff é uma nova liderança, tem foco, é comprometido com o patrimônio público, realmente uma grata surpresa", lembrando que o prefeito exerce o seu primeiro cargo eletivo.

Kireeff já se declarou publicamente contrário à reeleição, mas Teixeira aposta na mudança de posição do correligionário. "Acho que a conjuntura vai levá-lo a disputar o segundo mandato, porque ele pegou a prefeitura com muitas dificuldades e vai precisar de mais uma etapa para executar tudo o que deseja."

A reportagem também procurou os presidentes do PSDB e do PTB, deputados federais Valdir Rossoni e Alex Canziani, respectivamente, mas eles não atenderam as ligações.
Edson Ferreira
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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