Um em cada cinco presos com tornozeleira descumpre regras
Beneficiados pela medida enfrentam dificuldades para seguir as restrições impostas pela Justiça
Cerca de 300 presos são monitorados pelo Creslon
Londrina – Presos provisórios e detentos que cumprem pena no regime semiaberto em Londrina são beneficiados pelo sistema de monitoramento eletrônico implantado de forma gradativa no Paraná. A tecnologia começou a ser aplicada em outubro do ano passado. Desde então, 498 presos tiveram acesso às tornozeleiras. Desse total, 110 descumpriram as regras impostas pela Justiça. O número inclui presos que se deslocaram fora do horário ou do perímetro permitidos, que tentaram violar o equipamento ou que cometeram novos crimes.
O balanço foi obtido junto ao Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), que abriga presos no regime semiaberto. O diretor da unidade, Reginaldo Peixoto, comemora os resultados. Apesar de 22% dos presos beneficiados terem descumprido as normas estabelecidas, somente 2,4% (12 presos) cometeram novos crimes. "O sistema tem ajudado a reduzir o número de detentos nas unidades e contribui ainda para a reintegração deles na sociedade. Grande parte dos presos monitorados não comete novos crimes. O problema é que eles viveram a vida inteira sem regras na própria família. Quando essa lista de normas é imposta, eles sentem muita dificuldade", explica.
No dia 21 de maio, havia 303 presos com tornozeleiras sob a responsabilidade do Creslon. "O equipamento é colocado aqui quando o preso responde o processo em Londrina, mas monitoramos detentos em mais de 40 cidades", ressalta. Isso ocorre porque alguns deles conseguem autorização para retornar aos municípios de origem. As tornozeleiras são concedidas aos presos que já cumpriram boa parte da pena e aos que trabalham ou estudam fora das unidades. Todos devem apresentar um histórico de bom comportamento. A Justiça analisa cada pedido e delimita regras específicas para cada caso.
Um dos detentos, por exemplo, tem 48 anos e conseguiu o direito ao benefício por apresentar bom comportamento no cumprimento da pena e por conquistar uma das vagas no curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele foi transferido da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) 2 para o Creslon e passou a usar a tornozeleira eletrônica há três meses. "Temos várias obrigações. É dado um perímetro [um caminho] que a gente tem que cumprir. Eu saio daqui às 7 horas da manhã e às 13 horas eu tenho que estar de volta. Tenho o prazo de uma hora para ir e de uma hora para voltar. Já aconteceu de o ônibus atrasar e eu chegar atrasado. Aí a gente conversou com o pessoal aqui e eles checaram se o que a gente falou tinha acontecido", relata o estudante.
"Aquele homem foi um personagem que a vida criou. Quero mudar. Essa vontade de desviar do caminho não existe, pelo menos não da minha parte, porque eu tenho consciência do que vai acarretar para mim se eu fizer isso. Eu lutei tanto para chegar até aqui e, se eu fizer isso [descumprir as regras], eu jogo a minha luta fora. Eu quero ir para casa, eu quero ir embora. Se eu jogar a tornozeleira fora, eu não vou poder ir para casa. O primeiro lugar que eles vão me procurar é lá. Quem usa está a um passo da liberdade, mas pode voltar a ficar preso. Muita gente já voltou", completa o detento que só obteve o benefício para deixar a unidade durante a manhã e participar das aulas.
O estudante foi preso pela primeira vez aos 23 anos e cumpriu pena no regime fechado durante 24 anos. Ele foi condenado a 92 anos de reclusão no total por ter cometido diversos crimes, entre eles, assalto à mão armada.
O balanço foi obtido junto ao Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), que abriga presos no regime semiaberto. O diretor da unidade, Reginaldo Peixoto, comemora os resultados. Apesar de 22% dos presos beneficiados terem descumprido as normas estabelecidas, somente 2,4% (12 presos) cometeram novos crimes. "O sistema tem ajudado a reduzir o número de detentos nas unidades e contribui ainda para a reintegração deles na sociedade. Grande parte dos presos monitorados não comete novos crimes. O problema é que eles viveram a vida inteira sem regras na própria família. Quando essa lista de normas é imposta, eles sentem muita dificuldade", explica.
No dia 21 de maio, havia 303 presos com tornozeleiras sob a responsabilidade do Creslon. "O equipamento é colocado aqui quando o preso responde o processo em Londrina, mas monitoramos detentos em mais de 40 cidades", ressalta. Isso ocorre porque alguns deles conseguem autorização para retornar aos municípios de origem. As tornozeleiras são concedidas aos presos que já cumpriram boa parte da pena e aos que trabalham ou estudam fora das unidades. Todos devem apresentar um histórico de bom comportamento. A Justiça analisa cada pedido e delimita regras específicas para cada caso.
Um dos detentos, por exemplo, tem 48 anos e conseguiu o direito ao benefício por apresentar bom comportamento no cumprimento da pena e por conquistar uma das vagas no curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele foi transferido da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) 2 para o Creslon e passou a usar a tornozeleira eletrônica há três meses. "Temos várias obrigações. É dado um perímetro [um caminho] que a gente tem que cumprir. Eu saio daqui às 7 horas da manhã e às 13 horas eu tenho que estar de volta. Tenho o prazo de uma hora para ir e de uma hora para voltar. Já aconteceu de o ônibus atrasar e eu chegar atrasado. Aí a gente conversou com o pessoal aqui e eles checaram se o que a gente falou tinha acontecido", relata o estudante.
"Aquele homem foi um personagem que a vida criou. Quero mudar. Essa vontade de desviar do caminho não existe, pelo menos não da minha parte, porque eu tenho consciência do que vai acarretar para mim se eu fizer isso. Eu lutei tanto para chegar até aqui e, se eu fizer isso [descumprir as regras], eu jogo a minha luta fora. Eu quero ir para casa, eu quero ir embora. Se eu jogar a tornozeleira fora, eu não vou poder ir para casa. O primeiro lugar que eles vão me procurar é lá. Quem usa está a um passo da liberdade, mas pode voltar a ficar preso. Muita gente já voltou", completa o detento que só obteve o benefício para deixar a unidade durante a manhã e participar das aulas.
O estudante foi preso pela primeira vez aos 23 anos e cumpriu pena no regime fechado durante 24 anos. Ele foi condenado a 92 anos de reclusão no total por ter cometido diversos crimes, entre eles, assalto à mão armada.
Viviani Costa
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

