Hospital Infantil faz transplante inédito
Pela primeira vez, transplante de coração é realizado em uma criança do interior; menina de 6 anos estava na fila há quase quatro meses
Órgão doado por uma adolescente de SC chegou em Londrina no final da tarde; transplante infantil é menos comum porque há poucos doadores
Londrina – O Hospital Infantil (HI) de Londrina realizou ontem o primeiro transplante de coração em crianças do interior do Estado. A paciente, uma criança de 6 anos diagnosticada com uma insuficiência cardíaca grave, aguardava internada pelo procedimento havia quase quatro meses. O coração foi doado pela família de uma adolescente de Santa Catarina, que morreu vítima de acidente de trânsito. A operação envolveu seis cirurgiões e durou pouco mais de três horas. Até o fechamento da edição, a garotinha estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com quadro estável, segundo informou a assessoria de imprensa da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), a qual pertence o Hospital Infantil.
O coração chegou à cidade em um avião do governo estadual que saiu de Santa Catarina e pousou pouco depois das 17 horas no Aeroporto José Richa. A equipe da Central Estadual de Transplantes (CET) recebeu o órgão e fez o transporte até o Hospital Infantil, no centro, escoltada por 20 motos do Pelotão de Choque. O grande efetivo policial chamou atenção e despertou curiosidade de quem passava pelo aeroporto. "Deve ser algum bandido famoso", especulou um homem que seguia em viagem com a família. Assim que a equipe da CET chegou ao hospital , os médicos deram início ao procedimento. A família da garota aguardava dentro do hospital.
Por regras do programa de doações, as identidades do doador e da vítima não foram divulgadas. O hospital informou apenas que a menina é de uma pequena cidade do Norte do Estado e que deu entrada no dia 6 de fevereiro. Durante todo este tempo, a menina portadora de miocardiopatia congênita permaneceu na UTI acompanhada da mãe.
Segundo a assessoria da Iscal, este é o 53º transplante de coração realizado em Londrina, o primeiro infantil. "Tem uma importância muito grande por ser o primeiro transplante infantil realizado na cidade e o primeiro geral do Hospital Infantil", ressaltou Érika Ludwig, enfermeira da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes. Até então, todos os transplantes de coração em crianças no Paraná, 18 no total, desde 2005, haviam sido feitos no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.
Em 2013, 23 pacientes foram submetidos a transplantes de coração no Paraná; só um era criança. Já no ano passado, foram 32 transplantes de coração, sendo três crianças. Este ano, uma criança recebeu coração do total de 11 transplantes. "Além de a criança ser mais frágil, o número de doadores é menor, o que justifica esses números", explicou Érika.
Segundo a enfermeira, a fila de crianças que aguardam transplantes passou por reformulações nos últimos anos. "Antes, se houvesse compatibilidade de tamanho, por exemplo, o coração de uma criança podia ir para um adulto. Hoje, existe uma restrição por faixa etária, que prioriza as crianças", destacou. Érika lembrou também que as campanhas de conscientização surtiram efeito. "Hoje temos mais doadores porque as pessoas estão entendendo que doação não é algo ruim. É preciso desmistificar cada vez mais o assunto".
Pelo alto grau de complexidade, os transplantes de coração em crianças são recentes fora das capitais. O primeiro do Brasil foi realizado em março de 2010, no Hospital de Base da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).
O coração chegou à cidade em um avião do governo estadual que saiu de Santa Catarina e pousou pouco depois das 17 horas no Aeroporto José Richa. A equipe da Central Estadual de Transplantes (CET) recebeu o órgão e fez o transporte até o Hospital Infantil, no centro, escoltada por 20 motos do Pelotão de Choque. O grande efetivo policial chamou atenção e despertou curiosidade de quem passava pelo aeroporto. "Deve ser algum bandido famoso", especulou um homem que seguia em viagem com a família. Assim que a equipe da CET chegou ao hospital , os médicos deram início ao procedimento. A família da garota aguardava dentro do hospital.
Por regras do programa de doações, as identidades do doador e da vítima não foram divulgadas. O hospital informou apenas que a menina é de uma pequena cidade do Norte do Estado e que deu entrada no dia 6 de fevereiro. Durante todo este tempo, a menina portadora de miocardiopatia congênita permaneceu na UTI acompanhada da mãe.
Segundo a assessoria da Iscal, este é o 53º transplante de coração realizado em Londrina, o primeiro infantil. "Tem uma importância muito grande por ser o primeiro transplante infantil realizado na cidade e o primeiro geral do Hospital Infantil", ressaltou Érika Ludwig, enfermeira da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes. Até então, todos os transplantes de coração em crianças no Paraná, 18 no total, desde 2005, haviam sido feitos no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.
CAMPANHAS
Em 2013, 23 pacientes foram submetidos a transplantes de coração no Paraná; só um era criança. Já no ano passado, foram 32 transplantes de coração, sendo três crianças. Este ano, uma criança recebeu coração do total de 11 transplantes. "Além de a criança ser mais frágil, o número de doadores é menor, o que justifica esses números", explicou Érika.
Segundo a enfermeira, a fila de crianças que aguardam transplantes passou por reformulações nos últimos anos. "Antes, se houvesse compatibilidade de tamanho, por exemplo, o coração de uma criança podia ir para um adulto. Hoje, existe uma restrição por faixa etária, que prioriza as crianças", destacou. Érika lembrou também que as campanhas de conscientização surtiram efeito. "Hoje temos mais doadores porque as pessoas estão entendendo que doação não é algo ruim. É preciso desmistificar cada vez mais o assunto".
Pelo alto grau de complexidade, os transplantes de coração em crianças são recentes fora das capitais. O primeiro do Brasil foi realizado em março de 2010, no Hospital de Base da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).
Celso Felizardo
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

