Menino relata que foi queimado com ferro quente porque mãe tinha dívida de drogas, em Goiânia
Um menino de 11 anos foi marcado com um ferro quente após a mãe dele
não pagar dívida de drogas, segundo informou o Conselho Tutelar de Goiânia.
O garoto foi resgatado pela equipe da região leste da capital junto com
a irmã, de 9 anos, e os dois foram levados a um abrigo, nesta
sexta-feira (25).
“Dois negões fortões e barbudos me seguraram. Um branquelo barbudo me marcou. Ele colocou o pano na minha boca para eu não gritar”, disse o garoto à TV Anhanguera.
O conselheiro tutelar James da Silva Barbosa contou que recebeu
denúncias anônimas dessa situação e foi até a casa das crianças para
buscá-las. Ele as levou até o conselho, onde elas foram ouvidas, ao
Instituto Médico Legal (IML) onde o menino passou por exames que
confirmaram a tortura, e depois ao abrigo.
“O garoto foi raptado por esses traficantes que o mantiveram em cárcere
privado por três dias, até ele conseguir fugir. [...] A criança relata
que foi marcada por ferro quente por duas vezes e que estavam ameaçando
degolá-la caso a dívida não fosse paga”, afirmou.
Segundo Barbosa, a mãe das crianças não estava em casa no momento que os
irmãos foram resgatados pelo Conselho e o pai delas foi morto a facadas
há cerca de cinco anos, também por causa de dívida de drogas.
Ainda de acordo com ele, horas mais tarde a mãe apareceu, confirmou a
história do filho e disse que também está sendo ameaçada de morte, mas
se recusa a sair de casa.
“[O menino] demonstra muito medo de ser morto sendo degolado, mas ficou
feliz em ser abrigado, porque disse que sente que vai estar seguro”,
acrescentou.
Conforme o conselheiro, o caso foi registrado na Delegacia de Proteção à
Criança e ao Adolescente (DPCA). A delegada titular da unidade, Paula
Meotti, disse que essas situações sempre são investigadas pela Polícia
Civil.
Falta de estrutura
O conselheiro disse que a urgência do caso exigiu que ele usasse o
próprio carro para buscar as crianças, já que não tinha um veículo do
conselho disponível. Ainda segundo ele, o veículo chegou horas depois da
solicitação.
Imagens feitas na unidade mostram que a estrutura do local está precária, com paredes rachadas e vazamentos.
Outra profissional da unidade disse que a equipe precisa de novos
membros para que consigam atender às demandas. “Precisamos de ao menos
mais dois administrativos, uma assistente social e uma psicóloga”,
avaliou a conselheira Ana Amélia Tavare.
A Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) informou, por meio
de nota, que “possuí uma frota de 6 veículos para atender as demandas
dos conselhos tutelares de Goiânia, tendo como déficit 3 motoristas,
situação que deve ser regularizada nos próximos 20 dias”.
Também de acordo com o texto, “uma área própria na região está sendo
analisada, para sua transferência”, já que o local apresenta problemas
estruturais. Sobre a falta de pessoal, a Semas acrescentou que os
atendimentos devem ser encaminhados para o Centro de Referência em
Assistência Social (Creas) Leste.
FONTE - GLOBO.COM


