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Os desafios do agro para 2019

Expectativa para 2019 é de recuperação da economia brasileira a uma taxa de 3% ao ano; e para o agronegócio PIB com crescimento em 2%
Um olhar rápido para trás, em breve retrospectiva, e pode-se concluir que 2018 não foi um ano fácil. O agronegócio também não saiu ileso dessa jornada, que incluiu embates difíceis como a greve dos caminhoneiros, dificuldades de logística e transporte, tabelamento obrigatório do frete e até proibição momentânea na utilização do glifosato nas lavouras de soja. Tudo isso culminando numa expectativa de fechamento do PIB do agro - sustentáculo da economia nacional - em retração de 1,6%.

Nada disso, entretanto, desmotiva o produtor e as entidades do setor a olharem para 2019 com otimismo. Quem está na terra, na safra que não brota sem trabalho e investimento, acredita que este novo ano é de cenário positivo. As projeções, inclusive, comprovam isso, principalmente pelas mudanças políticas do País e expectativa de crescimento econômico. Nesta primeira Folha Rural de 2019, traçamos panoramas importantes para o agronegócio paranaense e brasileiro, conversando com lideranças e produtores do Estado.

De acordo com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), a expectativa é de que a economia brasileira se recupere à uma taxa de 3% ao ano a partir de agora, que vem aliada às "esperadas reformas". Com isso, os produtos agropecuários devem ganhar força no mercado interno, com demandas mais firmes. A projeção é que o PIB do agro cresça 2% este ano.

A CNA, aliás, fez um relatório completo de trabalho acerca das expectativas de 2019, abordando 34 pontos, que vão desde a política agrícola do País até culturas específicas. O superintendente técnico da entidade, Bruno Lucchi, defende a reforma tributária para melhorar o ambiente de negócios e ajudar a reduzir a burocracia e a insegurança jurídica para o setor agropecuário, além de atrair mais investimentos. "Acreditamos numa melhoria do ambiente de negócios e na redução da burocracia para que o País possa ter as reformas que precisa."

Logística e infraestrutura também são pontos que a entidade bate forte. No levantamento feito pela confederação, com base numa consultoria, o investimento em transportes em 2018 em relação ao PIB foi de apenas 0,61%. Por isso, o "ano foi marcado pelo desabastecimento e encarecimento de produtos, quebra de contratos e perda de mercado internacional."

LOGÍSTICA E EXPORTAÇÕES

Além disso, uma projeção ruim é que 2019 começa com impasse do tabelamento obrigatório de fretes rodoviários, com previsão da nova tabela de preços mínimos em 20 de janeiro pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Para a CNA, a consequência é "a queda de competitividade, de qualidade do produto e serviço, aumento dos custos na cadeia, além da criação de um mercado paralelo de frete, distinguindo os caminhoneiros que seguem a lei daqueles que não seguem". As ações do novo governo, portanto, são emergenciais para resolver esse impasse. "Somos competitivos, mas poderíamos ser muito mais se tivéssemos estradas e ferrovias mais adequadas, portos, e principalmente menos burocracia. Você tem uma porção de impostos, tributos e medidas provisórias que atrapalham o produtor", afirma o presidente da CNA, João Martins. Vale dizer que há uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a medida.

Por fim, as perspectivas de melhoria das exportações são grandes. A CNA, por exemplo, liderou a abertura de negociações com a Coreia do Sul, mercado que pode gerar US$ 12,5 bilhões anuais para o setor. Agora, os novos alvos são Canadá, a Área de Livre Comércio da Europa (Suíça, Liechtenstein, Noruega e Islândia) e o México, com expectativa de negócios na casa dos US$ 17 bilhões em comércio.

Segundo a superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, a remoção de barreiras para a obtenção de certificados fitossanitários deve ser prioridade em 2019. "Quando o Brasil tiver essa prioridade, as negociações vão ficar muito mais fáceis e céleres. Nós temos entraves e burocracias. Essa é uma questão tão importante quanto outros gargalos que estão no custo Brasil."


Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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