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‘Sou candidato a prefeito de Curitiba’, diz João Arruda

O Impacto entrevista o presidente do MDB do Paraná, João Arruda, que fala da sua experiência de dois mandatos na Câmara dos Deputados, da disputa como candidato ao Governo do Estado, de como vai estruturar o partido no Estado, dos erros cometidos pela direção nacional e da disputa das prefeituras municipais em 2020.
“Quero continuar na política e disputar outras eleições, mas isso é o tempo que vai dizer”, diz Arruda.
O ex-deputado também garante: “Vou ser candidato a prefeito. Mas não quero atravessar as coisas. Preciso construir a minha candidatura, um projeto para a cidade”, adianta João Arruda.
Segundo João Arruda, o MDB tem um novo projeto e uma plataforma de debate “para quem quer fazer parte da construção de um estado melhor”.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Qual é o balanço da carreira legislativa e a experiência adquirida politicamente?
Cumpri o meu dever como deputado federal. Fui relator de matérias importantes, coordenador da bancada, trouxe muito dinheiro a fundo perdido para o Paraná. Conquistei resultados importantes para as cidades que representei em parceria com os prefeitos e gestores municipais.
O que o levou a abrir mão de uma reeleição para deputado em troca de uma candidatura a governador?
Acho que teria uma reeleição tranquila, mas o sentimento era de que já tinha cumprido o meu dever e devido a experiência adquirida, estava pronto para outros projetos.
A decisão foi de última hora e aceitei o desafio porque estava seguro de que poderia fazer um governo melhor que aqueles que disputavam a eleição naquele momento. Mesmo sabendo do resultado teria feito tudo de novo.
Não sou político profissional. Os mandatos são passageiros e a permanência na política, ou no mandato, só deve existir enquanto apresentarmos resultados e tivermos disposição, coragem e experiência para fazer mais e melhor.
Os riscos da disputa fazem parte da política. O que não poderia perder era a dignidade e me aliar a aqueles que destruíram o Estado, os quais conhecemos muito bem as intenções. Nunca estarei do lado desta gente!
Como sentiu a experiência de uma campanha para o Governo do Estado?
A experiência foi boa! Não posso exigir muito de quem me conheceu candidato a governador durante 40 dias de campanha, enquanto os outros estavam em campanha há muito tempo. Tem muita coisa a ser feita no Estado e que é possível de se fazer com o orçamento e estrutura que temos. Tem muita gente competente no Paraná. Não se pode perder tempo buscando estrangeiros despreparados para administrar o Paraná. Gestão séria é saber dizer não e governar com os pés no chão.
Encerrada estas etapas de sua carreira política como deputado e ex-candidato a governador do Paraná, qual a sua próxima experiência, seus planos?
Quero continuar na política e disputar outras eleições, mas isso é o tempo que vai dizer. Posso me envolver em outros projetos empresariais a ponto de não querer mais disputar eleições por ser incompatível com as minhas atividades. Tenho que tocar a minha vida, quero ficar mais tempo com os meus filhos, minha esposa e família! Mas, se 2022 fosse hoje, e o partido me indicasse, seria novamente candidato a governador.
Presidente do diretório estadual do MDB do Paraná, o que p levou a esta empreitada e quais os planos do partido para o nosso Estado?
Percebi na campanha que o MDB precisava ser estruturado. Uma legenda com tanta história e vitórias perdeu importância nos grandes municípios do Estado. Quero construir um partido forte com gente séria e leal. Vamos buscar resultados nas urnas, mas isso é um processo de construção.
O momento agora é encontrar pessoas novas que tenham a mesma disposição que temos de dar ao Paraná a importância que ele tem, com trabalho, seriedade e dedicação. Um partido bem estruturado é muito mais forte, do ponto de vista eleitoral, do que 200 prefeitos que trocam um projeto estadual por um convênio de R$ 200 mil ou ainda por um carguinho no governo por quatro anos.
Nacionalmente, qual foi o maior erro do MDB nestes últimos anos, perdendo espaços importantes da política nacional, inclusive na Câmara e no Senado?
O maior erro do MDB foi ter feito aliança com o PT. Sabe o casamento que o casal não se gosta e sabe disso desde o primeiro dia? O MDB chegou à presidência através de uma liderança que não tinha votos, chegou lá graças a sua capacidade de articulação. O MDB também errou ao apoiar o impeachment. Por fim, o MDB nunca se oxigenou, nunca deu oportunidade para gente nova.
Como você vê este início e o futuro do governo Jair Bolsonaro e o novo governo paranaense?
Os dois estão perdidos. Se elegeram sem um projeto de Estado ou Nação. Trataram dos detalhes na campanha e um governo tem responsabilidades maiores e que não se resolvem com detalhes de campanha. Se beneficiaram da conjuntura. No campo nacional, o antipetismo, e no Estado, o desinteresse do eleitor que estava mais preocupado com a eleição nacional.
O governo Bolsonaro, na minha opinião, vai ser confusão do início ao fim, se é que termina. Espero que o Paraná supere, pelo menos um pouco, a mediocridade que está aí, a ausência de ideias, pouco protagonismo, debates pobres e o varejão da reeleição. Parece que é uma pequena confraria de amigos, segundo escalão do governo Beto Richa, gente que está fora da casinha e os oportunistas que aparecem em todos os governos, ou porque negociaram a cabeça do Osmar Dias ou prestaram algum serviço não republicano na campanha.
Planos políticos pessoais para 2020: Uma candidatura a prefeito de Curitiba?
Vou ser candidato a prefeito. Mas não quero atravessar as coisas. Preciso construir a minha candidatura, um projeto para a cidade, e a decisão final passa por uma conversa com os deputados Gustavo Fruet, do PDT, e Requião Filho, do nosso partido. Não que exista um compromisso, mas o Requião Filho foi nosso candidato em 2016 e tenho muito respeito pelo Gustavo, me apoiou, é sério, e apesar das dificuldades que enfrentou, tem um futuro brilhante pela frente.
Qual a mensagem que o presidente estadual do MDB do Paraná deixa nesta entrevista para os integrantes do partido e àqueles que estão sendo chamados a se filiar nesta sigla?
Nós temos um novo projeto e uma plataforma de debate para quem quer fazer parte da construção de um estado melhor. E um plano de governo com discussão permanente e atenção às necessidades do povo.
Mensagem final de João Arruda, ex-deputado federal e hoje presidente do diretório estadual do MDB do Paraná.
Obrigado a todos que sempre estiveram comigo e as pessoas que me encontram e falam com entusiasmo de um novo projeto de Estado e cidade e um novo MDB. Já sou realizado por tudo que fui na política e não preciso ser mais nada. Não faço política por ambição pessoal e não me prendo a cargos. Se a população compreender que serei útil, tenho disposição para lutar, do contrário, vou para casa. Aliás, já estou em casa, curtindo mais a minha família.

FABIO CAMPANA

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