| APÓS SETE ANOS, COMEÇA JULGAMENTO PELA MORTE DA MENINA EDUARDA SHIGEMATSU
Pai da criança, Ricardo Seidi Shigematsu, e a avó, Terezinha de Jesus Guinaia, são julgados pelo Tribunal do Júri em Maringá; crime aconteceu em abril de 2019, em Rolândia
Após sete anos de espera e uma série de adiamentos, começou nesta quarta-feira (16) o julgamento pela morte de Eduarda Shigematsu, de 11 anos, encontrada enterrada nos fundos de um imóvel da família, em Rolândia, no norte do Paraná.
O pai da menina, Ricardo Seidi Shigematsu, e a avó, Terezinha de Jesus Guinaia, são julgados pelo Tribunal do Júri em Maringá. A transferência do julgamento para outra cidade, conhecida como desaforamento, foi determinada de forma excepcional para preservar a imparcialidade e a segurança da sessão, conforme justificativa apresentada pelo Ministério Público.
Eduarda desapareceu no dia 24 de abril de 2019. Naquele dia, segundo o boletim de ocorrência registrado pela avó, a menina havia ido à escola, no Colégio Kennedy, na região central de Rolândia. Por volta das 12h15, Terezinha retornou para casa e encontrou a mochila da neta sobre o sofá. Inicialmente, acreditou que a criança pudesse estar na casa de alguma amiga, mas ela não voltou.
Quatro dias depois, na tarde de 28 de abril, as investigações avançaram após a análise de imagens de uma câmera de segurança de um imóvel vizinho. As imagens mostraram Eduarda chegando em casa usando o uniforme escolar. Segundo o relato policial, ela não foi vista deixando o imóvel posteriormente.
As equipes de investigação da 29ª Delegacia Regional de Polícia de Rolândia e do Sicride também receberam informações sobre um imóvel que seria ligado ao pai da menina e que aparentava estar desocupado. Os policiais foram até o endereço, na Rua Manoel Carreira Bernardino, e encontraram uma caminhonete na garagem.
Durante a averiguação, os investigadores entraram no imóvel e encontraram, nos fundos, sinais de que o piso de concreto havia sido rompido e que a terra estava revirada. Após escavações, o corpo de Eduarda foi localizado enterrado no local.
Ricardo foi preso naquele mesmo dia. A perícia e o Instituto Médico-Legal foram acionados para os procedimentos de investigação e identificação.
Segundo o Ministério Público, Terezinha tinha a guarda judicial da criança e teria contribuído para a morte ao permitir que Eduarda permanecesse sob os cuidados do pai. A acusação também sustenta que Ricardo rejeitava a filha e não assumia os cuidados básicos dela.
Ricardo responde por homicídio qualificado, com qualificadoras relacionadas ao uso de meio cruel, recurso que teria dificultado a defesa da vítima e feminicídio. Ele também responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Já Terezinha responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
O julgamento ocorre em Maringá justamente por causa do desaforamento, mecanismo previsto para situações excepcionais em que a realização do júri na cidade de origem pode comprometer a imparcialidade, a segurança ou a ordem pública.
A expectativa é de que a sessão se estenda por mais de um dia. Ao final, os jurados deverão responder aos quesitos apresentados no processo, e a decisão caberá ao Tribunal do Júri.
FONTE LONDRINA NEWS NOTICIAS


