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Fim da estiagem regulariza produção leiteira

Chuva começa a recuperar pastagens nas regiões produtoras do Paraná; preço do litro do produto registra ligeira queda no Estado
César Augusto/23-05-2013
No ano passado, foram produzidos no Estado 3,9 bilhões de litros de leite
O fim da estiagem que assolou o Paraná neste verão trouxe um alívio para os produtores de leite. Com o retorno das chuvas, a vegetação começa a se regenerar sobre as pastagens utilizadas para a alimentação dos animais. Com isso, a produção leiteira no Estado volta a crescer, segundo avalia Fábio Mezzadri, médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). 

Contudo, a falta de comida que alimenta o gado não é o único problema causado pela estiagem. Há também a interferência que o fenômeno causa em relação ao preço pago pelo produto, resultado do desequilíbrio ocorrido entre a oferta e a demanda. Com o aumento gradativo da produção que ocorre desde meados de fevereiro, o valor do litro pago ao produtor paranaense segue em ligeira queda. 

Na primeira semana de março, entre os dias 3 e 6, o preço médio do leite fechou a R$ 0,94 o litro, ante R$ 0,96/l em fevereiro e R$ 0,99/l em janeiro. Segundo Mezzadri, o ajuste de produção justifica essa pequena depreciação ocorrida no mercado. Porém, se comparado ao mesmo período do ano passado, o valor do produto segue em alta. Em fevereiro de 2013 o litro do leite pago ao produtor estava sendo comercializado a R$ 0,84/l. 

O veterinário do Deral explica que naquele período havia muita importação de leite para suprir a demanda, o que pressionou o valor do produto ainda mais para baixo. Depois desse episódio, destaca Mezzadri, houve o estabelecimento de novas regras de restrição à importação de leite. A partir daí, completa o veterinário, o setor começou a ganhar estabilidade. 

Além disso, Mezzadri observa que no ano passado os custos de produção estavam muito altos, principalmente os preços da soja e do milho, utilizados na ração animal. Com isso, os produtores reduziram um pouco a alimentação dos animais, o que resultou na queda de produtividade das fêmeas e – consequentemente – elevou os preços nos meses seguintes devido à baixa oferta. O maior pico registrado em 2013 foi em outubro, quando o litro de leite ao produtor chegou a R$ 1,06/l. 

Para 2014, Mezzadri avalia que o mercado deverá se manter aquecido, pois há um aumento nos investimentos no setor produtivo. Além disso, ele completa que os preços das commodities mais baixos e a menor importação de leite têm ajudado a reestruturar o mercado. Dados do Deral apontam que no ano passado o Paraná produziu 3,9 bilhões de litros de leite. Para 2014 a meta é superar esse volume. Em relação aos preços, o especialista afirma que devem cair um pouco nos próximos meses e voltar a subir quando começar o inverno. 

Dificuldades
Valdeir Martins, produtor de leite na região de Londrina, comemora a volta da chuva que proporcionou a recuperação dos pastos de sua propriedade. Porém, desabafa que o valor médio de R$ 0,80/l pago aos produtores da região é muito baixo para aqueles que investem na atividade. Segundo Martins, concentrados e suplementos subiram muito nos últimos meses. 

O produtor observa que só aqueles que não investem em suplementação estão obtendo um pouco de lucro, já que só dependem dos pastos. Ao todo, Martins chega a produzir diariamente 1,2 mil litros de leite. 




Ricardo Maia-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local
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