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SEGURANÇA PÚBLICA - 34% dos municípios do Paraná tiveram 'homicídio zero' em 2013

Das 399 cidades paranaenses, 138 não registraram assassinatos dolosos no ano passado

Anderson Coelho
Mortes nas pequenas cidades estão relacionadas a crimes passionais
Londrina – Dos 399 municípios do Paraná, 138 não tiveram nenhum homicídio registrado no ano passado. Em 2012, foram 133 cidades. Os dados são da Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp). O número de assassinatos diminuiu de 3.135 há dois anos para 2.572 em 2013, uma redução de 17,95%. Das 138 cidades, todas têm menos de 20 mil habitantes e 77 não registram crimes contra a vida desde 2012.

Das 21 Subdivisões Policiais (SDPs) do Estado, a 17ª, com sede em Apucarana (Centro-Norte), é a que apresenta o maior número de cidades com "homicídio zero": 15 de um total de 26. Em 2012, eram 14 municípios.

Por outro lado, as dez cidades que compõem a 18ª SDP, sediada em Telêmaco Borba (Campos Gerais), registraram ao menos um assassinato nos últimos dois anos. Na 10ª SDP de Londrina, o número de municípios sem homicídios cresceu de cinco em 2012 para sete em 2013. Guaraci, Lupionópolis, Miraselva e Pitangueiras são as cidades mais seguras da região e não registraram nenhum homicídio desde 2012.

Do total das SDPs, 11 tiveram aumento no número de municípios com "homicídio zero" de 2012 para 2013. Quatro mantiveram o mesmo número de cidades e seis viram cair o percentual de municípios.

Para o delegado da Divisão de Polícia do Interior (DPI), Rogério Antônio Lopes, a participação mais efetiva da comunidade nas cidades menores contribui para a diminuição dos casos. "A segurança pública hoje não tem mais uma característica estanque, ela tem suas bases nas nuances sociais. Não tenho dúvidas de que quanto mais a sociedade se comprometer, com programas de inclusão social, mais o número de crimes irá diminuir. O comprometimento do cidadão com o local onde ele vive é fundamental. A responsabilidade da polícia é conquistar a confiança dessas pessoas para que o trabalho possa acontecer em conjunto", frisa Lopes. A DPI é responsável pelo policiamento de 376 municípios paranaenses.

A professora Ana Lúcia Rodrigues, coordenadora do Observatório das Metrópoles do Núcleo da Universidade Estadual de Maringá (UEM), relata que a ausência de crimes contra a vida em cidades pouco populosas é histórica e que de um ano para o outro não é possível analisar os avanços das políticas públicas de segurança.

"Quando acontecem homicídios nestes locais estão relacionados, na sua maioria, a crimes passionais, já que não há presença do crime organizado e do tráfico de drogas e armas, apesar de que a droga em si já está disponível aos moradores. Bom mesmo é quando os índices de assassinatos caem também nas grandes cidades por um período contínuo. A partir daí poderemos relacionar as políticas públicas de segurança com as sociais e educacionais", pontuou.

As três maiores cidades do Paraná apresentaram uma diminuição dos homicídios nos últimos dois anos. Curitiba registrou 597 crimes contra a vida em 2012 e 530 no ano passado. Em Londrina, foram 111 assassinados em 2012 contra 71 em 2013, uma redução de 36%. Em Maringá, o número caiu de 64 para 63.

O professor de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) de Curitiba, Cezar Bueno, ressalta que a diminuição de homicídios é positiva, mas que os números do Paraná não devem ser comemorados, uma vez que a "situação continua grave". "O Estado precisa melhorar a sua capacidade de investigação e prevenção dos crimes. A maioria dos assassinatos não é cometida por cidadãos comuns. É necessário aumentar o índice de elucidação dos crimes para que traficantes, matadores de aluguel e justiceiros sejam retirados do convívio da sociedade", frisa Bueno.

De acordo com Rogério Antônio Lopes, a evolução da criminalidade nos últimos 30 anos tem muito a ver com o crescimento das cidades. "Com a expansão das cidades houve uma perda da ocupação dos espaços públicos, a desvalorização da rua. A perda possibilita o avanço da criminalidade. A solidariedade nos pequenos municípios contribui de um modo decisivo na não ocorrência deste tipo de crime", ressalta.

folha de londrina
Celso Felizardo e Lucio Flávio Cruz
Reportagem Local
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