AGRICULTURA - Falha em milho Bt expõe cultura ao ataque de lagartas
Casos de resistência de insetos a cultivares transgênicas preocupam produtores do grão em todo o Brasil

A inserção da toxina Bacillus thuringiensis (Bt) na cultura do milho tem ajudado há muito tempo os agricultores a combaterem larvas e insetos, principalmente as lagartas da espécie Helicoverpa. Contudo, o inseticida natural contido em variedades transgênicas do grão tem apresentado falhas. Tanto que no Mato Grosso, uma associação de produtores notificou extrajudicialmente as empresas Monsato, DuPont, Dow e Syngenta pelo mal funcionamento da tecnologia.
Nery Ribas, diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), entidade que entrou com a notificação, afirma que o Bt tem registrado perda de eficiência em todo o País, inclusive no Paraná, segundo maior produtor de milho do Brasil. "Mandamos o comunicado para as empresas para ver o que elas têm a dizer sobre o problema, já que estamos abertos a futuras conversas e acordos", exalta o diretor técnico.
Em média, o Mato Grosso cultiva em torno de 3,2 milhões de hectares de milho e há três anos os produtores do Estado têm observado casos de resistência de insetos à tecnologia. "O produtor pagou caro pela semente e não estava preparado para fazer as pulverizações", lamenta Ribas. Ao todo, a Aprosoja possui cerca de 5 mil associados.
Mesmo sem manifestar qualquer ação em relação a determinadas falhas da tecnologia, como fez a Aprosoja, casos de resistência têm tirado o sono de agricultores paranaenses. Valdir Cavalaro, produtor na região de Rolândia (Norte), plantou 48 hectares de milho Bt na última safra e foi obrigado a fazer cinco aplicações de inseticidas para eliminar as lagartas. "Não adiantou nada o plantio de milho Bt", enfatiza.
Cavalaro diz que nem com a área de refúgio o Bt funcionou. O produtor revela que até já reclamou com a empresa revendedora das sementes. "Agora vou esperar para ver se lançam outra tecnologia mais resistente", lamenta o agricultor.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mais de 95% do milho plantado no Paraná contém a tecnologia Bt. Só nesta segunda safra, o Estado plantou 1,90 milhão de hectares de milho e espera colher 10,24 milhões de toneladas do grão.
Resistência
Rafael Pitta, entomologista da Embrapa Agrosilvipastoril, explica que a resistência é um processo evolutivo natural, que se agrava ainda mais quando há o cruzamento de espécies já tolerantes à toxina, gerando indivíduos - como é o caso das lagartas - cada vez mais fortes. O especialista explica, porém, que existem métodos de evitar a pressão de seleção.
Um deles é diversificação de variedades Bt com proteínas diferentes. "É muito difícil um inseto resistente a uma proteína ter a mesma resistência a outro tipo de proteína", completa. Por isso, Pitta frisa que a pesquisa sempre alertou a necessidade de alternar o uso de proteínas contidas na tecnologia Bt. O pesquisador recomenda ao produtor consultar um especialista antes de adquirir uma semente e buscar essas alternativas em caso de falha da tecnologia.
Pitta salienta ainda que é fundamental a destinação de 10% da área para plantio de milho convencional – refúgio -, cujo objetivo é manter o ambiente equilibrado, onde insetos resistentes, ao cruzar com não resistentes, dão origem a pragas suscetíveis à toxina/proteína liberada pela tecnologia. O entomologista alerta que por não ser uma prática de manejo regulamentada nem obrigatória por lei, muitos agricultores não adotam o refúgio.
Contudo, o pesquisador da Embrapa salienta que a obtenção de sementes convencionais é um problema para a implantação do refúgio devido à baixa disponibilidade do produto. "Como o produtor não demanda esse tipo de semente, as empresas desaceleraram a produção", observa o especialista. Porém, ele observa que a demanda tem aumentado com o aparecimento de casos de resistência ao transgênico.
Nery Ribas, diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), entidade que entrou com a notificação, afirma que o Bt tem registrado perda de eficiência em todo o País, inclusive no Paraná, segundo maior produtor de milho do Brasil. "Mandamos o comunicado para as empresas para ver o que elas têm a dizer sobre o problema, já que estamos abertos a futuras conversas e acordos", exalta o diretor técnico.
Em média, o Mato Grosso cultiva em torno de 3,2 milhões de hectares de milho e há três anos os produtores do Estado têm observado casos de resistência de insetos à tecnologia. "O produtor pagou caro pela semente e não estava preparado para fazer as pulverizações", lamenta Ribas. Ao todo, a Aprosoja possui cerca de 5 mil associados.
Mesmo sem manifestar qualquer ação em relação a determinadas falhas da tecnologia, como fez a Aprosoja, casos de resistência têm tirado o sono de agricultores paranaenses. Valdir Cavalaro, produtor na região de Rolândia (Norte), plantou 48 hectares de milho Bt na última safra e foi obrigado a fazer cinco aplicações de inseticidas para eliminar as lagartas. "Não adiantou nada o plantio de milho Bt", enfatiza.
Cavalaro diz que nem com a área de refúgio o Bt funcionou. O produtor revela que até já reclamou com a empresa revendedora das sementes. "Agora vou esperar para ver se lançam outra tecnologia mais resistente", lamenta o agricultor.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mais de 95% do milho plantado no Paraná contém a tecnologia Bt. Só nesta segunda safra, o Estado plantou 1,90 milhão de hectares de milho e espera colher 10,24 milhões de toneladas do grão.
Resistência
Rafael Pitta, entomologista da Embrapa Agrosilvipastoril, explica que a resistência é um processo evolutivo natural, que se agrava ainda mais quando há o cruzamento de espécies já tolerantes à toxina, gerando indivíduos - como é o caso das lagartas - cada vez mais fortes. O especialista explica, porém, que existem métodos de evitar a pressão de seleção.
Um deles é diversificação de variedades Bt com proteínas diferentes. "É muito difícil um inseto resistente a uma proteína ter a mesma resistência a outro tipo de proteína", completa. Por isso, Pitta frisa que a pesquisa sempre alertou a necessidade de alternar o uso de proteínas contidas na tecnologia Bt. O pesquisador recomenda ao produtor consultar um especialista antes de adquirir uma semente e buscar essas alternativas em caso de falha da tecnologia.
Pitta salienta ainda que é fundamental a destinação de 10% da área para plantio de milho convencional – refúgio -, cujo objetivo é manter o ambiente equilibrado, onde insetos resistentes, ao cruzar com não resistentes, dão origem a pragas suscetíveis à toxina/proteína liberada pela tecnologia. O entomologista alerta que por não ser uma prática de manejo regulamentada nem obrigatória por lei, muitos agricultores não adotam o refúgio.
Contudo, o pesquisador da Embrapa salienta que a obtenção de sementes convencionais é um problema para a implantação do refúgio devido à baixa disponibilidade do produto. "Como o produtor não demanda esse tipo de semente, as empresas desaceleraram a produção", observa o especialista. Porém, ele observa que a demanda tem aumentado com o aparecimento de casos de resistência ao transgênico.
Ricardo Maia
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

