Caso de bois mortos no MS não preocupa Paraná
Queda brusca de temperatura e problemas nutricionais estão entre as causas

Um ponto forte da pecuária paranaense é a alimentação: a pastagem do Estado, nas regiões mais frias, é totalmente adaptada para o inverno
Uma frente fria que atingiu o Pantanal, no Mato Grosso do Sul, no final de julho, causou prejuízos enormes aos pecuaristas da região da cidade de Coxim (MS). A queda brusca de temperatura na região – que chega a 40ºC e despencou para 13ºC em poucas horas – fez com que cerca de mil animais zebuínos, da raça nelore, não resistissem à oscilação térmica. As mortes ainda estão sendo contabilizadas pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) e não estão fechadas. As variações de temperatura também são registradas no Paraná constantemente em diversas regiões mas, para especialistas em pecuária, não há motivos para preocupação.
De acordo com a presidente do Sindicato Rural Patronal de Coxim, Terezinha Cândido Silva, os animais daquela região estão acostumados com temperaturas acima de 30ºC e as mortes começaram a ser registradas quando a temperatura girava em torno de 13ºC. "Essa oscilação de temperatura é incomum na região e o que aconteceu foi totalmente atípico. As fazendas onde ocorreram as mortes são na beira de serra, num lugar descampado, e acabou chovendo, fazendo frio e ventando simultaneamente naquela semana. Aliado a isso, os animais estavam com problemas nutricionais", explicou ela à reportagem da FOLHA.
Segundo o médico veterinário da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), Horácio Tinoco, apesar das temperaturas mínimas registradas não serem muito baixas, a queda brusca desestabiliza a saúde do animal. "Naquela região de clima quente, os animais não estão acostumados com o conjunto formado por alta umidade, frio, chuvas e ventos. Estes fenômenos podem mudar o parâmetro fisiológico do gado, alterando batimentos cardíacos e pressão arterial", afirmou o veterinário, em nota. "Se essas ocorrências estiverem ligadas a alguma restrição alimentar (como confirmado pelo Sindicato), podem prejudicar a produção de energia do animal e causar morte por hipotermia", destacou o veterinário.
No Paraná, a possibilidade de uma situação como essa acontecer é praticamente nula. O médico veterinário Fábio Mezzadri, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), relata que nas regiões ao Sul do Estado - mais frias - os animais são de cruza europeia, adaptados ao frio, como Holandês e Jersey. Outras raças comuns são o Charolês, Canchim, Simental, Angus, entre outras. "Estes animais resistem bem até na neve. Por outro lado, nas regiões Norte e Noroeste, o gado zebuíno é mais utilizado e as temperaturas são mais quentes. Porém, mesmo que haja uma queda muito brusca de temperatura nessas regiões, eles ainda resistiriam tranquilamente, já que os zebus aqui do Sul estão mais adaptados ao clima frio", salientou ele.
Outro ponto forte da pecuária paranaense em situações de baixa temperatura é a alimentação. Mezzadri explica que a pastagem do Estado, nas regiões mais frias, é totalmente adaptada para o inverno. "Não é preciso ter cuidados com os animais, mas sim com a alimentação, principalmente com aveia e azevém como forrageiras. Num caso de neve, em que nenhuma pastagem suporta, a alternativa é estocar feno, silagem ou mesmo utilizar ração."
O Coordenador técnico de negócios da Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, Junior Fabiano dos Santos, disse que a grande preocupação na região, na verdade, é o calor. "Para as raças europeias, o vilão é justamente as altas temperaturas. No frio, as vacas se alimentam melhor, o que acaba influenciando diretamente na produtividade do leite", complementou.
De acordo com a presidente do Sindicato Rural Patronal de Coxim, Terezinha Cândido Silva, os animais daquela região estão acostumados com temperaturas acima de 30ºC e as mortes começaram a ser registradas quando a temperatura girava em torno de 13ºC. "Essa oscilação de temperatura é incomum na região e o que aconteceu foi totalmente atípico. As fazendas onde ocorreram as mortes são na beira de serra, num lugar descampado, e acabou chovendo, fazendo frio e ventando simultaneamente naquela semana. Aliado a isso, os animais estavam com problemas nutricionais", explicou ela à reportagem da FOLHA.
Segundo o médico veterinário da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), Horácio Tinoco, apesar das temperaturas mínimas registradas não serem muito baixas, a queda brusca desestabiliza a saúde do animal. "Naquela região de clima quente, os animais não estão acostumados com o conjunto formado por alta umidade, frio, chuvas e ventos. Estes fenômenos podem mudar o parâmetro fisiológico do gado, alterando batimentos cardíacos e pressão arterial", afirmou o veterinário, em nota. "Se essas ocorrências estiverem ligadas a alguma restrição alimentar (como confirmado pelo Sindicato), podem prejudicar a produção de energia do animal e causar morte por hipotermia", destacou o veterinário.
No Paraná, a possibilidade de uma situação como essa acontecer é praticamente nula. O médico veterinário Fábio Mezzadri, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), relata que nas regiões ao Sul do Estado - mais frias - os animais são de cruza europeia, adaptados ao frio, como Holandês e Jersey. Outras raças comuns são o Charolês, Canchim, Simental, Angus, entre outras. "Estes animais resistem bem até na neve. Por outro lado, nas regiões Norte e Noroeste, o gado zebuíno é mais utilizado e as temperaturas são mais quentes. Porém, mesmo que haja uma queda muito brusca de temperatura nessas regiões, eles ainda resistiriam tranquilamente, já que os zebus aqui do Sul estão mais adaptados ao clima frio", salientou ele.
Outro ponto forte da pecuária paranaense em situações de baixa temperatura é a alimentação. Mezzadri explica que a pastagem do Estado, nas regiões mais frias, é totalmente adaptada para o inverno. "Não é preciso ter cuidados com os animais, mas sim com a alimentação, principalmente com aveia e azevém como forrageiras. Num caso de neve, em que nenhuma pastagem suporta, a alternativa é estocar feno, silagem ou mesmo utilizar ração."
O Coordenador técnico de negócios da Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, Junior Fabiano dos Santos, disse que a grande preocupação na região, na verdade, é o calor. "Para as raças europeias, o vilão é justamente as altas temperaturas. No frio, as vacas se alimentam melhor, o que acaba influenciando diretamente na produtividade do leite", complementou.
Victor Lopes
Reportagem Local - FOLHA DE LONDRINA

