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ELEIÇÕES 2014 - Beto e Requião comparam gestões; Gleisi lança 'PAC-PR'

Primeira sabatina conjunta dos três principais candidatos ao governo do Paraná foi realizada ontem em Curitiba

Fotos: Paulo Lisboa
Beto: O Porto de Paranaguá, vocês sabem, tiramos das páginas policiais
Gleisi: O Paraná é um Estado tímido, não tem presença nenhuma em Brasília
Requião: Já fui governador três vezes e seria até uma redundância falar sobre o que eu faria
Curitiba - Na primeira agenda conjunta desde o início da campanha eleitoral, os três principais concorrentes ao governo do Paraná alternaram comparações entre modelos de gestão a alfinetadas aos adversários. O senador Roberto Requião (PMDB), a senadora Gleisi Hoffmann (PT) e o governador Beto Richa (PSDB), que disputa a reeleição, participaram ontem, em Curitiba, da sabatina do Fórum Permanente Futuro 10 Paraná, grupo que reúne 16 entidades, a maioria ligada ao setor empresarial.

Cada convidado teve pouco mais de uma hora para apresentar propostas e responder a algumas perguntas selecionadas pelos organizadores, focadas nas áreas de infraestrutura, inovação, empreendimento, educação e ética na gestão. O encontro foi fechado ao público. Apesar das críticas, como não houve debate entre os candidatos, o clima em geral foi de cordialidade.

Sorteado para abrir a sabatina, Requião preferiu enaltecer os feitos de sua administração, ao mesmo tempo em que criticava a de Beto. "Já fui governador três vezes e acho que seria até uma redundância conversar com vocês sobre o que eu faria no governo do Estado. Vou fazer exatamente o que eu já fiz", afirmou.

O peemedebista chamou a política tributária adotada atualmente de "erro brutal", dizendo ser preciso retomar a concessão de benefícios para as micros e pequenas empresas. "A antecipação de receitas e a substituição tributária estão quebrando as empresas e liquidando a economia", opinou. Ao comentar que um projeto sobre o tema tramita no Senado, ele também cutucou a petista, que é relatora. "Está parado nas mãos da companheira Gleisi."

Sobraram alfinetadas, ainda, à direção das empresas estatais, em especial a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e a Companhia Paranaense de Energia (Copel), principalmente devido aos aumentos nas tarifas de água e luz. "Na Copel nós vamos rever contratos, a estrutura da empresa, que agora está com 16 diretores, enquanto eu tinha sete, e ver o que podemos fazer. Agora, na Sanepar eu já verifiquei com cuidado: subiram a tarifa em 56% numa inflação de 23%. E dobraram a distribuição de capital para os sócios privados. Então meu compromisso com a Sanepar é fazer o que eu já fiz: eu congelo a tarifa de água por quatro anos", prometeu.

Segunda a falar, Gleisi chegou acompanhada do candidato ao Senado, Ricardo Gomyde (PCdoB), e do deputado federal Doutor Rosinha (PT), coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT) no Paraná. A petista trouxe um powerpoint destacando as iniciativas do governo federal, do qual fez parte como ministra da Casa Civil, em relação a pontos de interesse do empresariado.

Ao defender as ações da União no Estado, ela também fez promessas. Disse que criará versões paranaenses do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o PAC-Paraná, com foco em infraestrutura, saúde, educação e segurança, do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), e do Brasil Profissionalizado. "Nós vamos fazer com um mix de dinheiro estadual e de dinheiro federal. Acredito que o Paraná tem condições de resgatar a sua capacidade de investimentos. Nós já investimos cerca de 10% do nosso orçamento. E hoje a gente não investe nem 4%."

A petista garantiu, ainda, que implantará a meritocracia na educação e que irá "recuperar" a rede. "Não é possível que as escolas estaduais do Paraná tenham goteiras, sejam escolas sem pintar. Nós estamos falando da quinta economia do Brasil." Assim como Requião, ela sugeriu mudanças na política tributária, a qual chamou de "escândalo". "Para as micros nós não vamos ter tributos (…). E as pequenas terão simplificação. Elas não são responsáveis pela arrecadação grande do Estado, mas são responsáveis por gerar emprego."

Gleisi Hoffmann atribuiu a demora na aprovação dos empréstimos pleiteados pelo Estado a uma suposta falta de projetos. "O Paraná é um Estado tímido, não tem presença nenhuma em Brasília. Eu assisti ao governador apenas reclamando esses anos todos da questão dos recursos, mas sequer audiência com o ministro da Fazenda ele fez para discutir", afirmou. "O problema do Paraná não é arrecadação. O Paraná teve um aumento de ICMS de mais de 50%. O problema do Paraná é a má gestão. Aumentou em 122% os gastos. E gastou no quê? Qual é a grande obra de investimento que esse Estado teve?", criticou.

Último a discursar, Beto usou a mesma estratégia de Requião, a quem chamou de "truculento": o tucano exaltou "os avanços" da sua gestão e teceu pesadas críticas à anterior. De acordo com o tucano, o peemedebista teria deixado o Estado "um caos". "Não encontro parâmetros para comparar o meu governo em qualquer área com o anterior. O Porto de Paranaguá, vocês sabem, tiramos das páginas policiais. E hoje é um porto colocado por técnicos como modelo de gestão profissional para os demais do Brasil", disparou.

Conforme o atual chefe do Executivo, os aumentos concedidos aos policiais e aos professores e a exigência da destinação de 2% das receitas do Estado para o pagamento de precatórios prejudicaram as finanças. Ele também usou de tom irônico para comentar a ideia e Gleisi de fazer o "PAC Paraná". "Vai ser igual ao PAC nacional, que lançaram o PAC 3 e não concluíram ainda 30% das obras do PAC 1?", criticou.

Em relação à "ausência em Brasília", destacada por Gleisi, o tucano se defendeu. "Voltei ontem de lá, para se ter uma ideia. Fui muito a Brasília, meus secretários estão permanentemente lá em um ou outro ministério. Estive com a presidente em audiência em novembro, depois de um ano pedindo", afirmou. "As dificuldades foram se recrudescendo, aumentando. Sou do diálogo, tenho espírito democrático e nunca fiz demagogia. Tenho um exemplo para dar, prático: pergunte aos prefeitos do PT como é o relacionamento com o meu governo – respeitoso, recebo em audiências e vou aos seus municípios."

Beto voltou a dizer, ainda, que enxugou a máquina pública e que privilegiou a meritocracia. Quanto à acusação de não realizar obras, ele disse que visitou todos os municípios e que conhece a realidade de todas as regiões. "Por exemplo: uma grande obra, é só ir a Londrina. Dezessete quilômetros,

R$ 100 milhões na duplicação da PR-445, que corta a cidade, com 15 viadutos e trincheiras."
Mariana Franco Ramos
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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