Pequenos navegadores - Cresce volume de crianças nas redes sociais
Por pressão dos colegas ou mesmo com incentivo dos pais, meninos e meninas ingressam cada vez mais precocemente nos ambientes virtuais

A contadora Dayane e os filhos Victor e Luiz Henrique: jovens demais para a privacidade virtual
Território virtual pouco controlado e aberto à circulação de pessoas com boas e más intenções, as redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter atraem cada vez mais usuários entre crianças e adolescentes.
Segundo estudo divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), chamado de TIC Kids Online Brasil, 79% das crianças e adolescentes brasileiros que usam internet têm acesso às redes sociais. Na pesquisa anterior, feita em 2012, esse índice era 70%. O levantamento foi realizado entre setembro de 2013 e janeiro deste ano e ouviu 2.261 usuários com idades entre 9 e 17 anos, em todo o território nacional.
A pesquisa revelou também uma tendência de crescimento no uso do telefone celular como principal forma de acesso às redes sociais – o aparelho é usado por mais da metade desse público (53%). Em relação a 2012, houve crescimento de 32 pontos percentuais. O acesso à internet por meio dos tablets cresceu de 2%, em 2012, para 16%, em 2013.
Os computadores de mesa continuam sendo os dispositivos mais utilizados para acessar a internet por este público – é usado por 71% das crianças e dos adolescentes. O local onde os acessos mais ocorrem é a sala de casa, mencionada em 68% dos casos, seguido pelo quarto da criança ou do adolescente (57%). As atividades mais desenvolvidas pelos jovens que acessam internet são: pesquisa para trabalho escolar (87%), assistir a vídeos (68%) e baixar músicas ou filmes (50%).
O professor André Azevedo Fonseca, do mestrado em comunicação na Universidade Estadual de Londrina (UEL), defende que o principal motivador da grande presença de crianças nas redes sociais é a permissividade. "Há mesmo o estímulo dos pais, sobretudo os mais jovens, que são influenciados pelo discurso de que crianças têm que lidar com as tecnologias desde cedo, ou ficarão desatualizadas. Junte-se a isso o fato de que, em geral, esses pais jovens também são usuários de redes sociais, nem sempre com consciência dos perigos da superexposição", alerta, lembrando que os próprios pais publicam fotos inadequadas de seus filhos, usam a rede social para desabafar sobre problemas familiares e criam situações embaraçosas para as crianças.
Para Fonseca, a presença de crianças pequenas nas redes sociais é responsabilidade direta dos pais. Já os pré-adolescentes sofrem mais pressão do colegas para abrirem conta nestes aplicativos. "Se há 20 anos a TV, os desenhos animados, os programas de auditório e os filmes da Sessão da Tarde pautavam os temas de seu universo, atualmente é a cultura da Internet, o YouTube, os memes e as redes sociais que têm alimentado o imaginário das suas conversas. Quem fica fora dessas referências tem dificuldades para se socializar", acredita.
O professor destaca que, para esta parcela da população, as redes sociais são um universo paralelo onde jovens se expressam, compartilham seus gostos, se exibem, flertam, constroem as suas identidades, usam as suas máscaras e se impõem perante os colegas.
Ao contrário do que muitos adultos acreditam, entretanto, ele garante que essas relações não substituíram os contatos reais, mas os complementaram. "O garoto mais tímido da sala, por exemplo, pode se tornar uma figura super descolada nas redes sociais. Há uma consciência intuitiva, mas muito aguçada, sobre a importância do capital social: todos lutam para serem populares, ávidos para que os colegas curtam a compartilhem as suas fotos e posts. Aqueles que conseguem isso se tornam admirados e invejados", avalia.
Por isso, ele adverte que, se os pais se sentem pressionados a ceder ao ingressos nas redes sociais, não podem abrir mão de acompanhar a vida dos filhos nas mesmas. "É preciso atuar para que eles não sejam reféns do lado perverso na Internet, como o bullyng virtual, que os filhos podem sofrer ou praticar, e a exposição inadequada de questões íntimas e pessoais", exemplifica. Crianças e adolescentes que têm boa autoestima e mantém diálogo aberto com os pais, segundo o especialista, tendem a dimensionar a sua atuação nas redes sociais de forma saudável.
Quando não há a participação dos pais, Fonseca reforça que as redes sociais podem ser perigosas. E enumera riscos que incluem desde o acesso a conteúdos impróprios, tal como discursos de ódio e violência, até a possibilidade de a criança passar informações privadas a estranhos, fazer compras usando o cartão de crédito dos pais ou aprender formas inadequadas de interação social. "Há redes sociais específicas para crianças, mas mesmo assim é preciso ter a supervisão dos pais. O segredo é a diversificação de experiências e o bom senso. Crianças devem brincar, jogar, ler, desenhar e se aproveitar do patrimônio cultural de seu tempo. É interessante, ao lado de tudo isso, conhecer a Internet e as redes sociais para aproveitar seus benefícios. O exagero é que trás problemas", conclui. (Com Agência Brasil)
FOLHA DE LONDRINA
Segundo estudo divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), chamado de TIC Kids Online Brasil, 79% das crianças e adolescentes brasileiros que usam internet têm acesso às redes sociais. Na pesquisa anterior, feita em 2012, esse índice era 70%. O levantamento foi realizado entre setembro de 2013 e janeiro deste ano e ouviu 2.261 usuários com idades entre 9 e 17 anos, em todo o território nacional.
A pesquisa revelou também uma tendência de crescimento no uso do telefone celular como principal forma de acesso às redes sociais – o aparelho é usado por mais da metade desse público (53%). Em relação a 2012, houve crescimento de 32 pontos percentuais. O acesso à internet por meio dos tablets cresceu de 2%, em 2012, para 16%, em 2013.
Os computadores de mesa continuam sendo os dispositivos mais utilizados para acessar a internet por este público – é usado por 71% das crianças e dos adolescentes. O local onde os acessos mais ocorrem é a sala de casa, mencionada em 68% dos casos, seguido pelo quarto da criança ou do adolescente (57%). As atividades mais desenvolvidas pelos jovens que acessam internet são: pesquisa para trabalho escolar (87%), assistir a vídeos (68%) e baixar músicas ou filmes (50%).
O professor André Azevedo Fonseca, do mestrado em comunicação na Universidade Estadual de Londrina (UEL), defende que o principal motivador da grande presença de crianças nas redes sociais é a permissividade. "Há mesmo o estímulo dos pais, sobretudo os mais jovens, que são influenciados pelo discurso de que crianças têm que lidar com as tecnologias desde cedo, ou ficarão desatualizadas. Junte-se a isso o fato de que, em geral, esses pais jovens também são usuários de redes sociais, nem sempre com consciência dos perigos da superexposição", alerta, lembrando que os próprios pais publicam fotos inadequadas de seus filhos, usam a rede social para desabafar sobre problemas familiares e criam situações embaraçosas para as crianças.
Para Fonseca, a presença de crianças pequenas nas redes sociais é responsabilidade direta dos pais. Já os pré-adolescentes sofrem mais pressão do colegas para abrirem conta nestes aplicativos. "Se há 20 anos a TV, os desenhos animados, os programas de auditório e os filmes da Sessão da Tarde pautavam os temas de seu universo, atualmente é a cultura da Internet, o YouTube, os memes e as redes sociais que têm alimentado o imaginário das suas conversas. Quem fica fora dessas referências tem dificuldades para se socializar", acredita.
O professor destaca que, para esta parcela da população, as redes sociais são um universo paralelo onde jovens se expressam, compartilham seus gostos, se exibem, flertam, constroem as suas identidades, usam as suas máscaras e se impõem perante os colegas.
Ao contrário do que muitos adultos acreditam, entretanto, ele garante que essas relações não substituíram os contatos reais, mas os complementaram. "O garoto mais tímido da sala, por exemplo, pode se tornar uma figura super descolada nas redes sociais. Há uma consciência intuitiva, mas muito aguçada, sobre a importância do capital social: todos lutam para serem populares, ávidos para que os colegas curtam a compartilhem as suas fotos e posts. Aqueles que conseguem isso se tornam admirados e invejados", avalia.
Por isso, ele adverte que, se os pais se sentem pressionados a ceder ao ingressos nas redes sociais, não podem abrir mão de acompanhar a vida dos filhos nas mesmas. "É preciso atuar para que eles não sejam reféns do lado perverso na Internet, como o bullyng virtual, que os filhos podem sofrer ou praticar, e a exposição inadequada de questões íntimas e pessoais", exemplifica. Crianças e adolescentes que têm boa autoestima e mantém diálogo aberto com os pais, segundo o especialista, tendem a dimensionar a sua atuação nas redes sociais de forma saudável.
Quando não há a participação dos pais, Fonseca reforça que as redes sociais podem ser perigosas. E enumera riscos que incluem desde o acesso a conteúdos impróprios, tal como discursos de ódio e violência, até a possibilidade de a criança passar informações privadas a estranhos, fazer compras usando o cartão de crédito dos pais ou aprender formas inadequadas de interação social. "Há redes sociais específicas para crianças, mas mesmo assim é preciso ter a supervisão dos pais. O segredo é a diversificação de experiências e o bom senso. Crianças devem brincar, jogar, ler, desenhar e se aproveitar do patrimônio cultural de seu tempo. É interessante, ao lado de tudo isso, conhecer a Internet e as redes sociais para aproveitar seus benefícios. O exagero é que trás problemas", conclui. (Com Agência Brasil)
FOLHA DE LONDRINA
Carolina Avansini
Reportagem Local
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