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PR tem uma explosão de caixa eletrônico por dia

Para setores da segurança, combate efetivo requer mudanças no Código Penal

Divulgação/Polícia Civil
Nesta semana, força-tarefa desmantelou duas quadrilhas que atuavam nas regiões Norte e Noroeste
Londrina - A proliferação de roubos e furtos a agências de banco e caixas eletrônicos pode ser combatida ou pelo menos amenizada se houver mudanças no Código Penal. É o que defendem setores da Polícia Civil e o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana. Segundo o sindicato, somente neste ano houve mais de 230 arrombamentos a unidades bancárias no Paraná, uma média superior a um crime por dia. A maioria, cerca de 200, ocorreu no interior do Estado – metade deles em municípios menores das regiões Norte e Noroeste, cujas rotas de fuga nas áreas rurais e um contingente policial reduzido facilitam as ações dos bandidos.

O que chama a atenção em boa parte dos casos é o uso de armamentos pesados, geralmente de uso exclusivo, como explosivos e fuzis automáticos. Na madrugada de ontem, cinco criminosos renderam o vigia e explodiram um caixa eletrônico localizado em uma empresa à margem da BR-369, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). O bando não havia sido capturado até o fechamento da edição. Outro caso foi registrado em um posto de combustíveis em Moreira Sales (Centro-Oeste), também na madrugada de ontem.

Há um ano uma força-tarefa designada pela Divisão Policial do Interior atua no combate a esses crimes no interior do Estado. A operação é coordenada pelo delegado chefe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, José Aparecido Jacovós, com auxílio de setores de inteligência da Polícia Militar.

Nesta semana, a força-tarefa desmantelou duas quadrilhas, uma delas rotulada de "quadrilha da dinamite". Dos 14 criminosos identificados pela polícia, nove foram presos, um hospitalizado e cinco estão foragidos. José Aparecido Jacovós adiantou que há mais criminosos na ativa. "Isso é só parte, tem elementos ramificados de uma das quadrilhas presas que estão sendo investigados", disse. Em relação aos foragidos, o delegado informou que a polícia sabe do paredeiro e que a prisão deles "é questão de dias".

CÓDIGO PENAL
Jacovós avaliou que uma das principais razões para que esses crimes se sucedam é que o Código Penal os tipifica como furto qualificado, similar a furto de veículo, por exemplo. É caracterizado quando há destruição ou rompimento de obstáculo e prevê penas de dois a oito anos de prisão. O delegado defende que o Código Penal preveja pena específica, e maior, para o furto qualificado contra bancos. Na lógica do criminoso, furtar um caixa eletrônico acaba sendo mais "vantajoso" do que furtar um carro, cujo mercado do desmanche é mais burocrático. "Se não houver aumento de pena para furto qualificado contra bancos, a tendência é que o bandido prefira um negócio que lhe dê mais lucro. É necessário que se mude a legislação nesse sentido", afirmou. Ele acrescentou um outro argumento para defender a diferenciação das penas: para Jacovós, um furto contra caixas eletrônicos ou agências bancárias em cidades pequenas prejudica toda uma população, ao passo que o furto de veículo afeta diretamente apenas o proprietário.

O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana, João Soares, também cobrou mudanças na legislação. "As Assembleias Legislativas ou o Congresso deveriam aprovar uma lei que aumentasse a pena para esse tipo de crime", disse. Mas há uma reivindicação mais premente da entidade: fiscalização e controle maior sobre a comercialização, transporte e armazenamento dos explosivos.

"Falta controle por parte do Exército e da Secretaria de Segurança Pública quanto ao transporte, armazenamento e liberação da venda de explosivos. É possível comprar até pela internet. Existem muitas pedreiras em que se armazenam espoletas, dinamites, e muitas vezes não há um controle nem fiscalização de como esses artefatos chegam às mãos dos criminosos. É possível comprar até pela internet. A falta de controle proporciona tudo isso", disparou Soares.

O secretário de Segurança Pública, Leon Grupenmacher, preferiu não se pronunciar sobre as declarações do presidente do Sindicato dos Vigilantes. Por meio da assessoria de imprensa da secretaria, ele disse que o delegado José Aparecido Jacovós é quem deve falar a respeito da força-tarefa. A FOLHA apurou que há setores da polícia que consideram que o acesso aos explosivos é pela fronteira com o Paraguai. A reportagem não conseguiu falar com a assessoria de comunicação do 30º Batalhão de Infantaria Mecanizado, organização militar do Exército Brasileiro com sede em Apucarana.

FOLHA DE LONDRINA
Diego Prazeres
Reportagem Local



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