Litro de gasolina já custa R$ 3,09 em Londrina
Aumento do preço na bomba chega a ser maior do que os 3% determinados pela Petrobras para os valores nas refinarias

Depois de pesquisar, José dos Santos reclamou dos preços dos combustíveis: deveria ser mais barato

Alta na gasolina já impactou preço do etanol, encontrado ontem em Londrina a R$ 2,09 o litro
Os preços de combustíveis já começaram a subir ontem nas bombas de postos em Londrina, quando passou a valer o reajuste de 3% para a gasolina e de 5% para o diesel nas refinarias da Petrobras. A expectativa nas entidades do setor era de que o aumento fosse menor no comércio varejista do que para as distribuidoras, mas a reportagem da FOLHA passou por alguns estabelecimentos da cidade em que a diferença de quinta-feira para ontem foi de até 4% para a gasolina, que custava R$ 3,09 por litro.
A Petrobras anunciou na noite de anteontem os índices de reajuste para os dois combustíveis. A expectativa era que o impacto para o consumidor ficasse entre 2% e 4% para a gasolina, parte porque há 25% de etanol em cada litro do combustível.
Porém, houve variação também de até 4% para o etanol, encontrado ontem a R$ 2,09. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Rui Cichella, disse ontem que postos com estoques mais cheios poderiam adiar o reajuste, mas que cada um é livre para determinar os preços de acordo com os custos que tem. "As distribuidoras já começaram a repassar aos postos, mas o governo também precisa acertar a pauta de cobrança do ICMS, o que vai impactar no preço final."
Cichella se referiu ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que estabelece a cada mês um preço médio cobrado do consumidor final para a aplicação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "Normalmente, eles usam uma média que fica mais cara do que a praticada no mercado", criticou.
Apesar de lembrar que os varejistas são livres para definir preços, o presidente do Sindicombustíveis-PR afirmou que os reajustes não deveriam impactar sobre o preço do etanol. "O álcool sobe durante a entressafra ou de acordo com a demanda", disse, antes de completar que, na teoria, um reajuste da gasolina poderia elevar o consumo de etanol.
Para o professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina, o aumento nas refinarias era necessário e ficou abaixo das expectativas de mercado. "Vem em um momento ruim da economia, em que existe recessão técnica e risco de impactar nos custos de produção", disse. Ele lembrou que a inflação está hoje acima dos 6,5% do teto da meta estipulado pelo Banco Central.
O economista considerou que o reajuste do diesel é até mais preocupante do que o da gasolina, por ter reflexo sobre o custo do transporte de boa parte da produção brasileira. Mesmo assim, descartou um efeito cascata. "O segmento produtivo reconhece que esse aumento é corretivo e não cria uma expectativa inflacionária."
A previsão é que o reajuste da gasolina anunciado pela Petrobras implique em até 0,12 ponto porcentual à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo cálculo da coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos. Já o aumento de 5% para o diesel será indireto.
Reclamações
Nos postos, os consumidores criticaram o reajuste nas bombas. O técnico administrativo José Antonio dos Santos pesquisou preços antes de abastecer, mas reclamou. "Se o petróleo é brasileiro, a gasolina deveria ser mais barata aqui dentro", disse. Já o funileiro Paulo Cesar Artigiani, que tem um carro a etanol, esperava pelos reflexos sobre o biocombustível. "É sempre assim, o aumento de um segue o do outro." (Com agências)
A Petrobras anunciou na noite de anteontem os índices de reajuste para os dois combustíveis. A expectativa era que o impacto para o consumidor ficasse entre 2% e 4% para a gasolina, parte porque há 25% de etanol em cada litro do combustível.
Porém, houve variação também de até 4% para o etanol, encontrado ontem a R$ 2,09. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Rui Cichella, disse ontem que postos com estoques mais cheios poderiam adiar o reajuste, mas que cada um é livre para determinar os preços de acordo com os custos que tem. "As distribuidoras já começaram a repassar aos postos, mas o governo também precisa acertar a pauta de cobrança do ICMS, o que vai impactar no preço final."
Cichella se referiu ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que estabelece a cada mês um preço médio cobrado do consumidor final para a aplicação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "Normalmente, eles usam uma média que fica mais cara do que a praticada no mercado", criticou.
Apesar de lembrar que os varejistas são livres para definir preços, o presidente do Sindicombustíveis-PR afirmou que os reajustes não deveriam impactar sobre o preço do etanol. "O álcool sobe durante a entressafra ou de acordo com a demanda", disse, antes de completar que, na teoria, um reajuste da gasolina poderia elevar o consumo de etanol.
Para o professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina, o aumento nas refinarias era necessário e ficou abaixo das expectativas de mercado. "Vem em um momento ruim da economia, em que existe recessão técnica e risco de impactar nos custos de produção", disse. Ele lembrou que a inflação está hoje acima dos 6,5% do teto da meta estipulado pelo Banco Central.
O economista considerou que o reajuste do diesel é até mais preocupante do que o da gasolina, por ter reflexo sobre o custo do transporte de boa parte da produção brasileira. Mesmo assim, descartou um efeito cascata. "O segmento produtivo reconhece que esse aumento é corretivo e não cria uma expectativa inflacionária."
A previsão é que o reajuste da gasolina anunciado pela Petrobras implique em até 0,12 ponto porcentual à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo cálculo da coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos. Já o aumento de 5% para o diesel será indireto.
Reclamações
Nos postos, os consumidores criticaram o reajuste nas bombas. O técnico administrativo José Antonio dos Santos pesquisou preços antes de abastecer, mas reclamou. "Se o petróleo é brasileiro, a gasolina deveria ser mais barata aqui dentro", disse. Já o funileiro Paulo Cesar Artigiani, que tem um carro a etanol, esperava pelos reflexos sobre o biocombustível. "É sempre assim, o aumento de um segue o do outro." (Com agências)
Fábio Galiotto
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

