NORTE PIONEIRO - Mostra põe cultura indígena em evidência

Visitantes da mostra indígena poderão conhecer parte da cultura guarani, como a dança e o artesanato
Tomazina - Valorizar a cultura indígena. Este é o objetivo da 1ª Mostra Cultural Guarani Nhandewa, que está sendo realizada até esta sexta-feira na Terra Indígena (TI) de Pinhalzinho, que fica entre os municípios de Tomazina e Guapirama, no Norte Pioneiro. O evento reúne artesanato e costumes das tribos guaranis de Pinhalzinho, Iwy Porã, do município de Abatiá; Laranjnha, de Santa Amélia; e a São Jerônimo, de São Jerônimo da Serra. Colares de ossos e sementes, enfeites de penas para colocar no cabelo, cestos de palha, tudo está em exposição na aldeia e sendo comercializado aos visitantes que prestigiam a mostra. Além das belezas da cultura indígena, quem passa por lá pode ainda observar vários materiais arqueológicos que foram encontrados e coletados na T.I. Laranjinha.
Dança, música e artesanato fazem parte da cultura milenar dos índios. Com a proximidade das cidades e a necessidade de viver perto dos não índios, no entanto, muito desta cultura está se perdendo. De acordo com o cacique da T.I. Pinhalzinho, Sebastião Mário Alves, 60 anos, ou Mimbydjú em guarani, o objetivo do evento é mostrar que a cultura indígena está viva. "Esta também foi uma forma que encontramos para estimular o índio a produzir artesanato e fazer com que ele sinta orgulho desta tradição", complementa.
Mimbydjú explica que o índio mudou a sua forma de viver ao longo dos anos e isso interferiu até mesmo na forma de fazer artesanato. "Hoje usamos muito as penas de galinha porque não há mais caça em abundância como era antes. Temos a preocupação em preservar os animais e proteger as matas e isso é ensinado para todos, até às crianças", explica.
O cuidado com a natureza se estende à produção de alimentos. "O veneno que a gente usa na plantação de arroz, feijão, milho e mandioca é natural, produzimos com folha de urtiga para não jogar veneno na terra", complementa. Para o cacique o que a cultura indígena tem de mais bonito é a língua e o modo de viver. "As tradições, a natureza em volta da casa, o vento batendo no rosto, os passarinhos, tudo isso é muito bonito e precisa ser preservado", afirma.
O vice-cacique da TI Laranjinhas, Valdecir Mendes Rodrigues, 44 anos, ou Awa-Nimbydjeré em guarani, explica que a proximidade das aldeias com a cidade faz com que a cultura do índio se perca. "A aldeia está cercada pela cidade. As crianças estudam na terra indígena só até o quarto ano do ensino fundamental, depois eles precisam estudar na cidade. Eles vão muito cedo para lá e isso interfere na nossa cultura, o ideal seria que eles estudassem na aldeia até os 18 anos e só fossem para a cidade para fazer faculdade", defende. Por conta da perda da identidade indígena, ele valoriza a realização de eventos como a mostra. "Precisamos resgatar a cultura indígena e mostrar para as crianças que temos orgulho de sermos índios. Esta é uma forma de alcançar este objetivo", ressalta.
O cacique da TI de Iwy Porã, Uanderson Jacinto Camargo, 23 anos, ou Awa Nimoendy em guarani, destaca que a cultura é uma forma de preservar a identidade. "A gente se adapta ao mudo de hoje mas não esquece que é índio", justifica. Ele acrescenta que a cultura está adormecida dentro de muitos índios e que esse resgate é fundamental. "O índio hoje não é o mesmo de 500 anos atrás. Não se caça e pesca como antes, aprendemos a criar o animal doméstico para consumo, mas ainda assim, precisamos manter algumas tradições", destaca. Para ele a mostra é uma forma de valorizar a cultura do índio e trocar experiência com integrantes de outras terras indígenas.
Dança, música e artesanato fazem parte da cultura milenar dos índios. Com a proximidade das cidades e a necessidade de viver perto dos não índios, no entanto, muito desta cultura está se perdendo. De acordo com o cacique da T.I. Pinhalzinho, Sebastião Mário Alves, 60 anos, ou Mimbydjú em guarani, o objetivo do evento é mostrar que a cultura indígena está viva. "Esta também foi uma forma que encontramos para estimular o índio a produzir artesanato e fazer com que ele sinta orgulho desta tradição", complementa.
Mimbydjú explica que o índio mudou a sua forma de viver ao longo dos anos e isso interferiu até mesmo na forma de fazer artesanato. "Hoje usamos muito as penas de galinha porque não há mais caça em abundância como era antes. Temos a preocupação em preservar os animais e proteger as matas e isso é ensinado para todos, até às crianças", explica.
O cuidado com a natureza se estende à produção de alimentos. "O veneno que a gente usa na plantação de arroz, feijão, milho e mandioca é natural, produzimos com folha de urtiga para não jogar veneno na terra", complementa. Para o cacique o que a cultura indígena tem de mais bonito é a língua e o modo de viver. "As tradições, a natureza em volta da casa, o vento batendo no rosto, os passarinhos, tudo isso é muito bonito e precisa ser preservado", afirma.
O vice-cacique da TI Laranjinhas, Valdecir Mendes Rodrigues, 44 anos, ou Awa-Nimbydjeré em guarani, explica que a proximidade das aldeias com a cidade faz com que a cultura do índio se perca. "A aldeia está cercada pela cidade. As crianças estudam na terra indígena só até o quarto ano do ensino fundamental, depois eles precisam estudar na cidade. Eles vão muito cedo para lá e isso interfere na nossa cultura, o ideal seria que eles estudassem na aldeia até os 18 anos e só fossem para a cidade para fazer faculdade", defende. Por conta da perda da identidade indígena, ele valoriza a realização de eventos como a mostra. "Precisamos resgatar a cultura indígena e mostrar para as crianças que temos orgulho de sermos índios. Esta é uma forma de alcançar este objetivo", ressalta.
O cacique da TI de Iwy Porã, Uanderson Jacinto Camargo, 23 anos, ou Awa Nimoendy em guarani, destaca que a cultura é uma forma de preservar a identidade. "A gente se adapta ao mudo de hoje mas não esquece que é índio", justifica. Ele acrescenta que a cultura está adormecida dentro de muitos índios e que esse resgate é fundamental. "O índio hoje não é o mesmo de 500 anos atrás. Não se caça e pesca como antes, aprendemos a criar o animal doméstico para consumo, mas ainda assim, precisamos manter algumas tradições", destaca. Para ele a mostra é uma forma de valorizar a cultura do índio e trocar experiência com integrantes de outras terras indígenas.
Michelle Aligleri
Reportagem local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem local-FOLHA DE LONDRINA

