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Principais candidatos fecham campanha no vermelho

Nas campanhas ao governo do Estado, Beto, Requião e Gleisi não conseguiram arrecadação suficiente para pagar despesas

Theo Marques/27-10-14
 
Os três principais candidatos ao governo do Paraná nas eleições de outubro arrecadaram menos do que gastaram em suas campanhas. Entre os "nanicos", Tulio Bandeira (PTC) também ficou no vermelho. O governador reeleito, Beto Richa (PSDB), foi o que mais arrecadou – quase R$ 26 milhões, mas sua dívida foi a segunda maior, de R$ 3,7 milhões. A candidata do PT, a terceira mais votada, teve o segundo maior gasto, de quase R$ 27 milhões, e ficou com a maior dívida de campanha, de aproximadamente R$ 6 milhões. Tanto Beto quanto Gleisi haviam declarado R$ 36 milhões como limite de gastos.

O senador Roberto Requião (PMDB), segundo mais votado, gastou R$ 11,8 milhões e arrecadou R$ 10,2 milhões, ficando, portanto, com dívida de quase R$ 1,6 milhão. Tulio Bandeira arrecadou R$ 227 mil e gastou R$ 236 mil. Ogier Buchi (PRP) e Geonísio Marinho (PRTB) gastaram exatamente o que arrecadaram, respectivamente R$ 66,8 mil e R$ 22,7 mil. Bernardo Pilotto (PSOL) arrecadou R$ 6,7 mil e gastou R$ 6 mil e Rodrigo Tomazini (PSTU), de um único doador, recebeu R$ 650 e gastou R$ 506.

O coordenador de comunicação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Marden Machado, disse que fechar as contas com dívidas não significa a reprovação delas. "O candidato terá de pagar o que deve, mas, para efeito de análise eleitoral, interessa saber se a documentação está correta do ponto de vista contábil", explicou.

BETO RICHA
Beto Richa contou com bancos e instituições financeiras entre os doadores de maior vulto em sua campanha pela reeleição. O Banco BTG Pactual e o BTG Pactual Serviços Financeiros repassaram, cada um, R$ 1 milhão para as contas do tucano. Nos dois casos, as transações foram feitas via diretório nacional do PSDB.

Integram a lista dos doadores milionários a Fresnomaq Indústrias de Máquinas (R$ 1,3 milhão, a maior quantia em um único repasse) e a JBS S/A, dona da Friboi, uma das maiores empresas do ramo alimentício do mundo (R$ 1 milhão). Ainda integram o rol de instituições financeiras o Bradesco Vida e Previdência, com R$ 500 mil, e o Itaú Unibanco, com R$ 300 mil.

Outras empresas, como a Moinho Iguaçu Agroindustrial, por exemplo, fizeram repasses em parcelas – a companhia doou R$ 1 milhão ao tucano em dois repasses de R$ 500 mil. A Transporte Gralha Azul do Brasil também fez dois repasses, nos valores de R$ 300 mil em agosto e de R$ 150 mil outubro.

Ainda compõem o caixa de campanha os repasses feitos via diretórios do PSDB nacional (R$ 4,1 milhões), estadual (R$ 3,4 milhões) e municipal (R$ 66 mil).

REQUIÃO
O maior doador direto da campanha de Requião foi o frigorífico JBS (Friboi), que injetou R$ 1,5 milhão. Por meio do PMDB, o candidato recebeu R$ 2,6 milhões, sendo R$ 1 milhão do grupo BTG Pactual, R$ 500 mil da empresária do ramo de transportes costeiros Zuleika Torrealba, R$ 100 mil da Klabin e outros R$ 500 mil da Friboi.

Outras grandes doações vieram da campanha de Michel Temer (PMDB) à reeleição como vice-presidente de Dilma Rousseff (PT): R$ 500 mil da OAS, R$ 400 mil da JBS e R$ 200 mil da Amil Assistência Médica. A campanha de Dilma fez repasse de R$ 6 mil a Requião, mesmo com candidata própria no Estado. Outros R$ 6 mil vieram da campanha vitoriosa à Câmara Federal do sobrinho de Requião, João Arruda. De três diferentes distribuidoras de pneus, o peemedebista conseguiu arrecadar R$ 1,4 milhão.

A direção estadual do PMDB doou R$ 400 mil a Requião, sendo metade da indústria de bebidas CRBS e metade da Gerdau. Entre os doadores diretos, o candidato derrotado ao Senado Marcelo Almeida (PMDB) foi o segundo maior doador (atrás da JBS). Também estão na lista de doadores diretos a Proaço (R$ 400 mil); a construtora Triunfo (R$ 50 mil); Condor Super Center (R$ 100 mil); Cattalini Terminais Marítimos (R$ 100 mil); Prati Donaduzzi (R$ 40 mil). Entre os doadores pessoais, estão Maurício Requião (R$ 15 mil), irmão do senador, e os correligionários Osmar Serraglio (R$ 3,5 mil) e Nereu Moura (R$ 2,7 mil).

GLEISI
A maior parte dos R$ 21 milhões arrecadados pela campanha da senadora petista veio por transferência da direção nacional de seu partido, que obteve doações junto a empresas, especialmente construtoras. O PT repassou R$ 15,3 milhões para Gleisi. Entre os doadores diretos estão na lista a JBS, que transferiu R$ 8,5 milhões à campanha petista; a Sanches Tripolini (R$ 1,9 milhão); e a CR Almeida (R$ 950 mil).

A direção estadual do PT repassou R$ 1,5 milhão para Gleisi, cujos doadores originais são o Banco BTG Pactual (R$ 400 mil), a Cosan Lubrificantes (R$ 200 mil), a fabricante de medicamentos Prati Donaduzzi (R$ 70 mil) e a JBS (R$ 50 mil). A maior doadora direta de Gleisi foi a Construtora Triunfo, que contribuiu com R$ 1,5 milhão, além de R$ 500 mil doados à direção estadual do partido. O comitê de reeleição da presidente Dilma doou quase R$ 500 mil à campanha de Gleisi. O restante dos recursos, em quantias menores, provem de empresas e pessoas físicas, notadamente membros do partido.

Chama a atenção que algumas empresas fizeram doações a pelos menos dois dos três candidatos mais votados: JBS, Cosan, Pactual, Andrade Gutierrez e Triunfo.

‘PREÇO DO VOTO’
Considerando o valor total gasto na campanha eleitoral deste ano, cada um dos 5,9 milhões de votos custou R$ 11,60. O voto mais caro foi aquele dado ao PT, já que a campanha custou quase R$ 27 milhões e Gleisi fez 881 mil votos: cada voto custou R$ 30,56. O voto dado a Tulio Bandeira custou R$ 17,03, o segundo mais caro. Em seguida estão os votos dados a Beto (R$ 8,98); Requião (R$ 7,26); Geonísio (R$ 3,11); Ogier

(R$ 1,32); Pilotto (R$ 0,17); e Tomazini (R$ 0,09).

PARLAMENTARES
No Paraná, 87 dos 345 candidatos a deputado federal e 195 dos 850 candidatos a deputado estadual não haviam entregue suas declarações no prazo exigido pelo TSE.




Loriane Comeli e Luís Fernando Wiltemburg
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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