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Corrupção atingiu concessão de benefícios fiscais

Em novo depoimento ao Gaeco, Luiz Antonio de Souza envolve nome da "alta cúpula" da Receita Estadual do Paraná em esquema fraudulento

Ricardo Chicarelli
Luiz Antonio de Souza deixa o Gaeco: delator negou intervenção da primeira-dama Fernanda Richa na promoção de auditores
O esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná teria contado com o apoio da "alta cúpula" do órgão na análise da concessão de benefícios fiscais a empresas que se instalaram no Estado. A informação foi confirmada ao Ministério Público (MP) do Paraná, ontem, pelo auditor fiscal Luiz Antonio de Souza, preso desde janeiro, que assinou acordo de delação premiada. Depois de seis horas no MP, ele saiu sem falar com a imprensa. Apenas o advogado Eduardo Duarte Ferreira deu entrevista.

Segundo Ferreira, Souza revelou novos fatos e apontou pelo menos um novo nome, ainda não investigado nas duas fases da operação Publicano, e que teria atuado até o ano passado no setor que analisa concessão de benefícios fiscais. "Ele forneceu dados relevantíssimos sobre o atual corpo da IGF (Inspetoria Geral de Fiscalização) que tem fortes ligações com um auditor que foi preso, e que essa pessoa fazia parte da análise de benefícios fiscais." O nome não foi falado.

O advogado disse que Souza citou "textualmente" ao MP um caso em que foi paga a propina, com a participação da "alta cúpula" da Receita, envolvendo os benefícios fiscais. A promotora de Justiça, Leila Schimit, informou que se houver indícios de que a irregularidade partiu da cúpula, em Curitiba, essa parte da investigação pode ser remetida para o MP da capital. "Vai depender do que será apurado aqui."

A reportagem tentou falar ontem com o coordenador da Receita Estadual (CRE), Gilberto Calixto, para repercutir as declarações de Souza, mas o expediente já havia se encerrado.

DOAÇÃO PARA PROVOPAR

De acordo com o depoimento de Luiz Antonio de Souza ao MP, os pedaços de papel com números de contas bancárias do Banco do Brasil, encontrados no apartamento do ex-inspetor geral da Receita Márcio de Albuquerque Lima, de Londrina, referem-se às doações feitas pelos auditores ao Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) e também a candidatos que disputaram a eleição no ano passado. Conforme o advogado, nas doações à entidade, Souza negou que houvesse interesse em conseguir promoções para a categoria por meio de uma suposta intervenção da primeira-dama e secretária da Família, Fernanda Richa. "Ele nega a participação da primeira-dama, textualmente."

A reportagem não conseguiu falar com o sindicato. Porém, em nota publicada no portal no mês de maio, o Provopar confirma que mantém parceria "lícita e transparente" com o sindicato da categoria. O MP já tem inquérito instaurado sobre o caso, na capital.

Sobre as doações de campanha, Ferreira informou que eram de "livre escolha" dos auditores, mas com a intenção de conseguir "força política".
Edson Ferreira
Reportagem Local-folha de londrina
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