Empreiteiras sabiam de propina na Petrobras
Segundo PF, presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez foram presos porque conheciam corrupção na estatal e prosseguiram com o crime

Força-tarefa da Lava Jato durante coletiva em Curitiba: estimativa de que empreiteiras movimentaram ao menos R$ 720 milhões em propina na Petrobras
Curitiba – A Polícia Federal (PF) prendeu ontem, durante a deflagração da 14ª fase da Lava Jato, os presidentes da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrech, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, as duas maiores empreiteiras do País. Segundo os investigadores, os executivos não só tinham pleno conhecimento do esquema de pagamento de propinas na Petrobras, como mesmo após o início da operação, no ano passado, teriam prosseguido com a prática criminosa.
"Há indícios bem concretos de que os presidentes tinham o domínio de tudo o que acontecia nas empreiteiras de uma forma geral, como em algum momento também tiveram contato ou participaram de negociações que resultaram em atos de formação de cartel, direcionamento de licitações e mesmo a destinação de recursos para pagamento de corrupção", afirmou o delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Lava Jato.
Ao todo, a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba expediu 12 mandados de prisão. Além dos dois presidentes das empresas, também foram presos Roberto Dalmazzo, Márcio Faria da Silva, Alexandrino de Salles, Rogério Santos de Araújo, João Antônio Bernardes e Cristiana Maria da Silva Jorge, todos ligados à Odebrecht; e Elton Negrão de Azevedo Jr, Antônio Pedro Campelo de Souza e Flávio Lucio Magalhães, da Andrade Gutierrez. César Ramos Rocha, diretor-financeiro da Odebrecht, ainda não tinha sido localizado até o final de tarde de ontem. Todos os detidos foram encaminhados para a carceragem da Superintendência da PF, em Curitiba. Os executivos são suspeitos de crime de formação de cartel, fraude em licitações, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
As investigações apontaram que as duas empreiteiras promoveram o pagamento de propina por meio de empresas offshore em contas no exterior que pertenciam a pelo menos dois diretores da Petrobras (Paulo Roberto Costa e Renato Duque); além do ex-gerente de Serviços Pedro Barusco. Informações colhidas na Suíça, Panamá e Mônaco embasaram os pedidos de prisão. Conforme a PF, a Odebrecht utilizava, na sua maioria, os "serviços" do operador Bernardo Freiburghaus, que está foragido. Já a Andrade Gutierrez, "trabalhava" com Fernando Soares, o "Baiano", Mário Góes e Milton Pascowicth, dependendo para qual diretoria da estatal iria ser destinada a propina.
"Os presidentes das empreiteiras sabiam exatamente o que acontecia porque este modo de recorrer à corrupção era institucionalizado nas duas empresas. E, diante de tudo que aconteceu até agora não houve nenhuma mudança na atitude das empresas para solucionar estas questões, de tentar demonstrar que esta conduta não era generalizada nas empresas. Infelizmente, isso nos leva a concluir que, na verdade, era um procedimento empresarial atuar desta maneira", disse o delegado.
Nesta fase, a PF analisou contratos da Andrade Gutierrez com a Petrobras que somam R$ 9 bilhões, e da Odebrecht no valor de R$ 17 bilhões. Considerando a informação de delatores de que a propina equivaleria a 3% dos contratos, as autoridades estimam que o esquema tenha movimentado ao menos R$ 720 milhões em propina, sendo R$ 210 milhões em relação aos contratos da Andrade Gutierrez; e R$ 510 milhões da Odebrecht. Mas estes não são valores finais alertou a PF.
Além do vasto material apreendido, o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Carlos Fernando dos Santos Lima, ressaltou que com informações prestadas por colaboradores foi possível identificar empresas offshore que realizaram os pagamentos no exterior a mando das duas empreiteiras. Era um esquema mais sofisticado do que o identificado nas empreiteiras investigadas na sétima fase da operação, que faziam o pagamento de propinas via empresas nacionais, muitas delas controladas pelo doleiro Alberto Youssef.
"Além das notas de transferências bancárias e outros documentos apreendidos, os colaboradores contam uma história coerente e repetida sobre pagamentos no exterior por parte destas empresas. E, com base neste elementos conseguimos montar um quebra-cabeça mais claro", destacou.
"Há indícios bem concretos de que os presidentes tinham o domínio de tudo o que acontecia nas empreiteiras de uma forma geral, como em algum momento também tiveram contato ou participaram de negociações que resultaram em atos de formação de cartel, direcionamento de licitações e mesmo a destinação de recursos para pagamento de corrupção", afirmou o delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Lava Jato.
Ao todo, a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba expediu 12 mandados de prisão. Além dos dois presidentes das empresas, também foram presos Roberto Dalmazzo, Márcio Faria da Silva, Alexandrino de Salles, Rogério Santos de Araújo, João Antônio Bernardes e Cristiana Maria da Silva Jorge, todos ligados à Odebrecht; e Elton Negrão de Azevedo Jr, Antônio Pedro Campelo de Souza e Flávio Lucio Magalhães, da Andrade Gutierrez. César Ramos Rocha, diretor-financeiro da Odebrecht, ainda não tinha sido localizado até o final de tarde de ontem. Todos os detidos foram encaminhados para a carceragem da Superintendência da PF, em Curitiba. Os executivos são suspeitos de crime de formação de cartel, fraude em licitações, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
As investigações apontaram que as duas empreiteiras promoveram o pagamento de propina por meio de empresas offshore em contas no exterior que pertenciam a pelo menos dois diretores da Petrobras (Paulo Roberto Costa e Renato Duque); além do ex-gerente de Serviços Pedro Barusco. Informações colhidas na Suíça, Panamá e Mônaco embasaram os pedidos de prisão. Conforme a PF, a Odebrecht utilizava, na sua maioria, os "serviços" do operador Bernardo Freiburghaus, que está foragido. Já a Andrade Gutierrez, "trabalhava" com Fernando Soares, o "Baiano", Mário Góes e Milton Pascowicth, dependendo para qual diretoria da estatal iria ser destinada a propina.
"Os presidentes das empreiteiras sabiam exatamente o que acontecia porque este modo de recorrer à corrupção era institucionalizado nas duas empresas. E, diante de tudo que aconteceu até agora não houve nenhuma mudança na atitude das empresas para solucionar estas questões, de tentar demonstrar que esta conduta não era generalizada nas empresas. Infelizmente, isso nos leva a concluir que, na verdade, era um procedimento empresarial atuar desta maneira", disse o delegado.
Nesta fase, a PF analisou contratos da Andrade Gutierrez com a Petrobras que somam R$ 9 bilhões, e da Odebrecht no valor de R$ 17 bilhões. Considerando a informação de delatores de que a propina equivaleria a 3% dos contratos, as autoridades estimam que o esquema tenha movimentado ao menos R$ 720 milhões em propina, sendo R$ 210 milhões em relação aos contratos da Andrade Gutierrez; e R$ 510 milhões da Odebrecht. Mas estes não são valores finais alertou a PF.
Além do vasto material apreendido, o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Carlos Fernando dos Santos Lima, ressaltou que com informações prestadas por colaboradores foi possível identificar empresas offshore que realizaram os pagamentos no exterior a mando das duas empreiteiras. Era um esquema mais sofisticado do que o identificado nas empreiteiras investigadas na sétima fase da operação, que faziam o pagamento de propinas via empresas nacionais, muitas delas controladas pelo doleiro Alberto Youssef.
"Além das notas de transferências bancárias e outros documentos apreendidos, os colaboradores contam uma história coerente e repetida sobre pagamentos no exterior por parte destas empresas. E, com base neste elementos conseguimos montar um quebra-cabeça mais claro", destacou.
EMPRESAS
Em nota, a Odebrecht disse que a ação policial é desnecessária porque a empresa e seus executivos sempre estiveram à disposição para esclarecimentos, colaborando com as investigações. Já a Andrade Gutierrez negou relação com os fatos investigados na Lava Jato, e que espera "esclarecer todos os questionamentos da Justiça o mais rápido possível".
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-folha de londrina
Reportagem Local-folha de londrina


