Gaeco cumpre mandado de busca em gabinete de deputado



Gilberto Ribeiro (PRB) é suspeito de se apropriar de parte dos salários de duas ex-funcionárias da Assembleia Legislativa

Pedro Oliveira/Alep
"Que a verdade apareça e que a Justiça prevaleça", afirmou Gilberto Ribeiro, ao negar as acusações

Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP) do Paraná, cumpriu ontem mandados de busca e apreensão na residência, no gabinete do deputado estadual Gilberto Ribeiro (PRB) e na 3ª Vice-Presidência da Assembleia Legislativa (AL), ocupada por ele. Equipes do órgão chegaram à Casa por volta das 8 horas e apreenderam documentos, computadores e comprovantes bancários. O objetivo é apurar possível apropriação, por parte do parlamentar, de valores de pelo menos duas servidoras da AL que trabalhavam para o político. Os policiais do Gaeco também estiveram na casa da chefe de gabinete de Ribeiro.
O coordenador estadual do Gaego, Leonir Batisti, não deu detalhes sobre a operação. Segundo ele, como as denúncias dizem respeito a uma "autoridade política", a situação está na mesa do procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia. Batisti não quis comentar se o MP investiga outros casos de parlamentares que ficam com parte dos vencimentos de seus funcionários. Disse apenas que sempre que denúncias nesse sentido chegam ao Ministério Público, elas são apuradas. As investigações vieram à tona em novembro do ano passado, quando uma das então funcionárias prestou depoimento no Gaeco e autorizou a quebra do próprio sigilo bancário para comprovar a suposta irregularidade.
O deputado chegou à sessão plenária de ontem pouco mais de uma hora após o início, às 15h30, e logo subiu à tribuna para negar as acusações. "Eu peço a quem está nos acompanhando, aquelas pessoas que conhecem a trajetória do Gilberto Ribeiro, que me deem um voto de confiança. É isso que a gente pede. Nas redes sociais, as pessoas acabam lendo a manchete e imediatamente já vem a condenação. Eu repito: a investigação do Ministério Público é mais do que necessária. Mas o slogan do Gilberto Ribeiro continua o mesmo: que a verdade apareça e que a Justiça prevaleça", afirmou. Mais cedo, sua assessoria havia emitido nota, informando que agendas, fichas financeiras, planilhas, holerites e registros documentais foram disponibilizados ao Gaeco.
O parlamentar contou ainda que os policiais apreenderam em sua residência R$ 1.700, que ele havia sacado no dia anterior, em uma agência bancária localizada na AL. O dinheiro seria fruto da comissão que recebe no Grupo RIC, em Curitiba, onde atua como radialista e apresentador. "Aliás, não sei se vou continuar lá trabalhando, porque ligam uma coisa com a outra e eu entendo aqui o lado empresarial do doutor Leonardo Petrelli (presidente da empresa). Se for para o bem da emissora, a gente continua, agora, ficar ligando corrupção, ladroagem, roubalheira, ao veículo de comunicação, eu após 36 anos trabalhando em veículos de comunicação, prefiro me afastar, e quem sabe amanhã ou depois voltar, com a cabeça erguida", prosseguiu. Ribeiro frisou que suas duas únicas fontes de renda são a Assembleia e a TV.

REPERCUSSÃO
O presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), se disse muito preocupado com a situação, no entanto, afirmou que não cabe à AL conduzir as investigações. "Não posso entrar na vida do parlamentar. Eu já afirmei aqui que o deputado tem responsabilidade total sobre o seu gabinete. Portanto, não tenho como fazer checagem nesse sentido. Acho que é uma denúncia grave, claro, o momento é crítico. Há uma repulsa hoje da sociedade como um todo em relação à classe política. Eu realmente me preocupo muito como presidente de um poder. Agora, também não vou entrar no mérito da defesa. Acredito que se for comprovado, deve ser punido", comentou.
Já o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Pastor Edson Praczyk (PRB), que é correligionário de Ribeiro, preferiu não se pronunciar a respeito. De acordo com ele, a comissão só age quando "provocada". O próprio Praczyk já foi alvo de uma apuração do Gaeco, apontando que contratou companheiras de pastores da igreja evangélica da qual participa como "funcionárias fantasmas". Conforme reportagem exibida pelo telejornal Paraná TV em maio de 2015, o político e o servidor da AL Luis Alberto de Lima tiveram R$ 308,4 mil de seus bens bloqueados pela Justiça. Ele também nega qualquer irregularidade.
Mariana Franco Ramos e Adriana De Cunto
Reportagem Local
FOLHA DE LONDRINA
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