Macri anuncia tarifaço no transporte e prevê mais altas



Buenos Aires - O governo da Argentina anunciou ontem que vai dobrar as tarifas de ônibus e trens da Grande Buenos Aires. Esta é mais uma medida do pacote de reajustes de preços de serviços públicos básicos do presidente Mauricio Macri. O tarifaço começou no fim de janeiro, quando foi anunciado um aumento de até 500% na energia elétrica. O governo Macri, de centro-direita, atribui os aumentos à inflação no período e aos subsídios concedidos pelos seus antecessores, Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015).
A partir de 8 de abril, a seção mais barata dos ônibus da região metropolitana de Buenos Aires passará de 3 pesos (cerca de R$ 0,75) para 6 pesos. O mesmo acontecerá nos trens, em que o trecho mais barato avança de 1,10 peso (R$ 0,27) para 2 pesos.
Em Buenos Aires, não há tarifa única para os dois modais - o preço da passagem é cobrado conforme o trajeto. Em junho, será a vez de o metrô, administrado pela chefia de governo da cidade, passar de 5 para 7,50 pesos. Apesar do aumento, aposentados, beneficiários de programas sociais terão direito a uma tarifa social, 55% mais barata que a modal.
Hoje, quando Macri estará nos Estados Unidos na Cúpula de Segurança Nuclear, seu governo deve fazer mais alguns anúncios desagradáveis. Os preços dos serviços de água e gás deverão ter altas de 500% e 300%, respectivamente. Apesar de os valores serem baixos em relação a outras cidades argentinas e sul-americanas, os aumentos desagradam a população. O funcionário de uma companhia de limpeza Ezequiel Viñales, de 26 anos, reclamava ao esperar o ônibus para ir para casa no fim da tarde de quinta. "Dói pagar mais. E o dinheiro só aumenta no bolso dos políticos", disse ele, que não recebe auxílio transporte da empresa e gasta 7 pesos por dia de passagem. O anúncio dos aumentos levou argentinos às ruas de Buenos Aires para protestar contra o governo.
O reajustes vão impactar na inflação do país, que apenas em março deverá ficar entre 2,5% e 3,5%, de acordo com diferentes consultorias. Para o acumulado dos últimos 12 meses, as estimativas variam de 32% a 35% - a meta para 2016 é de 25%.
O governo afirma que sua intenção com o aumento acelerado de preços é reduzir o gasto com subsídios e, com ele, o deficit fiscal. Macri quer terminar seu mandato, em 2019, com um deficit de 0,9% do PIB, contra 7,1% registrado no ano passado. A retirada dos subsídios era uma das propostas do presidente durante a campanha eleitoral em 2015.
O economista Aldo Pignanelli, presidente do Banco Central do país em 2002, concorda que é necessário diminuir os auxílios financeiros concedidos pelo Estado para segurar o deficit fiscal. Ele diz, no entanto, que seria melhor cortá-los de uma forma mais gradual para o consumidor não ser tão prejudicado. "Mas o governo quer acelerar os ajustes agora para ter uma inflação mais controlada no segundo semestre", disse.
O ministro de Transportes, Guillermo Dietrich, afirmou que o Estado continuará pagando uma parte das tarifas de ônibus e que, se o subsídio fosse retirado por completo, elas custariam 13 pesos.
Luciana Dyniewicz
Folhapress/FOLHA DE LONDRINA
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