‘Mais Médicos’, novas realidades no Norte Pioneiro



Com práticas mais humanizadas da medicina, o médico cubano Camilo Perez tem contribuído para a melhoria na qualidade de vida dos moradores em distritos de Santa Mariana

Fotos: José Ricardo Lima/Divulgação
Caminhadas, atividades recreativas e um farto café da manhã fazem parte do programa de atendimento implantado por doutor Camilo nas UBS dos distritos de Panema e Quinzópolis

Santa Mariana – Com um trabalho mais voltado à prevenção, desde que chegou a Santa Mariana, em abril de 2014, o médico cubano Camilo Francisco Ramos Perez, 45 anos, vem devolvendo a autoestima aos cerca de 4 mil moradores dos distritos de Panema e Quinzópolis. Ele é um dos integrantes do programa "Mais Médicos" do Governo Federal que atua no Norte Pioneiro. Natural de Santiago de Cuba, onde estudou e trabalhou no início da carreira, doutor Camilo, como tornou-se conhecido nas duas comunidades, é especialista em Saúde da Família e acumula 21 anos de trabalho em Cuba, Venezuela e Brasil, onde chegou no ano passado.
Em Santa Mariana escolheu trabalhar nos distritos exatamente pela falta de médicos nessas localidades. Quando começou as consultas, percebeu que acertou na escolha. "Nessas comunidades todos se conhecem e eles assimilaram muito rápido nosso programa de atendimento. Até agora, tudo caminha muito bem com uma reciprocidade incrível. Estou muito feliz e realizado em Santa Mariana."
Ao lado da enfermeira padrão Aline Kety Sano, o médico atende uma média de 10 a 15 pessoas por dia nas recém-inauguradas unidades básicas de saúde (UBS) construídas nos dois distritos. No inicio, a média de atendimento semanal era de 57 pessoas. "Depois esse número foi diminuindo para 30, 40 e hoje as consultas são em sua grande maioria de prevenção", conta. Adepto da medicina primária, iniciada na Rússia em 1978, em que a prevenção de doenças resolve a grande maioria das enfermidades, ele destaca que em muitos casos a pessoa sofre de depressão, ansiedade e precisa da medicina mais humanizada. "As atividades que desenvolvemos na comunidade contribuem para o aumento da autoestima, da confiança, da certeza de que tudo pode ser resolvido com o tempo", resume.
O médico destaca ainda que procura a atender a todos sem distinção. "Muitas vezes a pessoa procura o médico só para ter certeza que está bem. Quando iniciamos nosso trabalho tinha uma senhora que vinha todos os dias para consulta e sempre com um problema novo. Aos poucos fui percebendo que o que ela queria era ver o médico e conversar com ele. Depois gradativamente as consultas foram ficando mais raras até que ela se firmou como integrante de nossas atividades", conta.

SALÁRIO
Questionado sobre os salários que os médicos cubanos recebem para trabalhar no Brasil e em outros países, doutor Camilo cita que em Cuba a medicina é voltada estritamente ao atendimento ao povo. Todo o curso de medicina e as pós-graduações são custeadas pelo governo que mantém um dos melhores sistemas de prevenção de saúde no mundo. Dos R$ 10 mil por profissional cubano que o governo brasileiro repassa para a Organização Pan-Americana de Saúde, doutor Camilo e sua família ficam com cerca de R$ 2,3 mil. O restante é retido por Cuba, pois durante os três anos que os médicos ficam aqui no Brasil, continua depositando o salário deles. "O que vai para lá será reinvestido na área de saúde. Não é para mim. É para todo mundo", explica o médico, sem se mostrar incomodado com o valor.
Marcos André de Brito
Especial para a FOLHA
FONTE - FOLHA DE LONDRINA
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