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Papa visita campo de refugiados em ilha da Grécia


Andrea Bonetti/AFP
Agenda de Francisco incluiu encontro com crianças que estão no campo de refugiados de Moria

Berlim, Alemanha - O papa Francisco visitou ontem a ilha grega de Lesbos para dar apoio aos milhares de refugiados detidos após a entrada em vigor do controverso acordo entre União Europeia (UE) e Turquia para conter o fluxo migratório no continente.
No que chamou de "viagem da tristeza" antes de sua chegada, o pontífice se encontrou com cerca de 250 detentos do campo de Moria - em sua maioria sírios que entraram com pedido de asilo na Grécia - e conheceu um grupo de menores que fizeram a travessia do Mar Egeu desacompanhados. "Vocês não estão sozinhos", disse Francisco em sua saudação. "Esta é a mensagem que desejo deixar a vocês: não percam a esperança!"
Os menores foram colocados na entrada de Moria, e algumas seguravam bandeiras da Síria. Ao lado do premiê grego, Alexis Tsipras, e do patriarca Bartolomeu, líder da Igreja Ortodoxa, o papa cumprimentou refugiados, que ficaram atrás de uma barreira de metal, e afagou o rosto de alguns crianças. Tsipras disse a Francisco que "esta é a ilha que tem suportado todo o peso da Europa em seus ombros". Dos cerca de 1,1 milhão de pessoas que chegaram ao continente no ano passado, 850 mil entraram pela Grécia, e a principal porta de entrada é Lesbos, por estar a menos de 30 km do litoral turco.
A Grécia tem hoje cerca de 53 mil refugiados vivendo em seu território, dos quais em torno de 5 mil chegaram após o dia 20 de março, data de início do acordo UE-Turquia, e estão retidos nas ilhas do Egeu. Pelo pacto, esse contingente está sujeito a ser deportado de volta para solo turco, mas tem direito a pedir asilo e, se for aceito, permanecer na Grécia.
As entidades de direitos humanos têm criticado as condições no campo de Moria. O acesso a jornalistas não é permitido, mas funcionários dessas organizações de ajuda afirmaram que, para a visita do papa, paredes foram pintadas, o sistema de esgoto foi reparado e dezenas de detentos foram transferidos para outro centro, que não será visitado pelo papa.
Juliano Machado
Folhapress
FOLHA DE LONDRINA

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