PM pretende fazer operação de desarmamento em área de conflito



Medida será colocada em prática após desenrolar de investigações sobre suposto confronto entre policiais e sem-terra

Ricardo Chicarelli/18-8-2015
Segundo o Incra, MST solicitou a presença da Força Nacional de Segurança na área e agilidade no assentamento de 14 mil famílias sem-terra no Estado

Curitiba – A Polícia Militar (PM) do Paraná espera o desenrolar das investigações sobre o suposto confronto entre policiais e sem-terra, ocorrido na semana passada, em Quedas do Iguaçu (Centro-Oeste), para realizar uma operação de desarmamento nas áreas da empresa Araupel ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O problema aconteceu na tarde da última quinta-feira, quando dois sem-terra morreram baleados e sete pessoas ficaram feridas, sendo seis trabalhadores rurais e um PM. O major da PM Valdir Carvalho de Souza, coordenador especial de Mediação dos Conflitos da Terra (Coorterra) disse que foram gerados cerca de 30 boletins de ocorrências naquela área, como queixas de disparos de arma de fogo. As reclamações estão direcionados contra o MST e contra a Araupel. Ele não disse quando a operação será realizada, explicando que é preciso acompanhar as investigações que a Polícia Civil está conduzindo. "Nós vamos desencadear a operação no momento certo. Precisamos primeiro que se estabeleça a paz na região", afirmou.
A afirmação foi feita pelo major Carvalho durante reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo (CNCVC), realizada ontem à tarde, na Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba. O encontro foi coordenado pelo Ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, e contou com a presença do superintendente regional do Incra/PR, Nilton Bezerra Guedes, representantes da PM, do Ministério Público Federal, do governo do Estado, entre outros. Convidado para a reunião, o MST mandou representantes que preferiram não participar do encontro aberto e solicitaram audiência fechada com o ouvidor, que aconteceu antes da reunião pública. Na manhã de hoje a comissão fará nova audiência, dessa vez para ouvir a Araupel.
O major Carvalho negou que pretende aproveitar o maior efetivo de policiais, hoje, na área de conflito, para realizar a operação de desarmamento. "O pontual hoje é restabelecer a ordem e o direito de ir e vir da população", ressaltou.
O desembargador Gercino José da Silva Filho pediu propostas que ajudem a garantir a paz nas áreas ocupadas da Araupel. Para o major Carvalho, a solução deve estar na convivência pacífica até que a Justiça decida definitivamente se a área pertence à empresa ou ao governo federal. Ele sugere que a empresa permita que os agricultores permaneçam onde estão, mas que o MST deixe que os trabalhadores da Araupel trabalhem na fazenda com tranquilidade. Já o Ministério Público Federal (MPF) sugeriu que a próxima audiência da comissão seja realizada na região do confronto, propondo a cidade Cascavel.
Nilton Guedes explicou que o MST não participou da audiência porque era uma reunião que envolvia autoridades públicas. Segundo o superintendente do Incra, o MST solicitou a presença da Força Nacional de Segurança na área e pediu agilidade para o assentamento das 14 mil famílias sem-terra no Paraná, sendo duas mil nas fazendas da Araupel. Mesmo sem a presença do MST, o ouvidor geral do Incra avaliou como positiva a audiência de ontem. "Cumpriu o objetivo que é ouvir as sugestões para um possível acordo a ser formulado, envolvendo a empresa Araupel e o MST para convivência pacífica até que a Justiça decida definitivamente se esse imóvel é um imóvel público ou é um imóvel particular", afirmou. "Precisamos ter a colaboração do MST e da empresa no sentido de ambos abrirem mão de alguma coisa para que possamos celebrar esse acordo."
Na opinião do desembargador, o episódio de violência da semana passada foi um ato isolado. "Pelo que vem acontecendo no Paraná, nos últimos tempos, nós entendemos que se trata de um fato isolado porque o governo do Estado, principalmente o governo atual, tem dado um apoio muito grande para essas questões agrárias. Como, por exemplo, a designação de um secretário que trata com exclusividade essas questões e a criação de uma polícia militar agrária."
Adriana De Cunto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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