Microrregião de Londrina é uma das que mais cortaram empregos



Somente Curitiba e Telêmaco Borba tiveram pior desempenho no mercado de trabalho, de janeiro a abril

Rei Santos/03-11-2015
Ao contrário da maioria dos setores da microrregião de Londrina, o serviço de ensino destaca-se com 740 novas contratações

Indústria alimentícia, serviços médicos, odontológicos e veterinários, ensino e agropecuária são atividades que vêm segurando os empregos no interior do Estado. Das 39 microrregiões do Paraná, apenas 14 tiveram saldos negativos de vagas, ou seja, demitiram mais que admitiram no primeiro quadrimestre. Mas, a micro de Londrina, formada por Tamarana, Ibiporã, Cambé, Rolândia e Pitangueira, além de Londrina, não se beneficiou desta boa fase do interior. Pelo contrário, apresentou o terceiro pior resultado, perdendo apenas das micros de Curitiba e Telêmaco Borba.
De janeiro a abril, o Paraná teve um saldo negativo de 5.994 vagas. Setorialmente, o comércio sofreu mais (-7.832), seguido da indústria (-5.994) e construção civil (-2.321). Agropecuária e serviços contrataram mais do que demitiram. O primeiro setor abriu 1.071 vagas novas e o segundo, 4.492. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
A microrregião que apresentou o melhor saldo foi Capanema, no Sudoeste, onde foram criadas 1.824 vagas. Os empregos locais estão relacionados à retomada da obra da Usina Baixo Iguaçu. Já a agroindústria, subsetor da indústria da transformação que gerou 1.605 vagas no Paraná, foi a responsável pelos saldos positivos das demais microrregiões que estão no topo do ranking, como as de Astorga e Maringá.
Na micro de Londrina, ao contrário, a atividade fechou 283 postos no primeiro quadrimestre. Outro subsetor da indústria da transformação que teve desempenho muito ruim na microrregião foi o têxtil, que fechou 301 vagas. A indústria, como um todo, fechou 1.015 vagas e o comércio, 709. A construção civil e os serviços tiveram saldos positivos de 29, no primeiro caso, e de 320, no segundo. Destaque para o serviço de ensino, com 740 vagas novas na micro de Londrina. A agropecuária criou 486 empregos.
O presidente do Sindicato do Vestuário do Norte do Paraná (Sivepar), Alexandre Graziano de Oliveira, afirma que algumas indústrias têxteis foram fechadas na região nos últimos meses. "Nosso setor está numa situação difícil. Aquelas empresas que produzem para os grandes magazines, como Renner e Riachuelo, ainda estão vendendo, mas as de marca própria estão numa situação complicada", afirma.
Para Oliveira, ou o consumidor está sem dinheiro ou está economizando devido à insegurança política e econômica do País. "Ele não deixa de comer, mas deixa de comprar roupa. Pega uma calça e faz uma bermuda", alega. O presidente do Sivepar diz que os negócios melhoraram "um pouco" com a chegada do frio. E apostas suas fichas no segundo semestre. "A tendência é que seja melhor."
Apesar da crise econômica, o setor está se beneficiando com o dólar alto. "Com esse câmbio, nós podemos buscar a exportação. Estamos incentivando as indústrias a fazerem isso." Outra recomendação que o sindicato tem feito é pelo controle dos custos. "Temos de fazer mais com menos", declara.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, acredita que o desemprego está se desacelerando e que as próximas divulgações do Caged vão mostrar essa tendência. "Com a mudança do governo, a gente tem ouvido os empresários mais animados e falando em investir", afirma. Para Orsi, a economia brasileira já chegou ao fundo do poço e agora começará a subir. "Acho que essa sangria do desemprego vai estancar logo e vamos começar a criar novas vagas, ainda que lentamente."

Nelson Bortolin
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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