Depois da chuva, a geada






Apesar do fenômeno, previsto a partir de hoje até o fim da semana, não vir com tanta intensidade, produtores já se preparam para evitar novas perdas

Marcos Zanutto
O olericultor Eliel dos Santos diz que já perdeu muito com as chuvas de janeiro e não deve ter tanto prejuízo com a geada porque os produtos ainda estão pequenos

O clima não tem dado trégua aos produtores rurais nas últimas semanas e, a partir de amanhã, só muda o motivo da dor de cabeça. Depois das chuvas atrapalharem consideravelmente a produção de olerícolas e a colheita de café, agora é a vez das geada trazer prejuízos às lavouras de todo o Estado, começando na madrugada de hoje e prosseguindo até o próximo sábado.
A intensa massa de ar frio e seco atingirá praticamente todo o território paranaense, salvo o extremo Norte e a área litorânea. A geada deve ser mais forte nas regiões Central, Sudoeste, Sul e Campos Gerais, com maior intensidade amanhã e sexta, podendo atingir a marca de -3ºC. No Norte, o fenômeno climático é mais moderado, com variações de 3ºC a 5ºC, o que já pode causar transtornos a algumas lavouras mais sensíveis, principalmente folhagens. As informações são do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar).
Em Londrina, a área de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) ainda não emitiu o alerta geada aos produtores de café porque só faz isso em caso de geadas de forte intensidade, o que não é o caso por aqui nesta semana. Mesmo assim, o recomendado é a medida preventiva: em lavouras de 6 a 24 meses após o plantio, deve-se amontoar terra no tronco até o primeiro par de folhas ou ramos, para proteção das gemas vegetativas. A prática é chamada de "chegamento de terra".
Então, em meados de setembro, é preciso retirar a terra com as mãos. Se esse procedimento não for realizado, as plantas poderão sofrer danos no caule por altas temperaturas. "Serão quatro dias de massa de ar frio intensa e estacionada. A mínima em Londrina deve ser de 5ºC. Nesta semana, portanto, as chuvas devem dar uma trégua. Em junho, até o momento, já choveu 108,5 milímetros (mm), acima da média de 95mm", explica a meteorologista do Iapar Ângela Beatriz Costa.
O engenheiro agrônomo do Instituto Emater, Romeu Gair, trabalha com cafeicultores da região e relata a importância de ficar atento com as temperaturas mais baixas. "Se o produtor perder uma muda dessas ainda de pequeno porte, ele perde dois anos de trabalho até que ela retorne ao estágio que estava", explica.

Olericultura
No caso da olericultura, devido à sensibilidade das plantas a atenção deve ser dobrada. Paulo Mirtv, também do Emater, explica que os produtores que trabalham com estufa geralmente colocam aquecedor nesta época. Já em campo aberto, o normal é fazer irrigação antes da geada chegar.
Estratégia sempre muito utilizada pelo produtor, Eliel dos Santos, que trabalha com olerícolas no Patrimônio Selva. Desta vez, entretanto, ele não vai precisar utilizar este artifício, já que todos os seus produtos estão bem pequenos. "A chuva atrapalhou demais a minha produção e nas últimas semanas perdi 60% da minha mercadoria. Com isso, não tive como preparar a terra e as plantas não se desenvolveram. Este ano está complicado, porque em janeiro perdi tudo devido àquela chuva intensa", relembra ele.
Mesmo assim, Eliel torce para que a geada não chegue esta semana, o que pode atrapalhar de vez a sua perspectiva futura. Ele explica que as plantas pequenas se recuperam facilmente, mas as bordas queimadas retardam demais o crescimento delas. "Estou com alface, repolho, acelga, cebolinha, espinafre e salsinha na lavoura, na torcida para que o tempo estabilize. Antes dessas mudanças climáticas, levava em torno de 4 mil quilos de mercadoria por semana para o Ceasa. Nestes dias, levei apenas 300 quilos. Uma queda muito brusca no meu faturamento. A chuva tem sido o maior dos problemas", finaliza.
Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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