Operação investiga fraude em emissão de diplomas




Sete suspeitos foram presos por envolvimento no esquema; materiais foram apreendidos em cursinho de Londrina


A Polícia Civil investiga uma quadrilha responsável por falsificar históricos escolares e certificados de conclusão dos ensinos fundamental e médio em um esquema que envolve os Estados do Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Na segunda fase da Operação Volta às Aulas foram cumpridos 40 mandados, sendo sete de prisão temporária por cinco dias, nove de condução coercitiva e 24 de busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos que estavam nas casas dos investigados e nas escolas de Educação de Jovens e Adultos.
Ao todo, 13 instituições estão sendo investigadas pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) do Paraná. Entre eles, está o curso CDF, com sede em Londrina. De acordo com o delegado do núcleo, Renato Bastos Figueiroa, a instituição de Londrina teria burlado a legislação estadual. "O curso CDF não está habilitado junto à Secretaria Estadual de Educação (Seed) para emitir certificados. Ele pode apenas funcionar como curso livre para a preparação para que os alunos prestem concursos, por exemplo, mas não pode fazer a emissão", explicou. Segundo o delegado, os alunos matriculados faziam provas sem validade. "Posteriormente, os documentos eram encaminhados para outros colégios que estariam habilitados a emitir os certificados. Porém, o aluno sequer sabia onde ficavam esses colégios", completou. A instituição já havia sido citada na primeira fase da operação realizada em dezembro do ano passado, quando seis pessoas foram presas.
O proprietário do curso CDF, Carlos Alberto Vidal, foi conduzido para prestar esclarecimentos. Segundo o advogado Mário Barbosa, a instituição não emitia certificados próprios e as provas eram realizadas em Curitiba. "Ele não tem nada a temer e quer que tudo seja esclarecido o quanto antes. A escola tinha relações comerciais por meio de um contrato de prestação de serviço para a captação de alunos para o Ibed (Instituto Brasileiro de Ensino a Distância)", explicou o advogado.
O professor Tulio Cesar Alencar, que atuava na escola de Londrina, foi preso durante a manhã. Conforme o delegado, "ele foi citado nos depoimentos como responsável por fraudar as atividades on-line dos alunos nos certificados que eram emitidos pelo Ibed". Itacir José Rockenbach, advogado de Alencar, rebateu as afirmações. "Ofereceram para ele a vaga de professor, de tutor e de vendedor de cursos para que ele tivesse uma renda extra. Ele trabalhou durante o ano passado, mas, quando soube de problemas, saiu da escola."
Os diplomas custavam até R$ 1,7 mil. Em Curitiba, o proprietário do Ibed no Paraná, Luiz Augusto Fumaneri, também foi detido. O advogado Levi de Andrade informou que Fumaneri adquiriu o instituto em março de 2015. "Quando ele assumiu, percebeu que havia muita desorganização e iniciou uma auditoria interna. Alguém estaria usando o nome do Ibed para fornecer os certificados. São alunos que nem constam como matriculados", argumentou. Fumaneri foi transferido para o Complexo Médico Penal, em Pinhais, por apresentar problemas de saúde.
A operação foi realizada nas cidades de Pinhais, São José dos Pinhais, Ponta Grossa, Piraí do Sul, Guarapuava e Maringá. Uma servidora da Secretaria de Estado da Educação (Seed) também foi conduzida para prestar esclarecimentos. "Ela foi nominada como a responsável por orientar os funcionários do Ibed sobre como fraudar a lista presencial dos alunos", destacou.
Duas pessoas que seriam presas no Rio de Janeiro seguiam foragidas até o final da tarde. Entre as 13 instituições investigadas, apenas cinco eram autorizadas a emitir os diplomas. Se confirmada a participação, os investigados vão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato e falsidade ideológica.
O curso CDF funciona normalmente em Londrina. Segundo o delegado, as pessoas que receberam certificados de ensino fundamental ou médio de outros colégios devem procurar a delegacia. "Caso contrário, podem responder por uso de documento falso", destacou. A terceira fase da operação deve ser realizada em breve. A Seed informou apenas que "colabora com as investigações" e que aguarda os resultados da operação.
Viviani Costa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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